Marca ofereceu acesso ao mercado chinês em troca de tecnologia elétrica

Quanto mais notícias aparecem sobre a Geely, mais ficamos coçando a cabeça de curiosidade. A companhia chinesa virou notícia no mês passado quando revelou que Li Shufu, seu CEO, comprou US$ 9 bilhões em ações da Daimler, dona da Mercedes-Benz, ficando com 9,69% de participação da empresa. É o suficiente para fazer com que seja o maior acionista. De acordo com as publicações Spiegel Online e BMW Blog, Shufu teria procurado primeiro a BMW em Munique.

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De acordo com as reportagens, a Geely não teria ido atrás da BMW para comprar ações, e sim para formar alguma parceria que beneficia-se ambas as empresas. Shufu queria a tecnologia para carros elétricos da BMW e, em troca, teria prometido acesso ao mercado chinês, supostamente citando a influência da Geely junto ao governo. Essas conversas secretas teriam acontecido em 2016 e, obviamente, a resposta foi não, pois a BMW acabou fechando uma parceria com a Great Wall.

Galeria: BMW Série 5 Long Wheelbase

Resumindo as movimentações da Geely pelo mundo automotivo nos últimos anos, agora sabemos dessa tentativa de parceria com a BMW em 2016; antes disso a empresa comprou a Volvo da Ford, em 2010. No ano passado, adquiriu a Lotus e, por algum motivo, também comprou a Terrafugia, fabricante de carros voadores. O grupo também teria feito uma oferta para comprar a Fiat-Chrysler no no passado, que acabou negado pois a FCA queria deixar Alfa Romeo e Maserati fora do acordo. Tentarem até comprar a Daimler, só que a empresa alemã negou e disse que a Geely poderia comprar as ações na bolsa como qualquer outro investidor. E foi o que Shufu acabou fazendo.

Ah sim, Geely também é a criadora de uma marca de luxo chinesas chamada Lynk & Co, que a Ford está processando porque o nome tem a mesma sonoridade que sua divisão de luxo, a Lincoln.

Galeria: Lynk & Co 03 Sedan

De acordo com a Reuters, uma fonte anônima ligada à Shufu disse que o CEO imagina que o mercado automotivo terá somente duas ou três fabricantes de todas as atuais, e ele acredita que as empresas devem se unir para sobreviver. Pode parecer um pouco bizarro, considerando a quantidade de montadoras que existem ao redor do mundo. Mas explica porque a Geely parece até desesperada em comprar várias marcas neste momento.

Após vender as ações para a Geely, a Daimler deu as boas-vindas à Shufu, porém enfatizando que já tem uma parceria bem forte com outra chinesa, a BAIC Motor - outra rival da Geely. Vamos ver o que a Geely planeja para a semana que vem.

Fonte: Spiegel Online, BMW Blog, Reuters