Garagem CARPLACE#2: Logan 1.0 enfrenta primeiro teste, estrada com a família e apagão

Nascido como solução para famílias de orçamento justo que precisam de espaço, o Logan teve sua primeira prova de fogo neste Garagem CARPLACE: uma viagem com quatro pessoas e um cachorro a bordo, além do porta-malas razoavelmente cheio. Ah, e com esse calor de rachar que está fazendo no verão paulista, fomos com o ar-condicionado ligado o tempo todo. Fizemos um bate-e-volta da capital paulista até a cidade de Vinhedo, distante cerca de 80 km. Os pouco mais de 160 km rodados no total foram suficientes para tirar algumas conclusões. Quem compra um Logan 1.0 sabe que não deve esperar desempenho, mas a primeira boa impressão é que o peso extra da turma e bagagem até que não mudou muito as respostas do carro na cidade. O que "mata" mesmo é o ar-condicionado, que faz o sedã pedir primeira marcha em qualquer subidinha e passagem de quebra-molas.
Garagem CARPLACE#2: Logan 1.0 enfrenta primeiro teste, estrada com a família e apagão
Antes de cair na estrada, uma observação sobre o espaço: o Logan realmente cumpre o que promete em termos de acomodação de pessoas e tralhas. O destaque é o entre-eixos de 2,63 m, digno de carro médio. Mesmo o passageiro mais alto, meu tio que mede 1,90 m, andou no banco de trás sem encostar os joelhos no encosto da frente ou a cabeça no teto. Minha avó também viajou folgada, mas logo reclamou da falta de um lugar para se segurar, uma vez que o sedã não vem com nenhuma alça de mão (o popular "pqp").
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Se levássemos um terceiro ocupante no banco de trás, porém, ele não contaria com cinto de três pontos nem com encosto de cabeça. Na frente, a posição de dirigir é boa e, mesmo com a ausência do ajuste de altura do banco nesta versão, me senti bem acomodado. Já o porta-malas tem capacidade de sobra (510 litros) e as versões mais caras podem ter o encosto do banco rebatido para ampliar o espaço, mas fica devendo uma simples luzinha para arrumar as bagagens e encontrar coisas menores à noite.
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O caminho até Vinhedo, feito pelas bem pavimentadas rodovias Bandeirantes e Anhanguera, não representou grandes desafios ao Logan. Estrada reta, quase sem subidas ou curvas, exigiu mais apenas do motor 1.0 16V. Para manter os 120 km/h permitidos na primeira parte do trajeto, o propulsor trabalha a 4 mil rpm em quinta marcha e o ruído de motor sendo "forçado" invade a cabine, ainda que o novo Logan seja mais bem isolado acusticamente que o modelo anterior. Com o carro cheio, preferi pegar mais leve e mantive a velocidade entre 100 e 110 km/h, situação em que o sedã pareceu mais à vontade. Bastava pintar um aclive, no entanto, para que o ponteiro do velocímetro despencasse e o sedã pedisse redução para quarta marcha - nada diferente da maioria dos 1.0.
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Dias depois, na pista de testes, o Logan confirmaria minhas impressões. Sim, o motor 1.0 tem certa dificuldade de lidar com o porte avantajado do sedã, mas os resultados estão dentro da média. Os números de aceleração e retomada foram praticamente idênticos aos do Gol Track 1.0 que testamos no ano passado - e melhores que os do Uno Way "mil" (veja o comparativo do VW com o Fiat clicando aqui). O Logan cravou 16,7 s de 0 a 100 km/h e 15,0 s de 40 a 100 km/h neste primeiro teste. O melhor resultado, porém, apareceu nas provas de frenagem, com o Renault parando em ótimos 39,4 metros quando vindo a 100 km/h. É uma cifra digna de carros que andam bem mais que este Logan, e uma boa notícia em se tratando de um sedã popular. Voltando à viagem, uma chatice foi ter de abrir os vidros na manivela na hora de pagar o pedágio, e também ter de conferir o pino de todas as portas na parada para o café da manhã. Como já falamos anteriormente, a Renault só oferece travas e vidros elétricos a partir da versão Expression, mais cara. Outra economia desnecessária é a falta da barra estabilizadora dianteira nas versões 1.0, o que deixa a frente do carro mais molenga e suscetível a balanços indesejados nas curvas. Nada, no entanto, que eu tenha notado na estrada, apenas forçando mais na pista de testes. Ainda quero pegar um trecho de serra com o "nosso" Logan para melhor conclusão.
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Com bancos confortáveis e um ar-condicionado eficiente, o Logan proporcionou conforto durante o trajeto. Os pedais macios, o câmbio e a direção leve (embora um tanto lenta) não dão trabalho, enquanto o novo volante melhorou bastante a pegada. A suspensão é macia e mostra boa convivência com os buracos, além de ser silenciosa mesmo sobre pisos ruins. Na chegada ao destino, uma parada no posto serviu para completar o tanque (aberto por uma alavanquinha interna) e conferir o consumo: 10 km/l de etanol, média razoável se considerarmos o carro cheio e o ar ligado.
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Quando tudo parecia que ia acabar bem, entretanto, o Logan apagou. Quando fui ligar o motor para estacionar após descarregar as bagagens, nada... Logo desconfiei de algo errado com a bateria, uma vez que nenhuma luz acendia no painel. Dito e feito: ao abrir o capô (com o "luxo" de ser sustentado por amortecedor!), percebi que o cabo do polo negativo estava praticamente solto. Bastou um reaperto e, pronto, o Logan voltou a funcionar perfeitamente. Provavelmente houve um descuido na revisão de entrega da Renault. Texto e fotos Daniel Messeder Ficha Técnica – Renault Logan 1.0 16V Authentique 2014 Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 999 cm³, flex; Potência: 77/80 cv (gasolina/etanol) a 5.750 rpm; Torque: 10,2/10,5 kgfm a 4.250 rpm; Transmissão: manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: mecânica (hidráulica opcional); Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aro 15 com pneus 185/65 R15; Peso: 1.028 kg; Porta-malas: 510 litros; Tanque 50 litros; Dimensões: comprimento 4.349 mm, largura 1.733 mm, altura 1.529 mm, entre-eixos 2.635 mm Medições CARPLACE Aceleração 0 a 60 km/h: 6,5 s 0 a 80 km/h: 11,0 s 0 a 100 km/h: 16,7 s Retomada 40 a 100 km/h em 3a: 15,0 s 80 a 120 km/h em 4a: N/A Frenagem 100 km/h a 0: 39,4 m 80 km/h a 0: 24,7 m 60 km/h a 0: 13,8 m Consumo Ciclo cidade: N/A Ciclo estrada: 10,0 km/l Números do fabricante Aceleração 0 a 100 km/h: 14,2 s Consumo cidade: 8,1 km/l Consumo estrada: 9,2 km/l Velocidade máxima: 163 km/h

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Foto de: Daniel Messeder