Volta rápida: novo Audi A4 conquista com armas diferentes dos rivais

Volta rápida: novo Audi A4 conquista com armas diferentes dos rivais
Depois de ficar meio apagado enquanto a Audi dava atenção ao A5 Sportback e depois ao A3 Sedan, o A4 volta à vida em nova geração - maior, mais equipada, mais vistosa e melhor de dirigir. Só que o cenário à sua volta não é nada favorável: BMW Série 3 e Mercedes Classe C, ambos já montados no Brasil, dominaram como nunca as vendas do segmento, e além disso ainda temos um ambicioso Jaguar XE para dividir as atenções. E agora, A4?
Volta rápida: novo Audi A4 conquista com armas diferentes dos rivais
E agora que o A4 tomou um caminho diferente dos principais rivais. Sem tração traseira, principal apelo do BMW e do Jaguar (lembrando que a Mercedes também tem o recurso), o novo sedã da Audi aposta no conforto, nos mimos e na sofisticação para fisgar quem está pensando em gastar de R$ 160 mil a R$ 200 mil no seu próximo carro de luxo.

O que é?

Construído sobre a novíssima plataforma de motor longitudinal MLB da Audi, da qual parte também o novo Q7, o A4 é todo sobre sofisticação. O design ficou mais elegante, sem perder a discrição que marcava a geração passada - não é carro para chamar a atenção. O porte está sensivelmente maior, como podemos observar pelos 4,72 m de comprimento e 2,82 m de distância entre-eixos, favorecendo o espaço no banco traseiro. Apesar do incremento, o sedã ficou até 120 kg mais leve (dependendo da versão), graças ao uso extensivo de alumínio em sua estrutura e novas técnicas de produção. E não é só forma, mas também função: com Cx de apenas 0,23, o A4 se destaca como o modelo de melhor aerodinâmica de sua classe.
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É por dentro, no entanto que o A4 encanta mais. A Mercedes mandou bem no interior do novo C e a Jaguar tem um desenho belíssimo no painel do XE, mas a Audi foi além. O painel do A4 é uma mistura de linhas bem acertadas com botões de toque agradável e uma tríade de telas que deixam a atmosfera agradavelmente moderna. Fora isso, o acabamento é impecável, com texturas, tecidos e materiais que não fariam feio nem mesmo em sedãs de alto luxo.
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O destaque, como nos últimos lançamentos da marca, fica por conta do Audi Virtual Cockpit, o quadro de instrumentos totalmente digital sobre uma tela de 12,3 polegadas que pode assumir diferentes visualizações. Além de ótima legibilidade (não há sol que faça reflexo), o sistema permite ampliar, por exemplo, o mapa do GPS, enquanto reduz os mostradores de velocímetro e conta-giros. Outra tela, no centro do painel, serve como visor da central multimídia (neste ponto lembra o "iPad" do Classe C), mas segue sem ser touch screen - letras e números podem ser escritos no touch pad, uma espécie de mouse sensível ao toque que fica no console central. Uma terceira tela, menor, atende ao sistema de climatização, que agora conta com saídas de ar em quase toda extensão do painel.

Como anda?

A primeira sensação a bordo do novo A4 é de se estar num carro que vale o que custa - coisa difícil em nosso mercado nos dias de hoje. O volante tem desenho exclusivo (não foi aproveitado de outro carro da marca), enquanto a alavanca do câmbio é curtinha, como no suntuoso A8. Se o design externo não impacta, a cabine certamente será argumento de venda. Ajusto a posição de dirigir (banco maravilhoso), os retrovisores (externos de bom tamanho e interno sem bordas) e saímos para o test-drive na capital paulista com um pouco de cidade e um tanto de estrada, sentido Itatiba (SP). Boa notícia: a Audi finalmente se convenceu de que ninguém se emocionava com o câmbio CVT Multitronic do antigo A4 e adotou a nova geração da transmissão S-Tronic de dupla embreagem e sete marchas, agora com caixa banhada a óleo - diferente do câmbio dos A1 e A3 hatch, de caixa seca. Já o motor 2.0 TFSI é da nova safra que a Audi chama de ultra, com ênfase no consumo de combustível. Entre as inovações, a marca destaca o método de combustão com menor fase de compressão e fase de expansão mais longa. Projetado principalmente para solicitações parciais do acelerador (maior parte do tempo numa condução normal), faz com que as válvulas de admissão fechem muito mais cedo que o usual.
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Devido ao encurtamento da fase de compressão, a taxa de compressão foi aumentada de 9,6:1 para 11,7:1. Ou seja, na fase de compressão, o motor acaba comprimindo tanta gasolina quanto um 1.4 TFSI, por exemplo. Já na fase de expansão, quando o motor utiliza plenamente seus dois litros de deslocamento, ele aproveita o maior nível de pressão durante a combustão para melhorar sua eficiência. Para que a mistura ar-combustível possa ser turbilhonada, apesar do curto tempo de admissão, as câmaras de combustão, recessos dos pistões, dutos de admissão e o turbo do novo 2.0 TFSI foram especialmente adaptados para o novo método de combustão.
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O resultado não chama atenção pela potência, de 190 cv (no TT são 230 cv extraídos da variação "desempenho" deste motor), mas o torque atinge generosos 32,7 kgfm entre 1.450 e 4.200 rpm. É o suficiente para levar o sedã de 1.405 kg (leve para seu tamanho) de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos e à máxima de 240 km/h, de acordo com a Audi. O destaque fica por conta do consumo, que segundo a marca pode chegar a 20 km/l na estrada. Durante o test-drive observamos médias na casa dos 16 km/l.
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Em termos de desempenho, o A4 agrada nas acelerações e retomadas, mas não chega a empolgar. Não há aquela pressão contra o banco quando a gente exige tudo do acelerador, no entanto, o sedã ganha velocidade de forma natural e equilibrada, sempre bastante silencioso e bem postado ao solo. Sua pegada, ao contrário dos rivais (principalmente Série 3 e XE) não é encantar pela dirigibilidade. O Audi conquista pela suavidade. A suspensão é um caso à parte, certamente a mais macia dos Audis que dirigi nos últimos anos - mais até que a do novo Classe C. Ele passa muito suave pelas lombadas e buracos, mesmo com rodas aro 18"! A direção elétrica também tem calibração bastante leve, que chega a tirar um tanto da sensibilidade, mas combina com a proposta de conforto. Até mesmo as trocas de marcha do câmbio S-Tronic, que costumam ser ríspidas no modo sport, aqui foram calibradas para evitar trancos na condução.
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Vamos ficar devendo um cometário mais preciso sobre a estabilidade nas curvas, por absoluta falta delas no percurso da avaliação, mas o A4 transmite confiança em velocidades elevadas, sem muito jogo da carroceria sobre as suspensões. De todo modo, não espere dele a mesma interatividade dos rivais com o motorista. A tração é dianteira e a suspensão prioriza a absorção de impactos. Ou seja, Série 3 e XE emocionam bem mais ao volante.

Quanto custa?

Mas não emocionar é ruim? Depende do ângulo que você veja a coisa. É uma aposta diferente da concorrência, algo que faz o A4 mirar um outro tipo de cliente. Quer um exemplo? Um cara que anda de Corolla, o sedã médio mais vendido do país, vai sentir falta de conforto se trocar seu carro num 320i ou num XE. Por outro lado, se pegar um A4 vai adorar. Já quem tem um Jetta TSI vai preferir o BMW ou o Jaguar. É isso.
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Quanto aos preços, o A4 chega bem inserido na categoria. Veja a seguir o que cada versão oferece: A4 Attraction (R$ 159.990): partida do motor por botão, faróis bixenônio com luzes diurnas em LED, rodas de liga leve aro 17″, bancos em couro, sensores de chuva e luminosidade, assistente de partida em rampas, sistema multimídia e sensor de estacionamento traseiro. A4 Launch Edition (R$ 172.990): versão limitada a 500 unidades para marcar o lançamento adiciona faróis full-LED, painel de instrumentos com Virtual Cockpit de 12,3 polegadas, conexão Android Auto e Apple CarPlay, bancos esportivos e retrovisores externos rebatíveis. A4 Ambiente (R$ 182.990): adiciona rodas de liga leve aro 18", acabamento Audi Sport; navegador por GPS e pacote de luz para climatização interna. Como opcionais, o sedã pode receber câmera traseira para manobras, detector de pedestres, projeção de informações no para-brisa (head-up display), sistema de som Bang & Olufsen e teto-solar elétrico. Olhando a concorrência, temos o BMW 320i (2.0 turbo de 184 cv) a R$ 163.950 na versão Sport e a R$ 174.950 na Sport GP. O Jaguar XE (2.0 turbo de 240 cv) parte de R$ 169.900 na versão XE Pure, indo até R$ 199.900 na R-Sport. Por fim, o Mercedes C180 (1.6 turbo de 156 cv) começa em R$ 144.900 e chega a R$ 157.900 na versão Exclusive.
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Para quem quiser um A4 digamos, mais dinâmico, a Audi vai trazer no segundo semestre a versão Ambition com motor 2.0 turbo ajustado para 255 cv e 37,7 kgfm de torque. E para os fãs das peruas, é claro que a marca não poderia deixar de fora a A4 Avant, que neste caso só terá como rival a Mercedes C Touring. Ah, no futuro também virá o novo S4, com tração Quattro e um 3.0 V6 turbo de 354 cv sob o capô, mas ai já é assunto para outra conversa... Por Daniel Messeder Fotos: autor e divulgação

Ficha Técnica – Audi A4

Motor: dianteiro, longitudinal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.984 cm³, turbo, injeção direta e indireta, gasolina; Potência: 190 cv de 4.200 rpm a 6.000 rpm; Torque: 32,7 kgfm entre 1.450 e 4.200 rpm; Transmissão: câmbio automatizado S-Tronic de dupla embreagem e sete marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e independente multibraço na traseira; Freios: discos nas quatro rodas com ABS e EBD; Rodas: aro 18" com pneus 225/50 R17; Peso: 1.405 kg; Capacidades: porta-malas 480 litros, tanque 54 litros; Dimensões: comprimento 4.726 mm, largura 1.842 mm, altura 1.427 mm, entre-eixos 2.820 mm

Galeria de fotos:

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Foto de: Daniel Messeder