Especial: Um dia de piloto de rally na Copa Troller

Durante uma aula de Marketing na faculdade, lembro que o professor citou a Harley-Davidson como um caso de estudo. Além das motos, os seus compradores consumiam os outros produtos da marca, como jaquetas e capacetes, e levavam um estilo de vida ditado pelos costumes de outros “Harleiros”. Formaram grupos e são, até hoje, referência quando o assunto é colocar a moto na estrada. Pois a Troller pode ser declarada como a “Harley do fora de-estrada”. Para ver isso de perto, saí na última sexta-feira rumo a Curitiba com a missão de participar, no sábado, da segunda etapa da Copa Troller de 2016. Desde 2002, a marca organiza eventos onde os proprietários podem colocar seus jipes na terra e explorar seus limites no terreno para o qual ele foi realmente projetado. Como acontece com a turma das Harley, o pessoal dos Troller se conhecem, como uma família, formam equipes e levam bem a sério o rally de regularidade. O desafio aqui é passar no ponto pré-definido com o tempo certo, sendo a competição dividida em quatro categorias conforme a experiência: Expedition, Turismo, Graduados e Master.
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Fui para a Expedition achando que todos os outros competidores fossem amadores, como eu e meu navegador. Errei feio. Mesmo nesta categoria de base, os trolleiros levam a brincadeira à sério. No mínimo, seus carros ostentavam um conjunto de pneus lameiros, enquanto eu me sentia fora da casinha com um Troller T4 totalmente original. O “meu” T4 é da nova geração, que foi apresentado em 2014 como a primeira grande mudança após a compra da marca cearense pela Ford em 2007. Utiliza muitos elementos da Ranger antiga, como painel, quadro de instrumentos e coração. O motor é o Duratorq, um turbodiesel de 3.2 litros com 200 cv e torque de 47,9 kgfm entre 1.750 e 2.500 rpm ligado ao câmbio manual de seis marchas. A tração, lógico, é 4x4 com opção de reduzida.
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Em nenhum momento o T4 nos deixou na mão. Nem mesmo em um atoleiro que, com minha falta de experiência, quase fiquei preso. O jipe tem força e tração para sair de (quase) toda encrenca, além de boa altura do solo para atravessar inclusive alguns riachos. Ele é quase rústico. Feito quase que artesanalmente em Horizonte (CE), o T4 realmente foi projetado para quem vai usá-lo no barro. Robusto, ele encara desde trechos de terra, lamaçais e atravessa pequenos trechos alagados, como riachos. Dirigindo, o T4 não tem suavidade. A direção, mesmo hidráulica, é pesada (principalmente com os pneus grandes de uso misto), e os engates do câmbio exigem um tempo para acostumar e uma certa força para encaixar cada uma das seis marchas.
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Por dentro, o T4 até tem luxos como ar-condicionado de duas zonas e sistema som com Bluetooth. Os bancos são de couro e o piso é de borracha, pensando na limpeza pós-trilha. Não é mais tão simples quanto os primeiros Trollers, que tinham partes de diversos carros de várias marcas, mas ele ainda é rústico como seu público prefere. O uso é tão preferencial fora de estrada que ele se aproveitou de uma brecha na lei para não ter airbags, apenas ABS.
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Mesmo sendo a categoria de entrada, a Expedition tem bom nível de dificuldade. Terra, lama, ladeiras, pedras e curvas cegas foram desafios que, ao fim da etapa, conseguiram fazer a medalha de participação ter um gosto de conquista. Cheguei em primeiro? Lógico - que não! Dos 31 carros, fui o 28º, com 87.304 pontos – quanto mais erros, mais pontos. Mas valeu para uma primeira vez, além da classificação para uma final no segundo semestre! Sobre o Troller T4 Esta geração “Fordiana” do Troller tem melhorias como freios a disco nas quatro rodas, motor e câmbio da Ranger e desenho que aposenta as peças de outros carros e marcas, como acontecia nos Troller antigos. Mas curiosamente, segundo o concessionário Troller de Curitiba, os antigos proprietários começaram a trocar seus T4 no novo apenas recentemente, após quase dois anos. Antes, eles estavam sendo vendidos para novos “Trolleiros”, que mostraram para os mais experientes que a alma trilheira ainda estava lá.
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Outra curiosidade é que os gastos não param apenas na compra. Após troca de experiências, estes proprietários fazem, ainda na loja, algumas modificações. Praticamente todos os Troller rodam com algum tipo de mudança, seja de suspensão, pneus ou até motor de olho no melhor desempenho. Em números, o T4 custa R$ 122.442, e vende cerca de 130 unidades por mês. A queda de 2015 para cá foi baixa, com uma média anterior de 168/mês e 2.019 unidades emplacadas no total. Isso mostra que, mesmo em momento de crise, os apaixonados ainda buscam seus brinquedos. Por Leonardo Fortunatti, de Curitiba (PR), em colaboração para o CARPLACE Fotos: autor e divulgação Viagem a convite da Ford

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Foto de: Redação