Avaliação: VW Gol quer se reconectar ao consumidor com novo 1.0 e multimídia

Avaliação: VW Gol quer se reconectar ao consumidor com novo 1.0 e multimídia
A fama costuma cobrar caro: a exposição excessiva dos famosos costuma cansar os seguidores e, mais do que isso, despertar cobiça nos concorrentes. Assim foi com o Gol, que após 27 anos de liderança ininterrupta do mercado brasileiro viu seus dias de glória irem embora enquanto crescia a fama (e as vendas) dos rivais Chevrolet Onix e Hyundai HB20, que sempre deixaram clara sua missão de bater o hatch da Volkswagen.
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A própria VW, aliás, tem culpa no cartório. Deixou o Gol em banho-maria enquanto cuidava do Fox e, mais recentemente, do up!. E o fato é que o Gol envelheceu rápido não só diante da renovada concorrência (inclua aí também o novo Ford Ka), mas mesmo diante dos irmãos. O Fox já tinha ganho painel mais refinado na sua primeira reestilização, em 2009, estreando depois, em 2013, o moderno motor 1.0 3-cilindros. O up! já chegou com esse propulsor em 2014, além de trazer segurança cinco estrelas para o segmento dos compactos. O Gol? Parado no tempo, despencou para além do Top 10 das vendas em alguns meses.
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Num gesto de humildade, a VW do Brasil está reconhecendo seus erros e quer correr atrás do tempo perdido. Para isso, renova o Gol (e também o Voyage) para a linha 2017, atualizando o ex-campeão com o motor tricilíndrico, um leve tapa no visual e um painel que eleva o padrão do modelo, além de oferecer quatro sistemas de som e conectividade (dois rádios e duas centrais multimídia). A intenção é reconectá-lo ao consumidor brasileiro, estratégia que também inclui preços agressivos - cerca de 2,5% mais baratos que antes. Para tirar a prova das novidades, rodamos com a nova série especial Connect 1.0 na cidade, rodovia e até na nossa estradinha de curvas favorita.
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Quem vê o Gol 2017 de fora pode pensar que as mudanças foram superficiais. Nas ruas, realmente foram poucos os que repararam no novo bigode do hatch, uma vez que a frente ficou muito semelhante à anterior, mesmo tendo trocado os faróis, grade, para-lamas e para-choques. Atrás, a mudança é mais evidente: as lanternas cresceram, o vidro passou a ter a base reta e os "ombros" estão mais largos, dando a sensação de carro "bem assentado". Parece pouco, mas, no geral, as alterações do Gol foram mais profundas do que na última reestilização, em 2012. O destaque desta vez é a adoção do motor EA-211 1.0 12V 3-cilindros, além do câmbio de relações mais longas. Por dentro, o painel relembra os bons tempos do Gol "G3", quando o modelo era referência de acabamento no segmento.
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O painel. inclusive, é a primeira coisa que chama atenção ao entrarmos no Gol. Ele ganhou desenho totalmente novo, com linhas mais retilíneas, saídas de ar horizontais e um aplique que divide a peça em duas - de cor azul neste Connect. Fora isso, o quadro de instrumentos teve os relógios do velocímetro e conta-giros aumentado, enquanto o volante passou a ser o do Golf e o console central abriga uma central multimídia - com tela de 6,3" sensível ao toque no caso do carro avaliado. "Virou um Golfinho!", elogiou a proprietária de um Golf 7.
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De fato, o ambiente interno ganhou muitos pontos, elevando o Gol a um dos melhores da categoria neste aspecto - impressão reforçada à noite, com a iluminação em branco e vermelho. Pena a VW ter mantido alguns pecados, como os bancos dianteiros que não acomodam bem o corpo (assento tem pouco apoio para as coxas e o encosto é um tanto reto), sem falar no ajuste de altura com apenas três posições. Regulagem da direção? Nosso carro não tinha, e pra ajustar em altura e profundidade só levando a versão Highline 1.6. Também as laterais de porta mantiveram o acabamento simples, com tampinha para esconder o lugar da manivela do vidro e um porta-objetos que mal cabe uma caixa de lenços, não combinando em nada com o novo painel. Por fim, os pedais seguem deslocados para a direita, como em todos os carros que usam a plataforma PQ24.
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Ao dar a partida, notamos que o motor é mais bem isolado no Gol que no up!, quase não transmitindo vibrações para o volante, banco ou pedais. O câmbio mantém os engates curtinhos e precisos, mas a relação foi toda alongada para aproveitar o maior torque do novo propulsor e reduzir o consumo. Na prática, as duas primeiras marchas são curtas, para dar agilidade nas saídas, ficando mais longas a partir da terceira, quando sentimos o carro mais solto. Uma das características deste 1.0 12V é a força em baixas rotações (10,4 kgfm a 3 mil rpm), no que colabora o comando variável das válvulas de admissão. A potência chega a 82 cv com etanol.
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Comparando com o antigo 1.0 TEC 4-cilindros, a melhora na dirigibilidade aparece em todas as situações. Mesmo com o ar-condicionado ligado, o Gol 1.0 agora acelera e retoma velocidade com mais vigor, além de não ficar pedindo reduções de marcha em qualquer subidinha. Fora que o propulsor tricilíndrico tem um ronquinho gostoso, que anima a dar umas esticadas de marcha de vez em quando. Na estrada, surpreende a suavidade e baixo nível de ruído a 120 km/h, mesmo com o conta-giros a 4 mil rpm em quinta. Como no up! e no Fox, nem parece mil...
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Os números de desempenho da VW, no entanto, nos pareceram um tanto otimistas: aceleração de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos e máxima de 170 km/h, usando etanol - dados a serem comprovados num futuro teste completo. De todo modo, o Gol agradou bastante em uso rodoviário, respondendo bem ao acelerador mesmo em velocidades mais elevadas. Mas o que anima é mesmo o consumo, uma virtude deste propulsor já apreciada no Fox e no up!. Rodando com gasolina, registramos média de 13,4 km/l na cidade e 18,0 km/h na estrada - sem dúvidas um belo argumento de vendas para quem compra um 1.0! E olha que dava para ser até melhor caso a VW tivesse adotado a assistência elétrica da direção, como Fox e up! possuem, que não rouba força do motor.
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Mantendo o antigo sistema hidráulico, o Gol ainda se mostra "pesadão" de dirigir na cidade e nas manobras, especialmente quando comparado aos novos rivais - lembra o Onix neste aspecto. Uma pena, pois ele ainda detém a melhor calibração de suspensão dos compactos da VW, sem precisar de molas tão firmes nem amortecedores com carga elevada como os "altinhos" Fox e up!. Usando rodas aro 15" com pneus 195/55 nesta série Connect, o Gol amortece com competência a maioria dos buracos e contorna curvas com um apetite que poucos concorrentes conseguem acompanhar. Palavra de quem relembrou da (boa) dinâmica do hatch na Estrada dos Romeiros, uma serpente de curvas de todos os raios e inclinações possíveis. Ah, também os freios estão mais fortes agora, com discos de 256 mm (contra 239 mm de antes). Se bem que, particularmente, nunca senti falta de poder de frenagem no Gol.
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Dava para ser melhor? Claro! Coloque o motor 1.0 TSI debaixo desse capô, troque os bancos e ajuste os acabamentos de porta ao novo painel. Daí aposente o velho 1.6 8V das versões mais caras e, pronto, o Gol ainda teria lenha para queimar até 2018, para quando está prevista a estreia da nova geração - saiba mais clicando aqui. Mas a VW sabe que "turbinar" muito o Gol agora vai atrapalhar as vendas do Fox e pode complicar de vez a vida do up!, que tem no motor turbo com injeção direta uma exclusividade na categoria.
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Ao menos a marca alemã foi mais realista na composição dos preços do Gol renovado. Esqueça o valor inicial de R$ 34.890 da versão Trendline básica e olhe para a Trendline com ar-condicionado e central multimídia Composition Touch de 5" (já com Mirrorlink para celular): R$ 39.445. Não que seja barato, mas é pelo menos R$ 2 mil mais em conta que o rival mais próximo - no caso, o Ford Ka SE 1.0.
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Passando para este Gol Connect, trata-se de uma versão limitada aos primeiros três meses de venda. Com motor 1.0, é baseada no Comfortline e sai por R$ 45.190, tendo como atrativo principal a multimídia Discover Media de 6,3", que além do Mirrorlink traz também os sistemas Apple CarPlay e Android Auto. É bacana, sem dúvida, mas extrapola o valor que achamos razoável num Gol 1.0. Na faixa dos R$ 40 mil, porém, ele volta com bons argumentos para a briga. Texto e fotos: Daniel Messeder Ficha Técnica: VW Gol Comfortline 1.0 Motor: dianteiro, transversal, três cilindros em linha, 12 válvulas, comando variável na admissão, 999 cm3, flex; Potência: 75/82 cv a 6.250 rpm; Torque: 9,7/10,4 kgfm a 3.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aro 15" com pneus 195/55 R15; Peso: 998 kg; Capacidades: porta-malas 285 litros, tanque 55 litros;Dimensões: comprimento 3.897 mm, largura 1.656 mm, altura 1.464 mm, entreeixos 2.466 mm

Fotos: Volkswagen Gol 1.0 Connect 2017

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Foto de: Daniel Messeder