A falta de peças eletrônicas na indústria automotiva é uma realidade para muitas fábricas ao redor do mundo. E embora alguns CEOs, como Jim Farley, da Ford, estejam otimistas de que a escassez global de chips semicondutores possa terminar ainda neste semestre, outros já creem que a crise não deve cessar tão cedo.

Muitos especialistas acreditam que a falta de chips pode durar pelo menos até o final de 2021 ou mais, uma vez que o maior fabricante do material, Taiwan, não tem previsão de quando será tudo normalizado. Já o CEO da Intel, Pat Gelsinger, admitiu que o problema não deve ser resolvido completamente por mais alguns anos.

Fábrica da Fiat em Betim - Produção do Uno
Fábrica da Fiat em Betim - Produção do Uno

“Temos alguns anos até que possamos atender a essa demanda crescente em todos os aspectos do negócio”, disse Gelsinger durante uma entrevista ao programa americano CBS 60 Minutes. Gelsinger também apontou que apenas 12% da fabricação mundial de chips ocorre nos Estados Unidos, sofrendo uma diminuição de 37% nos últimos 25 anos.

“Qualquer pessoa que olhe para a cadeia de suprimentos diz: 'isso é um problema'”, acrescentou. “Esta é uma indústria grande e crítica e queremos mais em solo americano. Os empregos que queremos na América, o controle do nosso futuro a longo prazo”.

Segundo aponta a publicação da Ford Authority, a Intel está atualmente lutando para aumentar  sua própria produção de chips reformando suas fábricas, mas esse processo levará vários meses para ser concluído.

Enquanto isso, em meio a uma enxurrada de cortes de produção, Jim Farley recentemente participou de uma cúpula da Casa Branca com outras montadoras, fabricantes de chips, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e membros de sua equipe para tratarem sobre a escassez. Na reunião, Biden prometeu que a legislação iria cuidar do assunto e que o financiamento do Congresso para apoiar a produção estava em andamento, embora dois grupos da indústria automobilística estejam pressionando o Senado por uma resolução.

A escassez de chips forçou a Ford a cortar sua produção do segundo trimestre em 50%, e a montadora informou seus revendedores que não receberão nenhuma quantidade significativa de estoque de veículos novos até agosto em decorrência da crise. Outras marcas estão parando também. A Chevrolet tem reduzido a fabricação de modelos como Silverado, enquanto a Volkswagen anunciou a paralisação da fábrica no México.

A ausência do componente afeta até o Brasil. A GM teve que paralisar completamente a produção de Onix e Onix Plus em Gravataí (RS) de março até este mês, enquanto Fiat, Honda e Renault fizeram paradas pontuais.

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