A culpa é da picape Amarok, que usa o motor 2.0 TDI EA189 com software enganador de missões

Nos EUA, o processo do Dieselgate rendeu à Volkswagen uma série de problemas criminais, um programa de indenizações que vai custar US$ 14,7 bilhões, levou uma multa de US$ 4,3 bilhões do governo e ainda teve de propor uma correção para o V6 3.0 TDI de US$ 1,3 bilhão. Somando apenas estes casos, o prejuízo é de US$ 20,3 bilhões (fora o dano de reputação). No Brasil, o caso rendeu à Volkswagen apenas uma multa de R$ 50 milhões (cerca de US$ 16 milhões), confirmada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na última terça (21).

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A decisão, apenas administrativa, foi proferida em primeira instância e ainda permite recurso, que a Volkswagen, em comunicado oficial, ainda não descartou oficialmente. O Ibama queria ter punido a fabricante em R$ 238 milhões, mas o limite máximo da multa que poderia ser aplicada, de acordo com a legislação brasileira, de 1998, eram os R$ 50 milhões. Considerando a pechincha, é capaz que a VW aceite e pague só para deixar o assunto morrer de uma vez por aqui.

 

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A Volkswagen também está obrigada a realizar o recall das unidades envolvidas, todas dos modelos 2011 e 2012. Seriam 17.057 delas, uma conta que ainda não entendemos. Pelos dados de vendas da picape, foram vendidas 33.437 de 2010, quando ela foi lançada, a 2012. Por que só 17.057 estão envolvidas no chamado? Mais do que isso: todas as 96.901 unidades da Amarok vendidas até o final de 2016 usam o mesmíssimo motor 2.0 TDI EA189. Entraremos em contato com o Ibama e com a Volkswagen para esclarecer o caso. Veja abaixo os números de venda da picape ao longo dos anos

2010 - 3.385

2011 - 10.227

2012 - 19.825

2013 - 24.191

2014 - 17.890

2015 - 12.211

2016 - 9.172

Total - 96.901

 

Amarok 2017

 

Segundo o Ibama, que contou com relatório da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para esclarecer o caso, as Amarok reduzem a emissão de óxidos de nitrogênio (os NOx) em 0,26 g/km quando elas são submetidas a condições de teste de homologação. Fora deste ambiente, a picape emite 1,1 g dos óxidos, valor acima do máximo estabelecido pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Em suma, as Amarok nesta condição nem poderiam ter sido vendidas por serem ilegais. Elas teriam ajudado a lançar 100 toneladas de óxidos de nitrogênio na atmosfera além dos limites permitidos.

 

Volkswagen Amarok 2017

 

Óxidos de nitrogênio são responsáveis por agravar ou provocar problemas respiratórios nas regiões onde eles se concentram. Um cálculo do MIT (Massachusetts Institute of Technology) atribiu 1.200 mortes ao Dieselgate na Europa.

 

Volkswagen Amarok 2017

 

Em sua defesa, a Volkswagen alegou, em nota oficial, que o software enganador não estaria ativo nas unidades vendidas no Brasil e que não seria efetivo para burlar as normas brasileiras. Se for verdade, é melhor ela contestar os testes da Cetesb... Ou deixar o assunto ser esquecido, como a índole brasileira do "deixa disso" é tão pródiga em fazer.

Fotos: divulgação e arquivo Motor1.com

 

Nova Volkswagen Amarok 2017