Monovolume vai subir de nível e se tornar um crossover, abrindo espaço para o inédito City hatch

Se você acompanha com frequência o Motor1.com já deve saber que, desde fevereiro, estamos falando sobre o futuro dos compactos da Honda no Brasil. Para quem chegou agora, uma explicação rápida: a nova geração do Fit, já lançada no Japão e Europa, ficou cara demais para substituir a atual no Brasil mantendo a mesma faixa de preço.

Pelo que apuramos, e depois apareceu registrado no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), a solução virá na forma de dois modelos. Um deles será o inédito City hatch, enquanto o novo Fit deverá vir somente na versão aventureira, para ocupar o lugar do atual WR-V - que nada mais é que um crossover derivado do atual Fit com desenho exclusivo na dianteira. 

Projeção: Honda Fit Crosstar (WR-V) nacional 2021

Para ocupar o espaço do Fit que conhecemos hoje, o City hatch terá apelo mais jovem, exatamente como o arquirrival Toyota Yaris. Além de fazer frente à Toyota, a Honda também terá um modelo para entrar na briga contra as versões mais caras de VW Polo e Chevrolet Onix, num crescente segmento que em breve terá também o novo Peugeot 208. Já o novo City Sedan permanecerá onde está, ou seja, como opção de sedã de entrada da marca abaixo do Civic. 

Honda City hatch 2021 (projeções)

Lugar do Fit atual será ocupado pelo inédito City hatch, de perfil mais jovem para competir com o Toyota Yaris

O Fit é que vai sofrer a mudança mais delicada. Segundo ouvimos de fontes ligadas à Honda, a nova geração do monovolume se sofisticou nos materiais, equipamentos e construção. No Japão, ele ganhou painel totalmente digital, freio de estacionamento eletrônico e o Honda Sensing, conjunto de recursos de segurança que inclui piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência e outros itens, além da motorização híbrida. Em resumo, a "conta não fechou" na hora de nacionalizá-lo. 

Tirar o Fit do mercado brasileiro, porém, deixaria uma legião de fãs sem opção. Apesar de compacto, o monovolume oferece um espaço interno sem igual entre os carros de seu porte, sem falar na solução de elevar o assento do banco traseiro para levar objetos volumosos - artimanha mantida na nova geração. Ao mesmo tempo, a Honda precisava de um substituto para o WR-V, que está envelhecendo junto com o atual Fit. Daí a ideia de trazer o novo Fit aventureiro. 

Chamado de Crosstar no Japão, esse Fit se diferencia do "normal" pelo desenho da grade dianteira e pelas proteções plásticas sem pintura na carroceria. Mas a altura da suspensão muda apenas 16 mm em relação às demais versões. Já aqui no Brasil o novo Fit aventureiro deve receber a mesma receita de "chão" do WR-V, como mostramos nestas projeções exclusivas feitas pelo nosso amigo Renato Aspromonte, do Overboost. Em relação ao Fit, ele tem as bitolas mais largas e usa molas e amortecedores específicos (com batentes hidráulicos), além de pneus de perfil mais alto, 195/60 R16 - no total são 5 cm extras de vão livre do solo. Na prática, o WR-V roda muito mais tranquilo e confortável que o durinho Fit em nossas ruas judiadas, tanto que o aprendizado da engenharia brasileira com ele foi levado ao HR-V na reestilização do SUV, quando ficou mais macio. 

Projeção: Honda Fit Crosstar (WR-V) nacional 2021

Com suspensão e pneus do WR-V, o novo Fit crossover deve ser a única variante do monovolume no Brasil

Na falta do novo Fit "tradicional", a Honda brasileira nem precisaria se preocupar em fazer um design diferente para a dianteira do novo WR-V, ou Fit Crosstar - ainda não sabemos como a marca irá chamar o novo modelo por aqui. Matar o nome Fit seria ruim por um lado, mas chamá-lo de "Novo WR-V" pode ser um caminho mais viável para posicioná-lo como um SUV e, claro, numa faixa de preços mais alta que o atual Fit. Hoje, o WR-V tem valores entre R$ 84.800 (EX) e R$ 89.100 (EXL).

Uma outra novidade que deve vir a bordo do "Fit crossover" é o novo motor 1.0 de 3 cilindros da Honda, com turbo, injeção direta e estimados 130 cv de potência. Ele é cotado para o modelo e também pode pintar nas versões mais caras (Touring) do City hatch e sedã. Já o atual motor 1.5 do Fit e do City também deve ser atualizado, recebendo enfim o duplo comando (DOHC) e outras melhorias para melhor desempenho e menor consumo e emissões. 

A expectativa era de que o novo Fit (ou WR-V) nacional fosse lançado ainda neste ano, mas com a paralisação causada pela pandemia não seria surpresa se ficasse para 2021, junto com os novos City. 

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Projeções: Overboost

Galeria: Projeção: Honda Fit Crosstar (WR-V) nacional 2021