Carros para sempre: Ford Verona "inaugurou" a Autolatina

A história do Verona está intimamente ligada ao início da Autolatina. O anúncio da holding Volkswagen/Ford no Brasil aconteceu em 1987, mas a produção de automóveis começou somente em 1989. Em teoria, o objetivo era compartilhar estruturas, obter ganhos de escala e desenvolver projetos em comum para expandir o mercado de ambas as marcas. Apesar de parecer estranho, este tipo de parceria existe até hoje. Como exemplo podemos citar o caso da PSA Peugeot/Citroën, que fabrica no Brasil os modelos 208 e C3 na mesma unidade em Porto Real (RJ). O primeiro projeto da Autolatina atendia pelo codinome Nevada, que posteriormente seria batizado de Verona. A Volkswagen, por sua vez, também teria seu modelo, o Apollo. Ambos eram praticamente iguais no visual, se distinguindo por detalhes como emblemas, grade, frisos e rodas, de modo que o VW tinha apelo mais esportivo e o Ford mais clássico.
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O Verona chegou ao mercado em 1989, junto com o Apollo. Na verdade, era um Escort três volumes em que a traseira saliente foi desenhada exclusivamente para o Brasil. Confortável, o novo sedã da Ford foi era carro mais silencioso do mercado à época. O projeto deu origem apenas ao modelo duas portas em duas versões de acabamento: LX e GLX. A oferta de motores contava com duas opções: 1.6 CHT de 76/77 cv ou 1.8 AP de 91/99 cv, etanol/gasolina, respectivamente. A LX trazia faróis de neblina de série, enquanto a GLX, mais completa, tinha painel de instrumentos com conta-giros, trio elétrico (vidros, travas e retrovisores) e ar-condicionado de série. Teto-solar era opcional.
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Esta primeira geração do Verona foi produzida até o fim de 1992 e vendeu relativamente bem, fazendo mais sucesso que o irmão da VW. Elogiado pelo baixo consumo e custo-benefício, ele sofria com muitas queixas sobre a fragilidade da suspensão.
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A nova geração seria apresentada somente para a linha 93/94, e desta vez o Verona abandonava o projeto exclusivo nacional para se tornar uma versão rebatizada do Ford Orion. Disponível nas versões GL, LX, GLX e Ghia, ele ganhava a frente do Escort MK 5 e configuração de quatro portas. O carro evoluía em conforto e desempenho, porém o visual conservador não agradou e o modelo não repetiu o sucesso da primeira encarnação.
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Sob o capô, os motores 1.8 e 2.0 AP marcavam presença de acordo com a versão. A topo de linha Ghia trazia as duas opções com injeção eletrônica: 1.8i ou 2.0i. Nesta versão, a lista de itens era completa: vidros, antena, retrovisores e travas elétricas, rádio digital com CD Player, rodas de liga leve, bancos com ajuste de altura e lombar, volante com regulagem de altura e distância, ar-condicionado e os raros (na época) freios a disco nas quatro rodas. Bancos revestidos de couro eram opcionais. No ano de 1995 o Verona ganhou uma versão especial "S", que foi vendida até o ano seguinte. Trazia a maioria dos itens da Ghia, acrescidos de faróis de neblina dianteiros e outros itens herdados do Escort XR3, como bancos Recaro, para-choque dianteiro remodelado, grade do radiador fechada, faróis biparábolas, volante, painel de instrumentos e manopla do câmbio.
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Tanto a versão esportiva S quanto a Ghia contavam com o motor 2.0i de 120/122 cv e torque máximo de 17,7/18,4 kgfm. Em testes de revistas da época, a versão Ghia acelerou de 0 a 100 km/h em 11 segundos e alcançou a velocidade máxima de 186 km/h. Um ano depois veio o último facelift, com o novo capô e dianteira do Escort MK6 - que não foi vendido no Brasil. Mas a perda de alguns itens de série, como ar-condicionado e vidros elétricos traseiros, prenunciavam o fim do modelo.
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A decisão de dissolver a Autolatina já havia sido tomada em 1994 e se concretizaria dois anos depois. Os motivos foram os mais diversos, mas um dos principais foi o interesse das marcas em desenvolver seus próprios modelos. As matrizes - tanto da Volkswagen como da Ford - trabalhavam com projetos globais e a Autolatina acaba ficando de fora com produtos defasados, uma vez que não havia possibilidade de compartilhar novas tecnologias. Outra questão foi a abertura do mercado às importações, além das oscilações da moeda. Com o fim da holding ainda em 1996, o Verona, carro que "inaugurou" a Autolatina, saía de linha no Brasil. Poucos meses depois chegava a nova geração do Escort.

Galeria: Ford Verona

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Foto de: Julio Cesar