Avaliação: cinquentona com tudo em cima, Triumph Bonneville desperta paixões

Montar na Bonneville T100 é fazer uma viagem ao passado. O banco liso e largo, os cromados, a posição de pilotagem, o painel de instrumentos... Estamos no comando de uma moto com mais de 50 anos (só que 0 km!), que marcou gerações e continua despertando paixões até hoje. Pilotar essa clássica inglesa é voltar ao tempo em que capacete era um "coquinho" revestido de couro e os olhos eram protegidos por grandes óculos com elástico. Só que aqui não há lugar para velharias: a Triumph foi atualizando o modelo com o passar dos anos de modo que, hoje, a T100 tem praticamente a ciclística de uma moto atual.
Avaliação: cinquentona com tudo em cima, Triumph Bonneville desperta paixões
A Bonneville é feita para o lazer: ela convida a passeios descompromissados de fim-de-semana, sem destino, sem pressa, só pelo prazer de pilotar e tirar onda - ela chama atenção por onde passa! Confesso que fiquei "caçando" lugares pra ir na semana em que a T100 esteve na minha garagem, e tive de responder perguntas em praticamente todas as paradas. Quem não conhece, acha que se trata de uma relíquia: "Não vai colocar placa preta? Tá super conservada!", veio me falar um senhor dono de uma BMW. Talvez o falso carburador (o motor tem injeção eletrônica) ou o real afogador (sim, você deve puxar a alavanquinha antes de dar a primeira partida do dia) só tenham a função de adicionar nostalgia à Bonneville, mas a tática funciona. Ao contrário da maioria das mulheres, essa inglesa se esforça para aparentar idade: repare na inscrição "Triumph" envelhecida de propósito na parte traseira do banco.
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Cultura retrô à parte, o fato é que a T100 aceita uma pilotagem mais arrojada do que aparenta à primeira vista. O motor bicilíndrico de 865 cc – não é um tradicional tricilíndrico da Triumph - surpreende pela suavidade de trabalho, vibrando menos que o propulsor das BMW F800, por exemplo. Não chega a ser expoente em força, mas, com suficientes 67 cv e 6,9 kgfm de torque, garante 0 a 100 km/h em pouco mais de 5 segundos e velocidade máxima na casa dos 190 km/h. Pode esticar as marchas que a vibração do motor só passa a se fazer presente lá pelas 6 mil rpm. O câmbio de cinco velocidades tem engates fáceis e precisos, ampliando o prazer na pilotagem.
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Freios Nissin e suspensões Kayaba completam o pacote da boa ciclística, deixando o limite de inclinação nas curvas mais por conta das pedaleiras (que raspam facilmente) do que por falta de firmeza do conjunto. Num conhecido trecho sinuoso, a Bonneville transmitiu total confiança para acelerar um pouco mais. Há de se tomar algum cuidado apenas com o peso do conjunto (225 kg), pois ele está concentrado na parte de baixo da moto e quando ela deita, vai de uma vez - nada que não se acostume depois de um tempo. Uma falta sentida é do ABS, não oferecido nem como opcional. Mas os freios funcionam a contento.
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Andando mais rápido, não gostei muito do banco. Liso para não comprometer o visual clássico, ele deixa o corpo escorregar para trás nas saídas mais fortes. Também não traz alça para o garupa, mas ao menos o assento é comprido e largo para levar duas pessoas. A posição de pilotagem favorece os mais baixinhos, com o banco a apenas 77,5 cm do solo. Aliás, um aspecto negativo sobre a ergonomia: as pedaleiras são largas e ficam exatamente no caminho da perna quando vamos apoiar os pés no chão, exigindo algum cuidado para não ficar batendo nelas a cada semáforo vermelho.
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Uso urbano no dia-a-dia, por sinal, não é o forte da Bonneville. Além das pedaleiras largas, que atrapalham nos corredores mais estreitos, a moto é pesada para manobrar em baixas velocidades e a dureza da embreagem se torna um incômodo no trânsito pesado. Fora isso, a suspensão que agrada na estrada é um tanto dura na cidade (principalmente a dianteira) e transfere muito os impactos dos buracos para o piloto. Ao menos o ângulo de esterço é bom e ajuda a desviar dos demais veículos no engarrafamento. Por fim, o consumo é apenas razoável: média de 17,1 km/l durante a avaliação.
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Montada em Manaus (AM) e vendida a R$ 29.900, a Bonneville é o modelo da entrada da Triumph. E, como tal, não faz questão de grandes luxos, trazendo apenas o essencial em termos de equipamentos. Não há, por exemplo, marcador de combustível (apenas a luzinha da reserva), chave para o bocal de abastecimento e nem lampejador do farol alto. Fora isso, a escala do velocímetro é em milhas por hora (em km/h apenas numa escala menor), dificultando uma leitura rápida. Mas, para os apaixonados, isso pode ser mais um ingrediente para lembrar do espírito original dessa inglesa cheia de charme. Por Daniel Messeder Fotos Rafael Munhoz Ficha técnica - Triumph Bonneville T100 Motor: dois cilindros em linha, 8 válvulas, 865 cm3, comando duplo no cabeçote, injeção eletrônica, gasolina, refrigeração a ar; Potência: 67 cv a 7.500 rpm; Torque: 6,9 kgfm a 5.800 rpm; Transmissão: câmbio de cinco marchas, transmissão por corrente; Quadro: berço duplo em tubos de aço; Suspensão: garfo telescópico na dianteira (110 mm de curso) e bi-amortecida ajustável na traseira (124,5 mm de curso); Freios: discos flutuantes duplos na dianteira (120 mm) e disco único na traseira (106 mm); Pneus: 100/90 R19 na dianteira e 130/80 R17 na traseira; Peso: 225 kg; Capacidades: tanque 16 litros; Dimensões: comprimento 2.230 mm, largura 740 mm, altura 1.100 mm, altura do assento 775 mm, entreeixos 1.500 mm

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Foto de: Daniel Messeder