Híbridos e elétricos querem deixar o status de figurantes em eficiência energética

Apenas figurantes. Esta é a situação dos carros híbridos e elétricos no que tange o cumprimento das metas de eficiência energética do programa Inovar-Auto, instituído em 2012. A opinião é de Ricardo Guggisberg, presidente da ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico, que reuniu nesta semana, a imprensa automotiva em São Paulo para falar sobre o atual quadro de desenvolvimento do mercado brasileiro de veículos híbridos e elétricos. “Entendo que as montadoras que se habilitaram ao Inovar-Auto, em sua maioria, vão conseguir reduzir o consumo energético compulsório de seus produtos, de 12,08%, o que proporciona crédito presumido de até 30 pontos percentuais do IPI, por meio de introdução de novas tecnologias como downsizing de motores, turboalimentadores, redução de coeficientes aerodinâmicos, injeção direta, start-stop, cilinder desativation, redução de peso, pneus verdes, entre tantas outras. Mas também a indústria não deveria deixar de lado os veículos híbridos e elétricos”.
Híbridos e elétricos querem deixar o status de figurantes em eficiência energética
Guggisberg diz que o Brasil está se distanciando da tendência dos principais polos produtivos e mercados automotivos internacionais. No entanto, o executivo reconhece o domínio dos motores à combustão, hoje responsáveis por 95% dos veículos comercializados no mundo. Apenas 5% são híbridos ou elétricos. No Brasil, a discrepância é ainda maior: apenas 846 veículos híbridos e elétricos emplacados, o que significa míseros 0,00042% dos 2.017.639 automóveis licenciados. “Esses dados mostram claramente como os híbridos e elétricos podem contribuir com as metas adicionais de 15,46% e 18,84% em eficiência energética do Inovar-Auto, que proporcionam créditos presumidos de mais 1 e 2 pontos percentuais no IPI, sem agredir a participação dos motores à combustão, mas de grande valia à sociedade e ao meio ambiente”, enfatiza Ricardo Guggisberg. Os principais obstáculos enfrentados pela ABVE são a alta carga tributária para carros elétricos, alto preço das baterias e falta de infraestrutura de eletropostos. Além disso, faz falta uma padronização de plugs e uma política pública que estimule a compra e a redução de IPI para veículos montados no país em SKD ou CKD. Mas por outro lado, também há avanços como o incentivo dos BNDES na redução de taxas de juros e ampliação do prazo de pagamento na compra de ônibus híbridos e elétricos, isenção do IPVA em sete estados (Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe), redução parcial no IPVA em três estados (Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro), imposto de importação foi zerado ou reduzido de 35% para 0%-7%, dependendo da eficiência energética para veículos elétricos puros, híbridos plug-in e células de combustível, isenção do rodízio na cidade de São Paulo e instalação do primeiro eletroposto em rodovias. Considerando as duas situações, a ABVE pleiteia a regulação da venda do combustível energia elétrica, maior redução do IPI, aprovação de infraestrutura para recarga de veículos elétricos, padronização de plugs e equiparação do imposto de importação concedido aos veículos elétricos para motocicletas, scooters, bicicletas e componentes. Fonte: ABVE

Híbridos e elétricos querem deixar o status de figurantes em eficiência energética

Foto de: Redação