Um carro novo é sempre melhor que o antecessor?

Oferecer sempre o "pão mais fresquinho" é uma das conhecidas táticas de marketing para manter acesa a vontade de o cliente consumir, seja na padaria ou no mercado de automóveis. Nos dias de hoje, em que a tecnologia se torna obsoleta assim que chega às prateleiras, a busca pelo "novo" e "inédito" está ainda mais exacerbada. E, diante desta nova realidade, os carros estão sofrendo alterações em cada vez menos tempo, tanto em termos de redesenho parcial (o chamado face-lift) quanto de projeto completo. Em média, atualmente cada geração dura oito anos, com uma reestilização de meia vida no quarto ano de mercado. Mas será que o novo modelo é sempre melhor que o que saiu de linha? Vamos a alguns exemplos que deixaram essa dúvida no ar. E, se lembrar de mais alguns, escreva nos comentários! Fiat Marea x Linea O Marea chegou ao Brasil em 1998, pouco tempo depois de estrear na Europa. Derivado da dupla de médios Bravo/Brava, tanto o sedã quanto a perua Weekend figuravam na lista dos melhores carros nacionais da época. Tinham como destaque o motorzão 2.0 20V de cinco cilindros com ronco grosso e o acabamento refinado. Mais tarde, receberiam uma versão turbo com 180 cv e uma 2.4 20V, colecionando fãs até hoje.
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Já o Linea pecou por derivar de um hatch compacto, o Punto, e chegar brigando na seara dos sedãs médios em preço. O motor 1.9 16V também não deu certo, sendo logo substituído pelo E-TorQ 1.8 16V, enquanto o câmbio automatizado Dualogic nunca teve a suavidade oferecida pela transmissão automática do Marea. Com o tempo, o Linea ganhou versões mais baratas e perdeu a topo de linha T-Jet (com motor 1.4 turbo), mas nunca emplacou nas vendas. Ainda aguarda uma reestilização antes da chegada do Viaggio, previsto para 2015.
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Chevrolet Vectra Mk2 x Vectra Mk3 A segunda geração do Vectra "causou" quando chegou ao Brasil, em 1996, somente seis meses após estrear na Europa. O sedã trazia um design arrojadíssimo e bastante aerodinâmico (Cx de 0,28), com destaque para os retrovisores que "brotavam" dos vincos do capô. Tinha motores 2.0 8V e 2.0 16V, depois ampliados para 2.2, e era o primeiro nacional a usar suspensão com sub-chassi na traseira, que ainda trazia configuração multilink.
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Em 2005, entretanto, ele dava lugar ao novo Astra Sedan europeu, aqui batizado de Vectra. O desenho era bonito, embora sem o arrojo do antecessor, mas o acabamento ficava mais simples e a plataforma idem, com eixo de torção na traseira. Equipado com motor 2.0 8V e o (beberrão) 2.4 16V, não fez nem sombra no sucesso (e no status) do modelo anterior, sendo substituído pelo Cruze em 2011.
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Ford Ka Mk1 x Ka Mk2 O primeiro Ka foi um carro à frente do seu tempo. Em 1996, ele já trazia o conceito de sub-compacto que hoje o consumidor europeu tanto procura. No Brasil, porém, carro popular precisa atender à família toda, com maior exigência de espaço interno e um porta-malas ao menos razoável. Pois o Ka original era um perfeito city-car, fácil de dirigir e manobrar, econômico e pequeno para driblar o trânsito. O carrinho chegou ao Brasil em 1997 com motores Endura 1.0 e 1.3, depois trocados pelos Rocam 1.0 e 1.6.
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Na hora de mudar, em 2007, a plataforma foi mantida, mas a Ford ouviu os anseios do consumidor brasileiro e ampliou o hatch para oferecer mais espaço no banco traseiro e para as bagagens. Os motores 1.0 e 1.6 se tornaram flex e mais potentes, porém, os fãs da primeira geração dizem que o novo perdeu a essência do Ka e também parte da diversão ao volante.
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Fiat Palio G3 x Palio G4 O Palio nasceu no Brasil em 1996 e prosseguiu com a mesma plataforma até o fim de 2011, quando enfim pintou um novo modelo de verdade. Só que nesse meio tempo a Fiat foi realizando mudanças na dianteira, traseira e interior do hatch, além de detalhes nas laterais. O Palio evoluiu na chamada "G2" e atingiu o ápice na "G3", com os faróis mais bonitos até então, lanternas brilhantes e o painel de melhor acabamento e desenho.
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Em 2007, porém, a reestilização trazida pelo Palio "G4" não agradou: a frente ganhou faróis mais simples, de parábola única (o G3 tinha dupla), e atrás as lanternas desceram para a base do para-choque, contrariando toda a história do modelo. A Fiat até tentou uma alteração rápida, adotando os faróis duplos que haviam estreados no Siena G4, mas não teve jeito. Tanto é que a versão Fire atual, vendida ao lado do novo Palio, ainda é baseada no antigo modelo G3, e não no G4 como seria na ordem natural das coisas.
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Chevrolet Montana Mk1 x Montana Mk2 A primeira Montana veio no lugar da saudosa picape Corsa tendo como premissa a caçamba maior. Baseada na plataforma do Corsa C, exibia claros avanços em conforto e estabilidade, além do espaço e capacidade de carga. O painel melhorava em acabamento e posição de dirigir, enquanto o motor podia ser 1.8 ou 1.4.
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Mas o tempo passou e a Montana mudou, deixando de ser derivada do Corsa para se tornar irmã do Agile. Resultado: volta da antiga plataforma do Corsa B, sem sub-chassi, acabamento simplificado e posição ao volante prejudicada pela coluna de direção deslocada. Agora, aguarda a recente reestilização do Agile para ganhar uma carinha mais simpática.
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VW Gol G3 x Gol G4 O Gol G3 estreava em 1999 como a melhor safra do campeão de vendas. Trazia faróis de dupla parábola (versões mais completas), tampa traseira lisa com lanternas brilhantes e a cabine mais refinada que o Gol que já teve até hoje - incluindo os G5 e G6. O painel era digno de carro mais caro, com quadro de instrumentos semelhante ao do Golf e ampla forração de tecido nas portas.
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Só que em 2003 chegava o Fox, com a missão de ser uma opção acima do Gol em preço. E a VW não teve dúvidas: na hora de mudar o Gol novamente, em 2005, a geração G4 veio bastante empobrecida, não só no visual externo mas principalmente no interior. O elogiado quadro de instrumentos dava lugar à "capelinha" do Fox da época e o plástico rígido cinza dominava a paisagem. A produção do modelo se encerrará no fim deste ano, e no lugar dele virá o moderninho Up! em 2014.
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Peugeot 206 x 207 Mexer no design vencedor do 206, que revolucionou o segmento dos compactos em sua época, não era uma tarefa fácil. E ficou ainda mais complicada quando a Peugeot decidiu que o 207 brasileiro seria uma versão reestilizada do 206 - e não uma geração totalmente nova, como aconteceu na Europa.
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Acabou que o hatch perdeu parte da harmonia visual, com uma dianteira de faróis maiores e a grade "bocão" em contraste com a traseira tímida, praticamente idêntica à do antecessor. Ou seja, frente e verso não conversavam. Mas ao menos o interior evoluiu na forma e no conteúdo. Este ano, a marca do leão acertou os ponteiros (e o visual) com o moderno 208.
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VW Jetta Mk5 x Jetta Mk6 A atual geração do Jetta, a sexta no mundo e a segunda a vir ao Brasil, foi a primeira a se descolar do Golf em termos visuais e de estrutura. Bem, o desenho perdeu parte da personalidade forte que havia no anterior (o novo tem frente e traseira de outros VW) e o acabamento caprichado deu lugar a materiais mais simples.
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Na parte mecânica, o Jetta se dividiu em dois: ficou melhor para na versão 2.0 TSI, com motor turbo e suspensão multilink, e nem tanto na Comfortline, que ainda traz o velho bloco 2.0 8V e retrocedeu à suspensão traseira por eixo de torção. Nesse caso, haja saudade do Jetta 2.5 cinco cilindros...
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Foto de: Daniel Messeder