AMG na pista: aceleramos os novos Mercedes GT e C63 no Vello Cittá

AMG na pista: aceleramos os novos Mercedes GT e C63 no Vello Cittá
Um convite da AMG para acelerar no autódromo Vello Cittá, em Mogi Guaçu (SP), é sempre bem-vindo. Mas quando você vai esperando encontrar a linha atual da marca e se depara com três lançamentos, a coisa fica ainda melhor. Foi assim que me senti ao chegar no AMG Week e encontrar os novos C63, S63 coupé e o especialíssimo AMG GT - substituto do SLS. Teríamos uma hora de pista para pilotar as novidades e também os demais modelos da casa, como o GLA, o CLA, o SL... todos AMG, claro.
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Enquanto aguardava minha vez de acelerar os lançamentos, aproveitei para conhecer o GLA de 360 cv e também experimentar o CLA endiabrado em pista seca - só havia dirigido o sedã em Interlagos sob chuva. Nos momentos de espera, também foi bonito ouvir o ronco dos bichos rasgando a reta.
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Duas filas foram formadas nos boxes: uma dos 4-cilindros com os 2.0 turbo do A, CLA e GLA; e a outra dos 8-cilindros onde estavam SLK 55, SL 63, S63, S63 coupé, CLS 63 e E 63 - uma verdadeira constelação. Como não havia tempo hábil para experimentar todos, fui logo para o GLA (que obviamente não seria minha primeira opção caso já tivesse andado nele) e saí para a pista. A boa notícia é que o crossover revela pouca diferença na dirigibilidade em relação ao hatch, com apenas um pouquinho mais de rolagem da carroceria nas curvas, mas ainda assim com bastante aderência e um motor de comportamento explosivo para um mero 2.0 4-cilindros.
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O lado negativo continua sendo a transmissão de dupla embreagem e sete marchas com uma programação pra lá de conservadora, que não permite reduções com o giro elevado. Em alguns cotovelos, eu queria uma segunda para contornar de giro médio e a eletrônica simplesmente não deixava, restando a mim fazer a manobra com a terceira marcha "xoxa". Pelo menos o torque em baixa é soberbo (45,9 kgfm a 2.250 rpm) e faz o giro subir rápido, mas numa pista de corrida não convence. Nas ruas o resultado é melhor, como notamos com o A45 AMG.
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Do GLA passei para o CLA e gostei mais. Além de o sedã ser indiscutivelmente o mais invocado da família, sua distribuição de peso o deixa com um pouco menos de tendência a sair de frente que o Classe A. Mesmo com a tração integral, era possível sentir a traseira escorregando nos grampos mais fechados, o que deixava a tocada mais divertida. Pena, de novo, o câmbio frustar um pouco a brincadeira nas reduções. De todo modo o CLA seria, sem dúvidas, o meu escolhido entre os AMG compactos.
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De volta aos boxes, já estava caminhando rumo ao CLS quando o instrutor da Mercedes falou que era minha vez no lançamento do dia: o C 63 AMG. Guardo na memória excelentes lembranças do último C63, especialmente o cupê Black Series - simplesmente o Mercedes mais visceral que tinha dirigido na minha vida, mais até que o SLS. Para os fãs da capacidade cúbica, a má notícia é que o antigo V8 aspirado de 6.2 litros (apesar da sigla 63) deu lugar a um 4.0 V8 biturbo. Mas pode secar suas lágrimas, caro entusiasta, porque o novo motor é derivado daquele que equipa o superesportivo AMG GT, e entrega um murro de 71,4 kgfm de torque numa faixa que vai de 1.750 a 4.500 rpm, enquanto a potência é de não menos impactantes 510 cv a partir de 5.500 giros.
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Como você já sabe do novo Classe C tradicional, o sedã mais vendido da Mercedes encorpou nesta última geração. E isso também fica claro neste AMG, com nada menos que 4,756 metros de comprimento e 1.730 kg totais. O interior é ainda mais espetacular que o do C250, agregando acabamento em fibra de carbono e mais detalhes em aço escovado à já bela cabine do sedã. Construtivamente, a novidade é que o motor fica apoiado sobre coxins dinâmicos que modificam sua rigidez de acordo com as condições de rodagem e estilo de condução, reduzindo as vibrações do conjunto motor-câmbio e ao mesmo tempo melhorando a dirigibilidade quando adota sua regulagem mais rígida.
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O pacote esportivo aplicado pela AMG pode ser facilmente notado pelos para-choques com tomadas de ar mais saradas e as rodas aro 19" pretas com freios dianteiros de material composto e pinças vermelhas nas quatro rodas. Os pneus são de medida 245/35 R19 na frente e 265/35 R19 atrás.
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Os AMG da linha A podem ser divertidos, mas a primeira arrancada no novo C AMG para a entrada na pista já revela que o bicho aqui é muito mais forte, além de bem mais arisco, com sua tração somente traseira (4x4 nos compactos). O motor dá simplesmente um soco no seu estômago quando você crava o pé direito (0 a 100 km/h em 4,0 segundos), enquanto a transmissão automática de sete marchas (convencional) mostra a programação necessária para um carro desses - trocas muito rápidas e reduções não menos violentas, mesmo com giro elevado.
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Somente isso já garante uma tocada mais confiante na pista, já que eu podia frear mais tarde e contar com a redução para segunda marcha antes dos cotovelos - o quais eu estava chegando meio de lado... Com apenas uma volta para desfrutar, nem quis saber: coloquei logo no modo de condução Race, que entrega o máximo de respostas de motor e transmissão, rigidez de suspensão e um ESP mais permissivo. Animal! Nas retas, os 510 cv do C63 S engoliam o asfalto e o ronco do V8 ecoava por todo o autódromo - não perdeu em nada de emoção para o antigo V8 aspirado. Nas curvas, a direção se mostrou rápida e precisa, enquanto a suspensão no modo "rocha" não permitia balanços indesejados. Bastava então controlar a ansiedade de acelerar antes da saída de curva para não brigar muito com a traseira rebelde - ainda que haja um diferencial blocante para melhorar a tração.
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Contar mais do que isso seria inventar história, pois uma volta somente não diz muita coisa sobre um carro. Ficamos então com um tira-gosto delicioso, a ser comprovado num futuro teste completo. E o mesmo vale para o belíssimo AMG GT S, o próximo bólido da lista do dia. Trata-se da arma mais focada da Mercedes já criada para atingir o Porsche 911: um cupê de frente longa e dois lugares posicionados quase em cima do eixo traseiro, onde está a tração. O motor é basicamente o mesmo do C 63, o 4.0 V8 biturdo de 510 cv, só que neste caso com um pouco menos de torque (66,3 kgfm). Chassi e carroceria de alumínio deixam o peso total em 1.645 kg, quase perfeitamente distribuídos (47% dianteira/53% traseira), enquanto o diferencial traseiro tem blocante controlado eletronicamente.
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Para quem tinha acabado de sair do C63 S, confesso que a aceleração, as retomadas e o ronco borbulhante não são muito diferentes, deixando o desempenho em reta muito próximo ao do sedã (a Mercedes fala em 3,8 no 0 a 100 km/h) com a vantagem do câmbio ainda mais veloz nas trocas ascendentes ou descendentes - dupla embreagem e sete marchas com programação de pista. A maior diferença, claro, aparece na tocada. Esqueça a dianteira cumpridona que parece que vai arrastar nas entradas de curva. Ao volante, o GT é ágil e espertíssimo nas manobras, com uma frente leve e muito obediente, que é apontada com facilidade pela direção extremamente rápida e sensível - te cuida, 911!
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Apesar do tempo curto (só uma volta também), o GT S revelou-se visceral e muito recompensador, fazendo o motorista se sentir parte da brincadeira o tempo tempo - já se posicionando como o melhor Mercedes que já dirigi. Que freios! E que traseira rebelde! Deixei o ajuste de condução no modo Race e em praticamente toda saída de curva a cauda escorregava, como deve ser um esportivo de verdade. No último "S" antes dos boxes cheguei a atravessar bonito na pista. Mas foi meio de propósito, só para deixar aquele gostinho de "quero mais".

Preços:

Mercedes C63 S AMG: US$ 209.900 com dólar subsidiado a R$ 2,60 = R$ 545.740 Mercedes AMG GT S: US$ 329.900 com dólar subsidiado a R$ 2,60 = R$ 857.740 Mercedes S63 AMG Coupé: US$ 346.900 com dólar subsidiado a R$ 2,60 = R$ 901.940 Por Daniel Messeder, de Mogi Guaçu (SP) Fotos: Estúdio Malagrine/Divulgação 

Galeria de fotos: novos Mercedes AMG

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Foto de: Daniel Messeder