Em primeira mão: andamos no novo JAC T6, rival do ix35 que chega até o fim do ano

Em primeira mão: andamos no novo JAC T6, rival do ix35 que chega até o fim do ano
Não é todo dia que podemos dirigir um carro que só será lançado daqui a mais de seis meses. Pois esta primazia foi concedida ao CARPLACE, primeiro site do Brasil a experimentar por alguns dias o novo JAC T6, utilitário esportivo da marca chinesa que chega ao mercado brasileiro no terceiro trimestre deste ano. Confira já o que esperar do modelo que colocará a JAC Motors no agitado segmento de SUVs.
Em primeira mão: andamos no novo JAC T6, rival do ix35 que chega até o fim do ano
Visual Quando o T6 chegou à redação do CARPLACE, fui conhecê-lo fazendo um exercício mental de ignorar qual a marca e procedência. A ideia era justamente saber se a JAC havia conseguido criar um design de categoria mundial. E a primeira impressão foi extremamente positiva. O carro é bonito, com visual moderno que carrega uma mescla de influências já consagradas no segmento. Não tem como negar que a lateral remete muito ao coreano Hyundai ix35, principalmente no desenho das janelas e no formato da coluna "C". A traseira exibe lanternas compostas por LEDs, de desenho interessante, mas claramente inspiradas pelo Audi Q5. Até mesmo o corte da tampa do porta-malas, que acompanha o desenho das lanternas, é igual. Na frente, alguns elementos voltam a remeter ao coreano, mas a JAC conseguiu inserir sua identidade de forma convincente. Apesar da mistura de estilos, o resultado é um SUV com linhas harmoniosas, sem distorções.
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As dimensões o colocam entre dois concorrentes. Com comprimento de 4.470 mm, largura de 1.840 mm, altura de 1.670 mm e entre-eixos de 2.645 mm, o JAC T6 deve ocupar um espaço ligeiramente acima do Ford EcoSport (4.240 mm de comprimento) e, apesar de maior, abaixo do ix35 (que tem 4.410 mm). Na prática, o utilitário chinês é muito mais espaçoso do que o modelo da Ford, oferecendo excelente acomodação tanto para quem vai na frente quanto para os ocupantes do banco traseiro. O porta-malas também é amplo, e pode ficar ainda maior após os ajustes para o mercado brasileiro, pois há um vão disponível (e não aproveitado) entre o estepe e tampão.
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Interior Além do bom espaço, o interior do T6 agrada em outros aspectos. Esqueça o couro caramelo nos bancos e portas, pois a tropicalização do modelo adequará estes detalhes ao gosto do brasileiro, ou seja, a cabine terá revestimentos mais escuros. O painel tem desenho moderno, de linhas suaves e sustentado por uma barra de tom metálico que divide a parte superior da inferior. Chama a atenção também a qualidade dos materiais utilizados, superior à dos modelos da marca vendidos aqui, bem como a precisão dos encaixes e o detalhismo dos acabamentos cromados nas saídas de ar. O volante, semelhante ao do Chevrolet Cruze e já presente na linha J, oferece excelente pegada, é revestido de couro e também recebe os detalhes cromados no entorno dos comandos integrados do som. Mas, infelizmente, só ajusta em altura.
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O quadro de instrumentos, de coloração azul e branca, entrega o necessário. O conta-giros e indicador de temperatura do motor ficam no lado esquerdo, enquanto o velocímetro e o indicador do nível de combustível estão no lado direito. A leitura é razoável, mas julgamos necessário um reforço na iluminação para melhorar a visualização durante sol forte. Boa novidade é a presença do computador de bordo, com autonomia, consumo e odômetro parcial - item até então inédito nos modelos da JAC no Brasil.
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Na parte central, há acabamento em black piano no entorno do sistema multimídia, dos comandos do ar-condicionado e na base do console central. Apesar da configuração chinesa, o T6 trazia sistema de som com tela sensível ao toque e conexões Bluetooth (para áudio streaming e celular), entrada USB e navegador por GPS integrado. O ar-condicionado, aqui analógico, deve chegar digital. Durante os dias da avaliação (com temperaturas acima dos 35 graus em São Paulo), a refrigeração da cabine foi eficiente, mas sentimos falta de saídas para o banco traseiro. A ergonomia dos comandos dos vidros elétricos nas portas é correta, sem necessidade de contorcionismos como no primeiro J3. Em resumo, há excelente espaço interno, a qualidade de materiais e montagem está acima dos modelos atuais da JAC e o visual interno agrada.
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Em movimento Há espaço para um futuro botão de ignição do motor, mas por enquanto é preciso girar a chave mesmo. Esta unidade avaliada, que embarcou na China e desembarcou por aqui sem nenhuma alteração, estava equipada com um motor 2.0 Turbo que gera interessantes 177 cv e 24 kgfm de torque, acoplado a um câmbio manual de seis marchas. Porém, este propulsor não está nos planos da JAC para o Brasil, ao menos por enquanto. Por aqui, já está confirmado o 2.0 16V JetFlex aspirado que renderá até 140 cv quando abastecido com etanol. Trata-se de uma evolução do atual propulsor da minivan J6, porém recalibrado e pronto para receber tanto etanol quanto gasolina. 
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Com o 2.0 turbinado, o T6 nem parece que pesa 1.505 kg. A direção elétrica, como esperado, é extremamente leve em baixas rotações (ideal para manobras) e ganha peso gradualmente de acordo com a velocidade. Rodando a 120 km/h, o volante fica bem firme e transmite segurança. A suspensão, do tipo McPherson na dianteira e independente multilink na traseira, também receberá novos ajustes para o Brasil. Do jeito que está, emitiu ruídos ao passar por trechos irregulares, bateu seco em buracos e fez os passageiros balançarem um pouco (principalmente atrás), mas ofereceu boa estabilidade. Mesmo entrando mais forte nas curvas, a condução se manteve segura e firme, apesar da inclinação acentuada da carroceria. Além disso, ainda há o controle de estabilidade. As rodas de alumínio aro 17" são calçadas com pneus 225/60 R17. E os freios a disco nas quatro rodas (com ABS) completam o conjunto na medida.
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Na estrada, o comportamento dinâmico se compara ao de um carro menor. O nível de ruído, também um dos itens a serem melhorados, fica dentro do aceitável, mas um pouco aquém dos concorrentes. Elogiável a posição de dirigir, ajustada manualmente em altura do banco, e a visibilidade em todos os ângulos. O câmbio de seis marchas tem engates parecidos com os do J3, com encaixes bem definidos, mas são secos e por vezes ruidosos - mais um item a ser melhorado pela engenharia brasileira. Por enquanto, a transmissão automática não virá, sendo este um dos aspectos em que a concorrência levará vantagem.
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Evolução rápida O T6 representa a terceira geração de carros da JAC Motors. Em pouco tempo, os chineses estão provando que aprendem rápido e são capazes de fazer um modelo de padrão global, longe de remeter a um produto "xing ling". A intervenção da engenharia brasileira aliada à experiência do presidente da marca no Brasil, Sérgio Habib, aceleram mais este processo. O resultado, que já pode ser visto neste utilitário, é um carro moderno, bem equipado e que atende às necessidades de um consumidor de SUVs urbanos. Fica também a boa perspectiva para os carros brasileiros que serão produzidos em Camaçari (BA).
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Com os ajustes necessários, o T6 tem tudo (menos o câmbio automático, previsto para 2015) para ser um forte concorrente entre os SUVs. Há bom espaço interno, visual agradável (desenvolvido pelo estúdio da JAC em Turin, Itália) e boa dirigibilidade. Ele também deverá ganhar o bordão "completão", a se confirmar o recheio formado por ar-condicionado digital, sistema de som com GPS integrado, bancos de couro, assistente de partida em rampa e descida (HDC e HAC), controle de tração (TCS), direção elétrica, sensores de pressão dos pneus, novas rodas aro 18" e Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, sensor de estacionamento com câmera de ré, entre outros equipamentos.
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E o preço? Bem, o T6 ainda segue em testes pelo Brasil e passa pela chamada tropicalização. Mesmo assim, a JAC adianta que o posicionamento será acima do EcoSport Titanium e abaixo do ix35. Na lista de concorrentes há ainda o velho Tucson e o recém-chegado Tracker. Neste cenário, são esperados valores entre R$ 70 mil e R$ 75 mil, amparados pelo espaço, porte, itens de série e garantia de seis anos. Qualidades o T6 tem, e prova que a China já sabe fazer carros bons e competitivos. Por Fábio Trindade Fotos Rafael Munhoz Agradecimento: Pousada dos Pescadores

Galeria de fotos: JAC T6 (ver em alta resolução)

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Foto de: Fábio Trindade