BYD ataca VW, GM, Stellantis e Toyota em carta: "dinossauros gritam"
Chinesa rebate oposição à redução de imposto para SKD: “Se os dinossauros gritam, é sinal de que o meteoro chegou”
Reverenciar o passado ou prometer um novo futuro: duas posições se chocaram nesta semana no Brasil. De um lado, quatro das maiores montadoras instaladas no Brasil — Volkswagen, GM, Toyota e Stellantis — encaminharam ao Presidente da República uma carta em que se posicionam contra o pedido da BYD para a redução de tarifas de importação de kits CKD e SKD. Do outro, a BYD subiu o tom, responde de forma contundente, debocha e acusa as rivais de tentarem frear a inovação por medo da concorrência.
E para que não está acompanhando essa história desde o início, o estopim para o conflito foi o pedido da BYD por uma redução das tarifas de importação de kits de veículos em CKD e SKD de 18 a 20% para 5 e 10%, que desagradou imediatamente as montadoras que já estão estabelecidas há décadas no país.
A carta assinada por Ciro Possobom (CEO e Presidente da VW do Brasil), Evandro Maggio (Presidente da Toyota do Brasil), Emanuelle Cappellano (COO da Stellantis South America) e Santiago Chamorro (Presidente da GM South America) foi encaminhada ao Presidente Lula no dia 15 de julho. O ponto principal alegado é que a redução do imposto de importação para a montagem SKD seria prejudicial para a indústria nacional ao afetar empregos, fornecedores e mercado de auto-peças, citando, inclusive, que os R$ 180 bilhões em investimentos anunciados pela Anfavea para os próximos anos estaria em xeque.
Em sua resposta, a BYD não economizou nas palavras. Acusou as rivais de chantagem emocional e classificou a carta como uma tentativa de barrar a modernização do setor. “O problema não é o meteoro, claro. O problema é que ele está sendo bem recebido pelos consumidores”, diz um trecho da carta.
A montadora chinesa ainda afirma que está cumprindo os compromissos firmados com o governo da Bahia e com o cronograma de nacionalização da produção. A etapa SKD (em que os carros chegam parcialmente montados ao Brasil) seria, segundo a marca, apenas uma fase inicial, já prevista no contrato com o estado, antes da operação industrial completa em Camaçari (BA).
“Em menos de um ano e meio, já estamos finalizando a primeira etapa das obras da fábrica. O galpão de montagem final já é mais da metade do tamanho da antiga planta inteira”, diz a empresa, numa referência ao complexo que antes pertencia à Ford.
A BYD também rebateu as acusações de concorrência desleal, dizendo que outras montadoras seguiram caminhos semelhantes no passado e que o modelo de SKD não representa qualquer “atalho fiscal”, mas uma solução para acelerar a industrialização e a geração de empregos no Brasil.
“O incômodo das concorrentes não tem a ver com impostos, nem com montagem, nem com empregos. Tem a ver com a perda de protagonismo”, dispara a carta, finalizando com a frase de impacto.
“Se os dinossauros estão gritando, é sinal de que o meteoro está funcionando.”
O pedido da BYD para reduzir as tarifas de importação de kits CKD e SKD será analisado nesta quarta-feira (30) em reunião do Gecex, o Comitê Executivo de Gestão da Camex, e movimenta intensamente os bastidores de Brasília. A chinesa pleiteia a inclusão dos kits nos ex-tarifários por três anos, com alíquotas reduzidas de 10% para SKD e 5% para CKD, alegando geração de empregos na montagem em Camaçari (BA).
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