Track day: aceleramos a nova Yamaha XJ6 com ABS em Interlagos

Quem tem uma naked quatro cilindros gosta de acelerar, não venha me dizer que não! Pois a Yamaha convidou alguns clientes da XJ6 para fazer um curso de pilotagem na pista de Interlagos (SP), ministrado pelo piloto Leandro Mello, conhecido da TV Autoesporte. Sorte nossa que sobraram umas vaguinhas, e a marca dos diapasões estendeu o convite a alguns jornalistas especializados - entre eles, nós do CARPLACE MOTO.
Track day: aceleramos a nova Yamaha XJ6 com ABS em Interlagos
Então, numa segunda-feira típica de inverno, com muito sol e baixa temperatura, chegamos cedinho ao autódromo paulistano. À nossa disposição, as novas XJ6 2014 N (naked) e F (carenada), que ganharam novo grafismo e freios ABS, além da maxiscooter T-Max. Sim, o curso também contemplou proprietários da nova scooter japonesa. Vamos nos concentrar na XJ, mas também contaremos um pouco da experiência de acelerar a T-Max no circuito. Antes de sair dos boxes, uma observação mais atenta revela as novidades da versão especial SP da XJ6 N, que chega junto com a linha 2014. Temos uma exclusiva pintura branca metálica, banco bi-partido, acabamento imitando fibra de carbono nas laterais e uma fina faixa laranja nas proximidades do logotipo com o nome da moto, na rabeta e nas rodas. A série chega por R$ 29.490 na versão básica e R$ 32.590 no modelo com freios ABS, como o avaliado. São exatamente os mesmos preços da XJ6 F, versão carenada que conta com uma pequena proteção aerodinâmica. A XJ6 N de entrada sai por R$ 28.890 e R$ 31.990 com ABS.
Track day: aceleramos a nova Yamaha XJ6 com ABS em Interlagos
A linha 2014 da XJ6 chega num bom momento de mercado para o modelo, que acaba de desbancar a eterna líder Honda Hornet nas vendas durante o primeiro semestre deste ano. Entre as características mais apreciadas da naked da Yamaha estão a facilidade de pilotagem, a agilidade urbana e a boa disposição para estradas. Mas como ela se comporta na pista? Saio pela reta oposta já "enchendo a mão" para acompanhar o instrutor. O motor quatro cilindros de exatas 599 cc gira suave e responde com um ronco agradável, embora discreto, entregando desempenho crescente e linear. Como era minha primeira vez de moto em Interlagos, a meta era aprender o traçado ideal com o professor, me divertir e, claro, voltar com a motoca inteira para os boxes. Para quem está acostumado a andar no circuito de carro, a maior diferença é que a pista parece bem mais larga, dando a impressão de que há mais espaço para erro. Ledo engano...
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Sendo assim, começo a frear antes do que eu consideraria razoável até pegar a manha. Para me ajudar, a XJ6 se revela dócil e super parceria. Os freios (disco duplo na dianteira e simples na traseira) são fortes e consistentes, mas sem aquela "ancorada" repentina, enquanto a suspensão macia não dá pancadas secas. Fora isso, a posição de pilotagem é bastante confortável e a leveza do conjunto (em que pese o chassi de aço) ajuda bastante na tarefa de deitar a moto de um lado para o outro na pista. Conforme as voltas vão passando, pego confiança e começo e explorar mais a XJ6. Daí percebo que o ABS tem atuação suave, de modo que a eletrônica só entra quando alicatamos com força. Passo então a frear mais tarde e acompanhar mais de perto o instrutor. A potência de 77,5 cv pode parecer discreta ao lado da Hornet, com seus 102 cv, mas a entrega dos 6,09 kgfm de torque é bastante constante, sem picos de força. Isso ajuda numa condução limpa e também nas retomadas. O trecho de baixa, do Pinheirinho e Bico de pato, é feito variando entre segunda e terceira marchas. Aqui, destaque para a maciez da embreagem e engates fáceis do câmbio de seis velocidades.
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Chega a subida dos boxes e, aí sim, desejo um pouco mais de potência. Rasgo a reta bem próximo do guard-rail e enfim tenho coragem de levar a aceleração até as placas de frenagem, ainda com um tempinho para ver que o velocímetro digital mostra quase 200 km/h. Faço a freada mais forte e, pela primeira vez, sinto a traseira dar uma balançada - mostrando que os limites normais de uma moto 600 de rua estão chegando. Da mesma forma, passo a inclinar demais e surgem as primeiras raspadas das pedaleiras nas curvas de baixa. A solução? "Incline menos a moto e mais o seu corpo", ensina o instrutor.
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Já totalmente adaptado com a moto e a trajetória do professor (consigo finalmente uma volta mais próximo dele!), a diversão é plena. Impossível não abrir sorrisos idiotas sob o capacete, ou ainda reclamar comigo mesmo de uma curva não tão bem feita quanto na volta anterior. Andamos muito, cheguei a perder a conta de quantas voltas demos, mas certamente foram mais de 20. Respeitando sua vocação urbana, com suspensão macia, a XJ6 aceitou muito bem o track day, mostrando uma pilotagem fácil e segura, avisando sem dar sustos quando os limites dela estão próximos. O ABS era mesmo o que faltava para fazer da naked média da Yamaha uma opção ainda mais certeira para os que estão à procura de sua primeira "moto grande".
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E qual a melhor, a N ou a F? Bom, confesso que visualmente a naked me encanta mais, mas em Interlagos a F se mostrou mais confortável com o passar das voltas, por conta da proteção aerodinâmica. Com menos vento batendo no peito, você cansa menos e fica mais concentrado na pilotagem, sem falar que o modelo carenado é melhor para as viagens na estrada. Scooter na pista Nos intervalos de pista da XJ6, era a vez de os donos da T-Max curtirem a brincadeira. Sim, a maxiscooter da Yamaha tem um motor de 530 cc capaz de bons 46,5 cv e 5,3 kgfm, aliado a uma ciclística quase de moto. Além da aceitar uma inclinação elevada, a T-Max tem uma distribuição de peso interessante, sem tanta massa na traseira como costuma ser nos scooters. Construída sobre um quadro de alumínio e com motor montado no quadro, ela tem baixo centro de gravidade e excelente estabilidade em altas velocidades.
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Por conta do câmbio automático CVT, não temos o auxílio do freio-motor nas reduções antes das curvas. Em compensação, o que não falta é freio para esta maxiscooter (são discos duplos de 267 mm na frente e 282 mm atrás). Acostumado com a XJ6, cheguei a reacelerar na reta dos boxes, de tão forte que eu tinha freado ali na primeira volta com a T-Max.
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As curvas também eram brincadeira de criança. Bastava apontar, inclinar e acompanhar o scooterzão deitando como se fosse um skate no circuito. Nas retas, deu para perceber que o para-brisa é eficiente e a posição de pilotagem se mantém bastante cômoda mesmo quando em pilotagem mais agressiva. O bom é que você pode andar com as pernas esticadas lá na frente ou para baixo, como numa moto comum - o que dá mais equilíbrio em curvas rápidas. Por fim, aplausos também para a saúde do motor bicilíndrico, que mesmo tendo de lidar com a transmissão automática permitia bater os 170 km/h na reta dos boxes! Por Daniel Messeder Fotos autor e Mario Villaescusa Ficha técnica – Yamaha XJ6 N 2014 Motor: quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 599 cm3, injeção eletrônica, comando duplo no cabeçote, refrigeração líquida, gasolina; Potência: 77,5 cv a 10.000 rpm; Torque: 6,09 kgfm a 8.400 rpm; Transmissão: câmbio de seis marchas, transmissão por corrente; Quadro: estrutura tipo diamond frame de aço; Suspensão: garfo telescópico na dianteira (130 mm de curso) e monoamortecida na traseira com ajuste da pré-carga da mola (130 mm de curso); Freios: disco duplo dianteira (298 mm) e disco simples na traseira (245 mm), com ABS opcional; Pneus: 120/70 aro 17 na dianteira e 160/60 aro 17 na traseira; Peso: 191 kg (ABS); Capacidades: tanque 17,3 litros; Dimensões: comprimento 2.120 mm, largura 770 mm, altura 1.085 mm, altura do assento 785 mm, entre-eixos 1.440 mm Galeria de fotos:

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Foto de: Daniel Messeder