Voz do dono: novo VW Golf após 10 mil km

A seção Voz do dono traz a seguir o depoimento do leitor Karl Sauer, de Pernambuco, avaliando o comportamento e os pontos positivos e negativos de seu VW Golf DSG. Confira o que ele tem a compartilhar com a gente e mande também a avaliação do seu veículo pelo e-mail contato@carplace.com.br. Em dezembro de 2011, encaminhei ao CARPLACE análise do Renault Fluence Dynamique CVT que eu tinha naquela ápoca. Após mais de dois anos de uma feliz convivência com o sedã da marca francesa, comecei a analisar algumas opções para substituí-lo. Embora saiba que dois anos ainda não é o tempo ideal para trocar de carro, em virtude da maior desvalorização – assumo este meu lado “irracional” -, a paixão pelas quatro rodas costuma bater mais forte! Pois bem, no início de outubro do ano passado, após estudar algumas possibilidades, cheguei a duas opções concretas: o Citroën C4 Lounge e o VW Golf. A primeira avaliação foi realizada com o modelo da marca francesa. O test-drive feito na versão THP foi o suficiente para confirmar as boas expectativas que eu tinha do modelo: ótimo desempenho, muito conforto e uma qualidade construtiva acima da média do segmento. Para finalizar, ele seria o meu quarto sedã consecutivo (além do Fluence, um Logan 1.0 e um Cerato manual haviam passado pela minha garagem). Mas... a concessionária ao lado da Citroën era da VW.
Voz do dono: novo VW Golf após 10 mil km
Havia um novo Golf para test-drive e a grande maioria das minhas dúvidas se encerrou no momento em que tive a oportunidade de dirigi-lo. Naquele mesmo dia, fiz o pedido de um Highline 1.4 TSI DSG, na cor Cinza Limestone, com pacote Elegance de opcionais e rodas Madrid. A previsão de entrega era de até 60 dias. Neste intervalo realizei uma viagem de férias e, no meio dela, a vendedora me ligou com a má notícia: não havia nenhuma perspectiva para a chegada de uma unidade exatamente na configuração que eu havia pedido. Havia, entretanto, já em trânsito, uma unidade na cor branca com o kit Elegance, mas sem as rodas especiais. Como a cor era a minha segunda opção e tendo conseguido vencer a resistência de minha esposa à tonalidade, optei por alterar o pedido. Exatos 37 dias após o pedido inicial, retirei o carro da concessionária no dia 08/11 e hoje, quase sete meses depois, já rodei mais de 10 mil km e tirei algumas conclusões. Vamos lá: CONFORTO/EQUIPAMENTOS/SEGURANÇA
- A versão que adquiri traz ar-condicionado automático dual zone, direção elétrica com comandos integrados, kit multimídia com tela de 5,8”, GPS integrado e conexão USB/iPhone/iPod, sensores de chuva e de luminosidade, piloto automático, keyless, sistema Start/Stop e freio de estacionamento eletrônico. - O computador de bordo oferece todas as informações de que o motorista precisa: consumos instantâneo e médio, autonomia, velocidade real e pressão do óleo. Além disso, há informação a respeito da pressão dos pneus de modo que qualquer alteração é prontamente identificada através de um símbolo no painel de instrumentos e do sinal sonoro.
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- No campo da segurança, são sete airbags (dois frontais, dois laterais, dois de cortina e um para o joelho do motorista), controles eletrônicos de estabilidade e tração e freios ABS. Em velocidades mais elevadas, há uma imensa sensação de proteção. - Há, ainda, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro com visualização gráfica através da tela multimídia (Park Pilot) que facilitam muito o dia-a-dia nas garagens e estacionamentos cada vez menores das grandes cidades. - A densidade da espuma dos bancos oferece firmeza e conforto ideais e a largura dos dianteiros garante um posicionamento perfeito.
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ACABAMENTO/ERGONOMIA - O nível de acabamento é praticamente impecável. Peças sem rebarbas, montadas com extremo cuidado, dão ao habitáculo um aspecto refinado e com padrão claramente superior ao encontrado em seus rivais diretos, bem próximo de modelos premium. A única nota dissonante são as portas traseiras sem plásticos emborrachados, presentes em toda a parte dianteira. - A iluminação por LED nas lâmpadas internas, nos apoios de pés, nas maçanetas, puxadores e frisos das portas dianteiras, além de eficiente, confere ao interior uma sofisticação adicional.
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- Em relação à ergonomia, tudo fica muito bem posicionado e em nenhum momento o motorista precisa desviar o olhar para alterar a regulagem da temperatura do ar condicionado ou o som, por exemplo. O volante multifuncional, de excelente empunhadura, é interativo e permite controlar a maioria das funções do veículo. Encontrar a posição ideal para dirigir é tarefa facílima. - Confeccionados num misto de tecido com uma espécie de veludo, os bancos são bem confortáveis e abraçam todos os passageiros – há regulagem de altura para os dois dianteiros e, para o motorista, regulagem de apoio lombar. O lado negativo é que, por serem cinza, demandam um cuidado maior em relação à limpeza. Para quem veio de dois carros seguidos equipados com bancos de couro e é um tanto paranoico com sujeira interna, é uma preocupação adicional. - O nível de ruído interno é excepcionalmente baixo e não se escutam grilos, algo notável para quem roda em uma cidade tão cheia de buracos e com pistas em péssimo estado de conservação.
ESPAÇO INTERNO - Se o espaço é bom para os passageiros da frente, atrás não adianta imaginar que três pessoas possam desfrutar do mesmo nível de conforto – a altura do túnel central torna praticamente impossível que um adulto viaje de maneira adequada ali. Há, ao menos, a comodidade das saídas de ar condicionado. - Por outro lado, o espaço para as cabeças é mais do que suficiente em todas as áreas.
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MOTORIZAÇÃO - Um dos pontos de destaque do carro é o propulsor 1.4 TSI de 140 cv movido exclusivamente a gasolina – aqui no Nordeste, o etanol não compensa há pelo menos quatro anos. O funcionamento é extremamente suave, silencioso, e ainda agrega aos benefícios do carro um baixíssimo consumo de combustível. Espero que a era do downsizing tenha vindo para ficar.
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CÂMBIO - Automatizado de sete velocidades com dupla embreagem, o câmbio DSG funciona de maneira exemplar. As trocas são rápidas e praticamente imperceptíveis. Uma das principais consequências do excelente casamento entre motor e câmbio é um consumo referencial. - No modo de condução Sport, o carro responde de imediato às pisadas no acelerador. Já no modo Eco as trocas são mais tranquilas e é possível rodar a mais de 100 km/h com rotação entre 2.000 e 2.500 rpm. - Ao mesmo tempo em que é um dos principais pontos positivos do carro, o DSG é também o único ponto negativo mais sério. Em ruas de paralelepípedos e andando em baixa velocidade com a janela aberta, é impossível não ouvir um ruído de algo se desmanchando. Por mais que a VW diga se tratar de uma característica normal do projeto, é desapontador escutar barulho de carro velho em um carro tão refinado. - Além disso, ao passar por obstáculos como remendos de vias o câmbio costuma reduzir uma marcha e a rotação do motor sobe automaticamente. Confesso que dosar esta situação é uma tarefa que me incomoda.
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CONSUMO - Para mim, que rodo cerca de 1.500 km por mês, o baixo consumo é item fundamental na escolha de qualquer carro. E neste ponto, o Golf surpreende. Em circuito urbano, com ar-condicionado ligado pelo menos 80% do tempo, com trânsito moderado e velocidade média entre 25 km/h e 30 km/h, facilmente consigo médias entre 11,5 km/l e 12 km/l. A pior média até agora, de pouco mais de 9 km/l, foi registrada em uma semana de trânsito extremamente pesado. Reforço a importância do funcionamento do Start/Stop para o conjunto - em dias mais quentes e com trânsito mais pesado, entretanto, costumo desativá-lo para evitar o desligamento do ar-condicionado. - Na estrada, somente com minha esposa e eu a bordo, rodando a uma média de 100 km/h e com ar ligado o tempo todo, já atingi média superior a 18 km/l – em um trecho de descida de serra, cheguei a superar os 20 km/l. - No início do mês de maio, em viagem com outro casal e porta-malas cheio, a média foi de pouco mais de 15 km/l rodando em uma rodovia não duplicada e com vários trechos de velocidade reduzida pelo tráfego de treminhões (caminhões imensos que transportam cana-de-açúcar).
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COMPORTAMENTO DINÂMICO - Costumo dizer que o Golf é um verdadeiro "trem", estável em praticamente todas as situações. Contornam-se curvas de maneira deliciosa e com bastante segurança. A direção elétrica, bem direta, completa um conjunto dos mais prazerosos. - Nas saídas, abaixo dos 1.500 rpm, o carro revela uma demora de reação típica de carros turbo, mas como o torque está todo disponível a partir desta rotação, rapidamente o Golf retoma a agilidade. - Para quem estava acostumado com a maciez da suspensão do Fluence, o conjunto tipicamente alemão do Golf traz uma pegada bem mais firme, em que alguns obstáculos das vias são claramente sentidos por quem está dentro do carro. Para complicar, as rodas de 17 polegadas montadas em pneus de perfil baixo contribuem para uma sensação de desconforto acima da média para um consumidor típico de sedãs.
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PORTA-MALAS - Os 313 litros de capacidade são apenas suficientes para o dia-a-dia de um casal sem filhos, e não mais do que razoáveis para uma viagem de fim de semana com outro casal a bordo. Numa compra de mês, geralmente preciso colocar alguma coisa que não coube no porta-malas dentro do carro. Neste ponto sinto saudades do Fluence, notadamente ao pensar que minha esposa e eu planejamos o nosso primeiro filho para breve e sabemos o quanto isso vai demandar de espaço adicional. PÓS-VENDAS - A revisão de 10.000 km, realizada no final de abril, custou R$ 370 e incluiu, além dos itens relacionados no manual de garantia, o alinhamento e o balanceamento. O serviço foi rápido e o carro foi entregue no horário combinado. CONCLUSÃO
Voz do dono: novo VW Golf após 10 mil km
Seis meses podem parecer pouco para se avaliar um modelo, mas podem dar ótimos indicativos de suas virtudes e defeitos. Hoje, passados mais de 10.000 km rodados, minha aprovação ao Golf é próxima de 100%. À exceção da firmeza da suspensão, dos ruídos do câmbio e do porta-malas reduzido, os muitos pontos positivos reforçam a sensação de que fiz uma ótima compra: o carro é gostoso de dirigir, tem padrão de construção alemão, é muitíssimo bem equipado, transpira solidez, é muito econômico e tem um design que, se não é arrebatador, é elegante e deve envelhecer com dignidade. Até mesmo o custo de seguro, tradicional "calcanhar de Aquiles" do modelo, ficou abaixo do imaginado: paguei aproximadamente R$ 2.800, com classe de bônus 8, garagem em casa e no trabalho, casado e sem pessoas abaixo de 25 anos dirigindo o carro. Ou seja, cerca de 3,5% do valor de aquisição, dentro da média de veículos similares. Se alguém me perguntasse hoje se eu o compraria novamente a resposta seria SIM. Apesar do preço elevado – enfim, qual carro no Brasil custa o que deveria custar? -, considero o VW como o hatch médio que oferece o conjunto mais interessante do mercado. Mas atenção: na minha humilde opinião, o custo-benefício só vale até a versão com o primeiro pacote de equipamentos opcionais. Pagar acima de R$ 100 mil em um Golf, como aqueles equipados com o pacote top Premium, é completamente fora da realidade.
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DADOS VW Golf 1.4 Highline DSG + Kit Elegance Ano / modelo: 13/14 Cor: Branco puro KM atual: 10.200 km Importante: Pedimos a gentileza de respeitar a opinião emitida pelo proprietário. Cada um tem sua preferência pessoal e compra um carro de acordo com sua necessidade e bolso. Comentários que ofendam o leitor serão deletados sem aviso prévio.

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Foto de: Thiago Parísio