Volta Rápida: Lexus NX 200t "relança" a marca mirando no Evoque

Volta Rápida: Lexus NX 200t "relança" a marca mirando no Evoque
A Lexus está oficialmente no Brasil desde 2012, mas é capaz que você ainda não tenha visto nenhum rodando por aí. Calma, não foi só você: as vendas totais da marca, concentradas em somente duas revendas na capital paulista, foram de apenas 240 unidades durante todo o ano de 2014. Ainda pouco reconhecida na briga contra os alemães e com uma linha que não é das mais recentes, a marca de luxo da Toyota estava à espera de um empurrão. A chegada do crossover NX 200t pode (e deve) mudar essa história. Com design bem trabalhado, muito refinamento e a mira apontada para o Evoque, a Lexus pretende passar das 20 vendas mensais para 100, sendo 80 do NX. Vamos conhecê-lo?

O que é?

Apresentado pela primeira vez no Brasil durante o Salão do Automóvel do ano passado, o NX é um Rav 4 que tomou um banho de loja (na Oscar Freire). Partindo da plataforma do SUV da Toyota, devidamente reforçada e ajustada ao modelo premium, o crossover da Lexus ganhou visual mais agressivo e rico nos detalhes, além de um interior muito mais caprichado, dos materiais utilizados aos equipamentos oferecidos. Também se diferencia pelo conjunto mecânico, que traz um novo motor 2.0 turbo e câmbio automático de seis marchas (o Rav usa um 2.0 ou 2.4 aspirado e câmbio CVT), além da tração integral.
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Uma curiosidade a respeito deste novo 2.0 turbinado é ele usar o ciclo Otto-Atkinson, na verdade um Atkinson simulado pelo comando de válvulas variável com gerenciamento eletrônico. No caso, a ECU faz com que as válvulas de admissão fiquem abertas durante a compressão, fazendo com que esta etapa seja mais curta que a normal. Desta forma, há menos mistura ar-combustível admitida na compressão, com ganhos no consumo de combustível. O desempenho, porém, sai prejudicado - tanto que este ciclo costuma ser utilizado em híbridos, como o Fusion Hybrid. Ou seja, é um tanto estranho encontrá-lo num crossover de pretensões esportivas como o NX 200t.
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A potência de 238 cv, então, pode ser considerada modesta dada a modernidade do motor - o Evoque, surgido em 2012, extrai 240 cv de seu 2.0 turbo. Já o torque de 35,7 kgfm é o mesmo de um Golf GTI, entregue de 1.650 a 4.000 rpm. O que também pode ser considerado conservador diante do rival da Land Rover é o câmbio automático de seis marchas, enquanto o Evoque já usa uma caixa de nove velocidades - ambos com borboletas na direção para trocas manuais.
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Ao entrar no novo Lexus, encontramos uma cabine chique e estilosa. O conjunto de painel e volante salta aos olhos, e os bancos dianteiros com ajustes elétricos são bastante aconchegantes. Nesta versão F-Sport que avaliamos, há couro preto com costura vermelha cobrindo praticamente todas as partes do painel, deixando-as bem macias. No centro do console há uma espécie de mouse pad sensível ao toque (touchpad), que você pode usar para comandar a central multimídia, o sistema de som ou o GPS, por exemplo. O NX F-Sport também vem com uma opção extra no seletor de modos de condução, o Sport + (que aumenta a rigidez dos amortecedores), além de um head-up display com informações do velocímetro, conta-giros e marcha engatada espelhadas no para-brisa bem à frente do motorista.
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As formas mais dinâmicas da carroceria reduziram sensivelmente o espaço interno na comparação ao Rav 4, especialmente no banco traseiro, ainda assim com vantagem sobre o Evoque. Há boa área para as pernas, mas o teto é um tanto baixo, a ponto de minha cabeça raspar no forro do teto-solar panorâmico (tenho 1,78 m). O porta-malas de 480 litros é apenas razoável para o tamanho do carro, mas vem com abertura/fechamento elétrico da tampa.

Como anda?

O Evoque ainda estava fresco na minha memória (tinha dirigido um por alguns dias duas semanas antes) quando cheguei à pista da Fazenda Capuava, no interior paulista, para avaliar o NX 200t. Da última vez que vim aqui andar num SUV esse carro era o Cayenne GTS, o que me fez imaginar o quão esportivo poderia ser o novo Lexus.
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O primeiro contato visual é realmente impactante, pelas formas agressivas da dianteira e traseira. A frente tem uma grade invocada e um conjunto óptico formato por duas peças, o farol principal full LED e um feixe de 80 LEDs para iluminação diurna - tudo com desenho bem arrojado, de linhas vincadas. A traseira faz um espelho da frente, sendo possível enxergar o mesmo formato da grade na tampa do porta-malas, enquanto as lanternas também são rasgadas para as laterais como os faróis. A versão F-Sport adiciona desenho exclusivo para as rodas aro 18", retrovisores na cor preta e grade tipo colmeia, além da pedaleira de alumínio.
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A posição de dirigir é elevada, mas o motorista não chega a ficar nas alturas - o que é bom -, enquanto o volante de três raios é tão bonito de ver quanto bom de pegada. Dá para notar novamente o desenho da grade no formato da parte central do painel, bem como o extremo bom gosto a bordo. Particularmente, achei a cabine mais bacana que a do Evoque, em termos visuais e de ergonomia. Em acabamento eles se equivalem, mas no Lexus os bancos são mais macios, já antecipando o que vamos encontrar ao rodar.
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Dou a partida no motor pelo botão e o silêncio permanece. Ainda que tenha dupla saída de escape, o NX é silencioso que só ele. E não há o esperado empurrão do turbo nas saídas. O novo Lexus ganha velocidade sem dificuldade, mas não empolga, o que me faz crer que os 7,2 s declarados na aceleração de 0 a 100 km/h são um tanto otimistas (aguardaremos nosso teste completo). Para completar, a rodagem é suave mesmo ao usar o modo Sport+ de condução, aquele que aumenta a carga dos amortecedores. Algumas voltas na pista e algumas conclusões: o NX não é um Evoque japonês, como pensei no começo. Pelo contrário, ele ataca numa frente oposta ao Land Rover, oferecendo mais conforto e sofisticação, mas com menos esportividade. Não que dirigir o NX não seja prazeroso, é sim, mas de uma forma menos conectada que no Evoque. O novo Lexus preza pela maciez da suspensão, silêncio a bordo e suavidade nas mudanças de marcha, sem pancadas mesmo nas trocas manuais (ele não aceita reduções com o giro alto). Interessante é o visor central do painel mostrar um gráfico de força G para acelerações, frenagens e curvas, além de um desenho que ilustra o funcionamento do turbo. Destaque também para a direção, bem direta para um SUV, e para a dinâmica até divertida - "atrapalhada" por um ESP zeloso ao extremo. Nas curvas mais fechadas, o NX não sai espalhando a frente como seria esperado. Ele aponta bem a dianteira e a traseira acompanha rápido, com direito a sobre-esterço (aí o ESP trava tudo), como se a tração fosse mais traseira. Não é: o sistema de tração integral do NX prevê 100% da tração nas rodas dianteiras em condições normais, passando até 50% para trás de acordo com a necessidade.
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Nas voltas seguintes vi que não adiantava forçar muito o NX nas curvinhas, ele não nasceu para andar em autódromo. Mas, ao mesmo tempo, ele é muito bom para uma tocada expressa, sem ser agressiva. A carroceria tem inclinação moderada e os freios aguentaram os maus tratos durante horas (com alguns sinais de fading, apenas). Fico na expectativa de dirigi-lo fora da pista, pois ele deve ser uma delícia em nossas ruas de piso lunar.
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Quanto custa?

Como dito no início, caberá ao NX 200t fazer praticamente um relançamento da Lexus no Brasil. Trata-se do produto mais agressivo em termos de mercado nacional até agora para marca. Tanto que a estratégia de venda prevê usar também algumas concessionárias da rede Toyota para os carros da Lexus, além da inauguração de lojas nas principais capitais do país. Com a chegada do crossover e esse novo posicionamento, a empresa espera quintuplicar suas vendas por aqui.
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O preço do NX 200t parte de R$ 216.300 (pouco menos que o Evoque Prestige, de R$ 219.100) já com uma ampla gama de equipamentos de série: três modos de condução (Eco, Comfort e Sport), sistema multimídia com GPS, Bluetooth, DVD player e TV digital, partida por botão, teto-solar, ar digital de duas zonas, faróis full LED, bancos dianteiros com ajuste elétrico e memória, assistente de partida e descida de rampas, tampa do porta-malas com abertura/fechamento elétrico e 10 airbags - sendo dois para os joelhos do motorista e passageiro da frente.
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Passando à versão F-Sport, o preço sobe para R$ 236.900 (brigando com o Evoque Dynamic, de R$ 227.200). O pacote agrega rodas de desenho específico, bancos de couro vermelho e preto, acabamento de aço escovado no painel (em oposição à madeira do modelo "básico"), head-up display e o modo Sport+ de condução com amortecedores reguláveis. Com muito estilo e qualidade, o novo crossover japonês não é tão esportivo quanto aparenta, mas encanta pelo conjunto. Ainda que não tenha volume para rivalizar com o Evoque em números de venda (o Land Rover é disparado o carro de luxo mais vendido do Brasil), a Lexus não podia ter modelo melhor que o NX 200t para começar a aparecer em nossas ruas. Por Daniel Messeder, de Indaiatuba (SP) Fotos Estúdio Malagrine/Divulgação Ficha técnica – Lexus NX 200t F-Sport Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1.998 cm3, injeção direta, turbo e intercooler, gasolina; Potência: 238 cv a 5.600 rpm; Torque: 35,7 kgfm de 1.650 a 4.000 rpm; Transmissão: câmbio automático de seis marchas, tração integral; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e multibraços na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 18 com pneus 235/55 R18; Peso: 1.850 kg; Capacidades: porta-malas 480 litros, tanque 60 litros; Dimensões: comprimento 4.630 mm, largura 1.845 mm, altura 1.645 mm, entreeixos 2.660 mm;

Galeria de fotos:

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Foto de: Daniel Messeder