Garagem Moto#2: Honda CB 1000R faz amizade bruta

Na empresa em que minha mãe trabalha tem um pitbull que assusta à primeira vista: o Benjamin é enorme, com aquela cara de mau típica da raça e uma cabeça maior que a minha. Fortão, ele parece que vai te jogar longe só de esbarrar em você. Mas na verdade ele faz amizade fácil, é um bobão. Se entrar bandido lá é capaz que ele abane o rabo e lamba a mão do cara...
Garagem Moto#2: Honda CB 1000R faz amizade bruta
Pois a CB 1000R Barracuda é meio Benjamin: impõe respeito à primeira vista com seu visual musculoso e o motorzão tetracilíndrico, mas não é difícil domá-la - pelo contrário. Típica Honda, ela parece uma velha conhecida em questão de alguns quilômetros. É fácil lidar com seu peso (208 kg), os comandos não exigem força, o câmbio é faca quente na manteiga, os freios são potentes e a suspensão não arrebenta sua coluna nos buracos. No entanto, é preciso respeito: assim como Benjamin, a Barracuda pode ser bruta quando provocada.
Garagem Moto#2: Honda CB 1000R faz amizade bruta
Em outras palavras, dá pra andar numa boa com esta "CBzona" no dia-a-dia. Ela é estreita para bailar entre os carros, o motor não esquenta as pernas e você pode jogar marchas altas com um mínimo de acelerador que ela aceita sem reclamar. Não fosse pelo fascínio que ela exerce sobre outros motociclistas (inclusive os amigos do alheio), eu diria que ela seria uma ótima daily driven para ir ao trabalho e depois na academia.
Garagem Moto#2: Honda CB 1000R faz amizade bruta
Quando instigada, porém (e isso significa levar a barrinha do conta-giros a mais de 10 mil rpm), a Barracuda ganha velocidade de forma brutal, com o 4-cilindros berrando na sua orelha e os 125 cavalos de potência e 10,1 kgfm de torque empurrando como se você tivesse levado um coice nas costas. Não medimos oficialmente, mas ela chega aos 100 km/h em menos de 4 segundos. E, na pista, os 200 km/h também não demoram a aparecer. Cheguei a 230 km/h de painel, mas ela ainda tinha fôlego para mais.
Garagem Moto#2: Honda CB 1000R faz amizade bruta
Como toda naked, a falta de proteção aerodinâmica cobra seu preço em altas velocidades, de modo que não dá para manter um ritmo forte por muito tempo. Outra questão é o consumo: viajando sem forçar muito, a CB 1000R não fez mais que 14 km/l na estrada - o que dá uma autonomia aproximada de apenas 238 km com o tanque de 17 litros.
Garagem Moto#2: Honda CB 1000R faz amizade bruta
Por outro lado, dá para viajar numa boa sem que a moto fique implorando para acelerar: a 120 km/h em sexta marcha, o motor gira a 5 mil rpm e torna o passeio relaxante. Mais uma coisa boa é que sobra conjunto, pois a ciclística é muito boa e os freios (com sistema combinado e ABS) são muito eficientes. Ainda não fiz um trecho de serra bacana com ela, mas esse teste já está nos planos deste GARAGEM. No entanto, nas poucas curvas rápidas que fiz senti confiança total.
Garagem Moto#2: Honda CB 1000R faz amizade bruta
Uma atualizada no projeto, entretanto, viria a calhar: falta controle de tração, os comandos de punho estão com desenho envelhecido e faltam recursos simples como um mostrador de marcha e um computador de bordo no painel. Além disso, o velocímetro no canto esquerdo é muito pequeno e exige costume para ser visualizado rapidamente. Numa naked 1000, por mais Benjamin que ela seja, a velocidade deveria ficar mais evidente. Texto e fotos: Daniel Messeder

Galeria de fotos:

Garagem Moto#2: Honda CB 1000R faz amizade bruta

Foto de: Daniel Messeder