Jeep quer mais V8 nos SUVs após elétricos patinarem
Após foco em elétricos, Jeep aposta no retorno dos motores Hemi, começando pelo Wrangler Rubicon 392 de 470 cv
Após o fracasso em tentar mudar a direção de seus utilitários esportivos para modelos mais ecológicos, nos últimos anos, a Jeep é mais uma que busca ''retornar às origens'' dentro do grupo Stellantis. As mudanças seguem o que já aconteceu com a Ram, que retornou com o icônico motor Hemi V8 e já confirmou o lançamento de uma versão a combustão do Charger para os próximos meses.
Segundo o Automotive News EUA, o CEO da Jeep, Bob Broderdorf, já avisou que o Hemi V-8 vai voltar a equipar com força o resto do catálogo. Tem projeto novo em andamento e a ideia é aumentar a oferta de motores a combustão, devolvendo aquele tempero de desempenho que muita gente achava que tinha ficado no passado.
Jeep Wrangler Rubicon (2025)
A prova de que o discurso não é só marketing está no Wrangler Rubicon 392. O plano era mandar o V-8 de 6,4 litros (392 polegadas cúbicas) e 470 cv para a aposentadoria no ano passado, mas o SUV ganhou sobrevida e segue como o mais potente da linha. É também o único Jeep que ainda oferece oito-cilindros sob o capô, custando mais de US$ 100.000 nos EUA. A decisão de mantê-lo veio depois que a marca percebeu, em eventos como a travessia da Trilha Rubicon, que o público não quer abrir mão do barulho e da força do 392.
E não é só a Jeep que está nessa. Dentro da Stellantis, a Ram já confirmou que vai recolocar um V8 na nova geração da 1500 e trazer de volta a versão bruta 1500 TRX. A Dodge também mudou de rumo: vai cortar o V-6 do Durango, deixando o SUV exclusivo para motores Hemi a partir de 2026.
Ram 1500 TRX 2021
Para quem está atuando nas vendas da marca, o movimento é um resgate de identidade. Sean Hogan, vice-presidente do grupo Sierra Auto, que tem lojas na região de Los Angeles, diz que a retirada dos Hemi na gestão de Carlos Tavares tirou parte do brilho das marcas. Ele lembra que, mesmo que o cliente não leve o V8 para casa, esses modelos puxam gente para a loja e mexem com a imagem da marca.
Quais Jeeps vão receber novamente o Hemi ainda é segredo, mas o passado entrega algumas pistas. Wagoneer, Grand Wagoneer e as duas carrocerias do Grand Cherokee já tiveram oito-cilindros. E quem lembra do Grand Cherokee Trackhawk sabe do que estamos falando: 717 cv de um Hemi 6.2 superalimentado. O SRT também não ficava para trás, com 475 cv do Hemi 6.4.
Jeep Grand Cherokee Overland 4xe
Hogan aposta que a picape Gladiator ficaria perfeita com um V8 e que o Trackhawk ainda tem espaço para voltar. Michael Bettenhausen, presidente do Conselho Nacional de Concessionários da Stellantis, também vê essa guinada como “o começo de muitas coisas empolgantes”.
Para Steven Wolf, do grupo estadunidense de concessionárias Helfman Dodge-Chrysler-Jeep-Ram, o Hemi é quase uma marca por si só. Ele crava que um novo Grand Cherokee Trackhawk “venderia como pão quente” e diz que nunca acreditou de verdade no fim dos V8. Agora, comemora o retorno, certo de que a Stellantis finalmente escutou tanto os concessionários quanto os clientes que sempre souberam exatamente o que esperar de um Jeep.
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