Teste CARPLACE: MINI Paceman ou Peugeot RCZ, qual seu estilo de cupê?

Teste CARPLACE: MINI Paceman ou Peugeot RCZ, qual seu estilo de cupê?
O leitor mais tradicionalista já deve estar entrando na parte de comentários para reclamar: "Vocês do CARPLACE ficaram loucos, onde já se viu comparar MINI Paceman com Peugeot RCZ?" Nós entendemos a estranheza, afinal, basta olhar os dois carros juntos para notar que eles têm perfil diferente. Pior: o Cooper oferece uma legítima versão cupê, então por que não usamos ela nesta reportagem? Porque nossa ideia era justamente mostrar que, se você quer um cupê esportivo, suas opções não se resumem a um carro baixinho e egoísta, orientado somente para os períodos de lazer. Hoje as montadoras tentam agradar a todo tipo de consumidor, e o leque de opções (ainda bem!) não para de aumentar.
Teste CARPLACE: MINI Paceman ou Peugeot RCZ, qual seu estilo de cupê?
Se Paceman e RCZ divergem no estilo, outras características os colocam em pé de guerra. Para começar, a diferença de preço é de apenas R$ 5.440, o que neste universo ao redor dos R$ 140 mil não é quase nada. Além do mais, com a mesma grana, é muito mais divertido poder escolher entre carros de diferentes categorias, não é mesmo? Paceman S, de R$ 139.950, e RCZ, de R$ 134.490, também usam basicamente o mesmo motor, o 1.6 turbo desenvolvido em parceria pela BMW (controladora da MINI) e a PSA Peugeot Citroën. No MINI ele é um pouco mais apimentado, chegando a 184 cv, enquanto no Peugeot fica nos 165 cv. Ambos usam transmissão automática de seis marchas e contam com tração dianteira - no Paceman a versão All4, de tração integral, sai por R$ 10 mil extras.
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Convencido sobre o motivo deste comparativo? Ainda não? Bom, então considere apenas que os dois foram feitos para divertir. O Paceman é um modelo totalmente novo, que surgiu da ampliação da família MINI em busca de novos clientes. Oficialmente, ele é a versão cupê do Countryman, modelo que inseriu a marca inglesa entre os crossovers compactos. Mas você também pode entender o Paceman como um "Evoquinho", uma vez que a proposta dele se assemelha muito à do "Baby Range Rover" na versão duas portas. Já o RCZ acaba de receber um tapa no visual, para inseri-lo na nova linguagem de design da Peugeot, com grade mais discreta e faróis mais trabalhados internamente. Ambos são verdadeiros ímãs de olhares nas ruas, um pela agressividade e o outro pela irreverência - ainda mais com essas faixas brancas na carroceria e os retrovisores com capinha da bandeira britânica. Multitarefas Talvez por não possuir uma conta bancária que me permita ter um carro de cada tipo, sempre admirei modelos multiuso. Lembro do conceito RSC da Toyota, mostrado no Salão de Chicago em 2001, que unia pela primeira vez a versatilidade de um 4x4 (a plataforma era do Rav4) com a esportividade de um cupê. Pena que a marca japonesa, meio avessa à ousadias, nunca o tenha levado à linha de produção. Anos depois, a Land Rover fez o seu e agora a MINI entra no jogo.
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O tiro foi certeiro: após alguns dias de convivência, o Paceman se tornou meu MINI favorito. Explico: se você me chamar para um track day, obviamente que eu escolheria o Cooper S hatch ou o Coupé, mas a vida não é um eterno parque de diversões. E a real é que, num cotidiano de cidade esburacada, compras de supermercado e família com mulher e cachorro, o Paceman é uma escolha muito mais sensata que o hatch. E quase (eu disse quase) tão divertida quanto. Para começar, tem a suspensão modificada. O Cooper hatch é um tesão de curva, mas na versão S é praticamente impossível andar diariamente em São Paulo, de tão duro que ele é. Sofre o carro e sofre sua coluna. O Paceman, por outro lado, é bem mais adaptado à selva urbana. Não é tão rígido, tem altura do solo elevada e pneus mais borrachudos nas laterais, medidas 225/45 em rodas aro 18". Vai bem em lombadas, rampas de garagem e, ao enfrentar a buraqueira, reclama bem menos que o hatch.
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Depois vem a questão do espaço. Embora traga somente quatro bancos individuais, o Paceman realmente leva quatro ocupantes, enquanto o hatch fica na promessa. Tudo bem que os mais altos terão problemas com os joelhos e a cabeça, mas nada que chegue a inviabilizar uma viagem com os amigos ou colocar uma cadeirinha de bebê no assento traseiro. O porta-malas de 330 litros é equivalente ao de um Golf, ou seja, é suficiente para o dia-a-dia e eventuais esticadas de fim-de-semana.
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Compacto, com apenas 4,11 m de comprimento, o Paceman atua como um coringa. É extremamente ágil na cidade, fácil de estacionar, anda bem postado na estrada e ainda não teme o caminho do sítio se pintar uma estradinha de terra - situação onde que o hatch teria sérios problemas. E, diferente do Contryman, aqui a vivacidade característica dos MINI continua bastante presente. Sim, o Paceman não relega o desempenho e a diversão ao volante para segundo plano. Pelo contrário: os 26,5 kgfm de torque logo a 1.700 kgfm fazem os pneus cantarem bonito nas arrancadas, mesmo com o câmbio automático. O resultado na prova de 0 a 100 km/h, com 7,3 s, é apenas 0,2 s pior do que o último Cooper S hatch que testei.
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A vantagem de 19 cv e 2 kgfm de torque em relação ao RCZ fizeram diferença a favor do Paceman em nossas medições, considerando que eles pesam praticamente a mesma coisa: 1.405 kg do MINI contra 1.411 kg do Peugeot. O RCZ chegou aos 100 km/h em 8,4 s e ficou cerca de 1,0 s atrás nas retomadas, tanto na de 40 a 100 km/h quanto na de 80 a 120 km/h. Apesar disso, ambos se comportam de maneira semelhante (até por conta do motor praticamente igual), com força abundante logo em baixos giros e bastante vivacidade nas saídas e ultrapassagens. Uma característica dos MINIs mais bravos que segue presente no Paceman é a "puxada" do volante para um dos lados quando aceleramos forte, o chamado torque steer. No RCZ essa sensação é bem mais contida.
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Não que falte ao fôlego ao cupê francês, mas fica a sensação (real) de que sobra chassi para o poderio do motor 1.6 turbo. Tanto é que na Europa há uma versão do RCZ com 200 cv e a novíssima R, com pujantes 265 cv extraídos do mesmo 1.6 litro - embora com extensas modificações. A opção pela versão de 165 cv para o Brasil tem a ver com custos, uma vez que a PSA homologou o motor por aqui apenas nesta configuração para o uso em diversos modelos (308, 408, 3008, RCZ e os Citroën C4 Lounge, DS3, DS4 e DS5). Fica a expectativa pela chegada do 208 GTi que, dizem, virá com 200 cv. Daí, homologando esta versão do motor, o RCZ poderia ser importado também na opção mais brava.
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Por enquanto, digamos que dá para se empolgar a bordo do RCZ de "entrada". Você pode argumentar que se trata de um 308 com uma embalagem mais chamativa, mas o cupê vai bem além disso. A calibração de suspensão é específica e, com rodões aro 18" vestindo pneus 235/45 R18, "parece que o carro não vai sair do chão nunca", definiu minha namorada durante uma sequência nervosa de curvas. De fato, o RCZ é bem pregado ao solo, permitindo que se desligue o ESP sem o mínimo receio de dar "cagada". O cupê tem comportamento neutro, com baixa rolagem nas curvas devido ao centro de gravidade lá no pé e à rigidez de molas e amortecedores. A direção, também com acerto mais pesado e firme, cai como uma luva nesse carro, entregando comunicação e precisão em boas doses. Fechando o pacote, ainda contamos com freios competentes (ótimos resultados no teste) e um pedal com sensibilidade decente.
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Na outra mão, o Paceman também não decepciona na hora de encarar sua serrinha preferida. Ele tem suspensão durinha e rodas aro 18" com pneus 225/45, que já garantem bom equilíbrio ao cupê e estabilidade acima de qualquer suspeita. Mas, com o centro de gravidade elevado em relação ao Cooper hatch, você obviamente sente mais o efeito da gravidade nas curvas, com maior inclinação da carroceria e também mais reclamação dos pneus - é o preço a se pagar pela boa distância do solo nos obstáculos. Da mesma forma, o Paceman transfere mais peso para a dianteira em frenagens fortes, não obtendo o mesmo resultado do RCZ nas distâncias de parada - embora a sensação transmitida pelo pedal firme seja bem boa. E a direção elétrica é sublime, com muita rapidez nas respostas, peso na medida e franqueza na conversa com o motorista.
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Ambos seriam ainda melhores se não fosse um vacilo das marcas com as transmissões. E nisso a Peugeot deixa (muito) a desejar por não oferecer borboletas na direção para trocas manuais - coisa que até o 208 com seu antigo câmbio de quatro marchas possui. O MINI traz as hastes atrás do volante, mas complica ao entregar na mesma peça mudanças de marcha para cima junto com as reduções (pelo polegar), tanto na esquerda quanto na direita. Qual o mal de se colocar + na direita e - na esquerda, como todo mundo? Esperamos que a próxima geração do Cooper resolva este mal-entendido.
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O que já mudou no Paceman em relação ao Cooper atual é o posicionamento dos botões dos vidros elétricos, agora na porta, enquanto o velocímetro "cabeça de Mickey" no centro do painel continua lá - no novo Copper ele foi para detrás do volante, com o conta-giros ao lado. Ao menos podemos ter um velocímetro digital no visor dentro do conta-giros, porque ler a velocidade lá no meio do carro significa desviar a atenção do trânsito. Tirando isso, o Paceman traz uma cabine tão "cool" quanto a carroceria, com desenho extrovertido, bancos com ótimo apoio lateral, acabamento caprichado e um show de luzes à noite (você pode escolher entre diversas cores de iluminação para os consoles entre os bancos, tanto dianteiro quanto traseiro). Para fechar a "balada", o sistema de som fornecido pela Harman/Kardon é de alta qualidade e a central de entretenimento (com GPS) é bem completa e fácil de mexer.
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Audiófilos também ficarão felizes com a potência sonora das caixas JBL do RCZ, muito embora o aparelho de som não tenha a mesma fidelidade do rival - eu ainda prefiro ouvir o berro do motor 1.6 turbo em alta! Outros aplausos ficam para os fantásticos bancos dianteiros tipo concha, com ajustes elétricos para um acerto fino da posição de dirigir - lá embaixo, como deve ser num carro dessa estirpe. Volante de boa pegada, com a base reta, e instrumentos bem legíveis (GPS com tela retrátil no alto do painel) complementam a experiência a bordo, mas é um tanto decepcionante ver que o desenho da cabine é quase igual ao 308 - até mesmo a cobertura cromada do trilho do câmbio, que reflete o sol nos olhos do motorista, foi mantida. Ainda que o acabamento seja mais refinado, com o painel todo coberto por couro com costuras aparentes, o RCZ merecia um interior exclusivo, que combinasse com sua personalidade. Quanto ao espaço, este carro é para dois: o banquinho traseiro até existe, mas é só para crianças - e se elas estiverem de castigo. Já o porta-malas de 321 litros é maior que o esperado para um cupê.
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"É um R8?", me pergunta o frentista quando vou abastecer o RCZ. Agradeço o elogio ao "meu carro", mas explico que o Audi na verdade é francês. Andar com esse leão é assim, a gente se sente o rei da selva. Se você quer um cupê que chame atenção e não te deixe na mão na hora de acelerar, o Peugeot é seu número. Mas se a ideia for ter um cupê mais versátil para uso cotidiano, sem abrir mão de um sorriso ao pisar fundo, o Paceman chega para resolver seus problemas. Aliás, como eu queria ter um "problema" desses... Por Daniel Messeder Fotos Rafael Munhoz Ficha técnica - MINI Paceman S Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 1.598 cm3, 16 válvulas, injeção direta e turbo; Potência: 184 cv a 5.500 rpm; Torque: 26,5 kgfm de 1.700 a 4.500 rpm; Transmissão: câmbio automático de seis marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: Independente Mac Pherson na dianteira e multilink na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 18" com pneus 225/45 R18; Peso: 1.405 kg; Porta-malas: 330 litros; Dimensões: comprimento 4.115 mm, largura 1.786 mm, altura 1.522 mm, entreeixos 2.596 mm; Medições CARPLACE Aceleração 0 a 60 km/h: 3,5 s 0 a 80 km/h: 5,1 s 0 a 100 km/h: 7,3 s Retomada 40 a 100 km/h em S: 5,5 s 80 a 120 km/h em S: 5,1 s Frenagem 100 km/h a 0: 40,6 m 80 km/h a 0: 25,3 m 60 km/h a 0: 14,2 m Consumo Ciclo cidade: 8,3 km/l Ciclo estrada: 13,2 km/l Números do fabricante Aceleração 0 a 100 km/h: 7,8 s Consumo cidade: N/D Consumo estrada: N/D Velocidade máxima: 212 km/h Ficha técnica - Peugeot RCZ Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 1.598 cm3, 16 válvulas, injeção direta e turbo; Potência: 165 cv a 6.000 rpm; Torque: 24,5 kgfm a 1.400 rpm; Transmissão: câmbio automático de seis marchas, tração dianteira; Direção: eletro-hidráulica; Suspensão: Independente Mac Pherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 18" com pneus 235/45 R18; Peso: 1.411 kg; Porta-malas: 321 litros; Dimensões: comprimento 4.287 mm, largura 1.845 mm, altura 1.359 mm, entreeixos 2.612 mm; Medições CARPLACE Aceleração 0 a 60 km/h: 3,7 s 0 a 80 km/h: 5,8 s 0 a 100 km/h: 8,4 s Retomada 40 a 100 km/h em S: 6,4 s 80 a 120 km/h em S: 6,0 s Frenagem 100 km/h a 0: 37,2 m 80 km/h a 0: 23,6 m 60 km/h a 0: 13,2 m Consumo Ciclo cidade: 8,1 km/l Ciclo estrada: 13,6 km/l Números do fabricante Aceleração 0 a 100 km/h: 8,4 s Consumo cidade: N/D Consumo estrada: N/D Velocidade máxima: 213 km/h

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Foto de: Daniel Messeder