Só IPI mais baixo não adianta: Anfavea já prevê queda de 10% na produção de 2014

Em coletiva realizada nesta segunda-feira (7) em São Paulo, a Anfavea (associação que reúne as principais fabricantes) reviu as projeções do mercado automotivo brasileiro para 2014. E as notícias não são nada boas: com queda de 16,8% na produção e de 7,6% nas vendas durante o primeiro semestre, a entidade já admite que este ano deverá fechar com redução de 10% na produção e 5,4% nos emplacamentos em relação a 2013. Mas isso somente se o segundo semestre for de recuperação. Em que pese o fato de ter havido somente 119 dias úteis nesses seis primeiros meses do ano, o real motivo da queda do mercado está na elevada carga de impostos. Basta lembrar que o governo retomou alguns pontos do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no começo do ano e só não subiu mais alguns pontos agora em julho (como era previsto) porque as vendas estão fracas. Diante de tal cenário, a Anfavea não economizou críticas à política de impostos do atual governo. O presidente da associação, Luiz Moan, defende que uma menor carga tributária acaba compensada pela maior venda de veículos. Moan explica que, durante o tempo em que o IPI foi reduzido, a arrecadação de impostos aumentou.
Só IPI mais baixo não adianta: Anfavea já prevê queda de 10% na produção de 2014
"O mercado brasileiro é artificialmente pequeno por conta da pesada carga de impostos", declarou Moan, que ainda fez questão de mostrar cálculos comparativos com países desenvolvidos, como EUA e alguns participantes da União Europeia. Contando todos os impostos aplicados sobre os veículos, desde a produção até a compra, o resultado pode superar os 54% do valor do bem! Embora não tenha declarado abertamente, a Anfavea só considera o crescimento a longo prazo (para diminuir a relação habitante/carro de seis para três e ficar igual à média argentina) caso haja uma mudança na carga tributária brasileira.
Só IPI mais baixo não adianta: Anfavea já prevê queda de 10% na produção de 2014
Por enquanto, a única esperança é ter um segundo semestre positivo: com 127 dias úteis, mais o tradicional aquecimento da economia na segunda metade do ano, a Anfavea espera aumento de 13,2% na produção e 14,3% nas vendas em relação ao primeiro semestre. E isso para fechar o ano ainda no negativo de 10% na produção (total de 3,339 milhões) e de 5,4% nas vendas (3,564 milhões). Pior mesmo só para as exportações, que deverão encerrar 2014 com redução de 29,1% - resultado amplificado pela resposta negativa de alguns países ao protecionismo da indústria nacional imposto pelo Inovar-Auto. Somados todos os fatores, o mercado brasileiro de automóveis parece estar saturado, ao menos de acordo com as políticas atuais. Mesmo gente de dentro das montadoras garante que a margem de lucro, antes mais favorável, hoje já desceu para níveis bem mais apertados. Para completar, Moan mostrou um estudo sobre como o aumento de peço influi nas vendas: no segmento de carros populares, por exemplo, quando há um aumento de 4,4% no preço do veículo, as vendas recuam nada menos que 11,0%. Ou seja, sem uma mudança na carga tributária, nosso mercado tende a andar de lado (senão para trás) nos próximos anos.

Só IPI mais baixo não adianta: Anfavea já prevê queda de 10% na produção de 2014

Foto de: Daniel Messeder