Associação mantém otimismo para 2020 e espera por reforma tributária e melhores condições para exportação

A Assossiação Nacional das Fabricantes de Veículos Automores (Anfavea) divulgou nesta quinta-feira (6) os dados de produção, emplacamento e exportação da indústria automotiva do primeiro mês de 2020. A Anfavea aposta em estabilidade nos próximos 11 meses. Um fator novo que contribuou para retração de 3,2%  emplacamentos em janeiro foi um problema pontual causado pela adoção das novas placas padrão Mercosul.

Galeria: Volkswagen - Fábrica de Taubaté (SP)

”Janeiro, normalmente, é um mês mais fraco, com férias”, lembra Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. De fato, historicamente é o mês de menor volume para as concessionárias e foi agravado com as dificuldades com as placas Mercosul. Como o novo padrão seria adotado a partir de 31 de janeiro, muitos concessionários aguardaram para que o veículo já fosse entregue com as novas placas.

Um dos sinais que justificam o otimismo da Anfavea é a produção de veículos, que subiu 12,2% em comparação a dezembro e atingiu a marca de 191,4 mil unidades. Ainda é um valor baixo ante os 199,1 mil veículos de janeiro de 2019, porém a diferença é causada pela crise na Argentina, que ainda não tinha atingido seu pior momento no mesmo período do ano passado.

Essa situação do país vizinho afeta diretamente as exportações, tema que preocupa muito a Anfavea. "Elas podem ser piores do que ano passado", revela Moraes. Embora a Argentina já tenha trocado de governo, levará um tempo para que as medidas do novo presidente comecem a fazer efeito o suficiente para que a indústria automotiva volte a crescer no país. A associação já havia projetado uma queda de 10,4% na exportação de carros e comerciais leves neste ano, esperando volume em torno de 365 mil unidades.

De acordo com a Anfavea, 49% dos carros e comerciais leves exportados pelo Brasil em 2019 foram para a Argentina, enquanto em 2018 o montante era de 70%. A queda fez com que outros países crescessem em participação. O México, que agora tem um novo acordo com o nosso país, é o destino de 17% dos veículos exportados (ante 9% do ano passado). A Colômbia subiu de 4% para 12%, enquanto Chile e Uruguai representam 8% e 5%, respectivamente. Os demais países no mundo são os 10% restantes da conta.

Galeria: Fábrica Caoa Chery e Hyundai

A falta da Argentina como destino para os carros brasileiros é sentida na receita das fabricantes. Em 2017, antes da crise econômica, o país vizinho abocanhava 20% de toda a produção de automóveis no Brasil, enquanto o mercado interno ficava com 72% e os outros 8% eram enviados para outros países. Isso gerava uma receita de exportação de US$ 8,4 bilhões. Em 2019, 86% dos carros fabricantes ficaram no mercado brasileiro, e o restante foi dividido igualmente entre Argentina e outros países, com 7% cada. Isso fez com que a receita caísse para US$ 4,5 bilhões.

Uma das soluções, segundo Moraes, é a reforma tributária que será discutida neste ano no congresso. O executivo não espera por reduções nos impostos, já que o governo tenta conter o rombo nos cofres públicos, e sim por uma simplificação na forma como os tributos são cobrados. Além disso, a Anfavea quer discutir mudanças na forma como o governo taxa os veículos de exportação. “Estamos exportando nossos impostos, o que tira a competitividade do carro nacional. O Brasil é um grande exportador de matéria-prima e grãos, precisamos crescer na exportação de produtos industrializados, e isso em vários setores além do automotivo”, complementa.