Garagem CARPLACE #3: Peugeot 208 nacional manteve os encantos do modelo francês

Quando vi o Peugeot 208 no Salão de Paris, em 2012, fiquei na dúvida. Já sabendo que o carro seria produzido no Brasil, pensei: será que este padrão de acabamento estará disponível para nosso mercado? Um compacto de visual moderno, com detalhes cromados na dianteira, laterais e também na tampa traseira. Algo mais refinado do que estamos acostumados a receber por aqui. Ao entrar naquela unidade francesa me deparei com um acabamento de primeira, boa qualidade de materiais e encaixes precisos. Mas o que me encantou mesmo foi o desenho do painel. Ousado e moderno, com linhas retas e acabamentos de alumínio nas extremidades. Outra coisa que me agradou bastante foi o volante, de menor dimensão, que torna a direção mais divertida. O quadro de instrumentos acima do volante, algo não trivial, também foi uma jogada muito acertada.
Garagem CARPLACE #3: Peugeot 208 nacional manteve os encantos do modelo francês
Como passamos a maior parte do tempo dentro do carro, considero algumas coisas cruciais. A primeira é o espaço para as pernas, que no caso do 208 é satisfatório e não transmite a sensação de que você está sendo prensado, além de não deixar a perna bater no console. Outro ponto é para o que vamos olhar, e neste quesito o 208 desbanca de longe os concorrentes. Ele consegue, até mesmo nesta versão intermediária, transmitir a sensação do tal acabamento "premium" graças ao quadro de instrumentos e à moderna e muito intuitiva central com GPS e entretenimento. E aqui a questão não é somente "ter uma tela" completa, pois isto pode ser comprado a um preço razoavelmente acessível no mercado paralelo, mas sim o conjunto inteiro da obra e sua integração com o desenho do painel. É o ideal para um carro moderno, e surpreende por estar num compacto na faixa dos R$ 45 mil. Isso sem falar do teto panorâmico de vidro (que não abre) e ocupa praticamente toda a extensão da capota. Estamos mesmo falando de um compacto?
Garagem CARPLACE #3: Peugeot 208 nacional manteve os encantos do modelo francês
Na ocasião do lançamento do novo Citroën C3, havia tido a sensação de que o motor 1.5, o mesmo do 208, havia apresentado uma melhor dinâmica para o compacto. Dirigindo o 208 nestes dias, tive a mesma sensação. Apesar da potência mais baixa que a do 1.6 16V, a impressão é de que este motor é "suficiente" para o modelo. No trânsito, as respostas são ágeis, graças à rápida entrega de torque a até 3.000 rpm, como o Daniel já havia comentado.
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Tive a oportunidade de dirigir cerca de 400 km em estradas pelo interior de São Paulo, o que comprovou a minha teoria. Claro que exigir velocidades mais altas cobra o preço de manter o giro do motor mais alto, o que acaba gerando mais ruído dentro da cabine. No entanto, dentro das velocidades legais, ou seja, até 120 km/h, o 208 1.5 oferece um nível de conforto acústico elogiável, graças também ao bom isolamento aplicado. Apesar de algumas pessoas aqui da redação acharem os engates do câmbio meio molengas e longos, isso não me incomodou. Outro ponto positivo foi o consumo. Rodando somente com etanol, a média na estrada ficou em bons 11,9 km/l com o ar-condicionado ligado em boa parte da viagem. Durante o período, usei o carro cerca de 20% do tempo na cidade, registrando a média 9,4 km/l com o mesmo combustível. Hoje, pelo respeito que a Peugeot teve com o consumidor brasileiro em trazer o basicamente mesmo carro que mostrou em Paris, o 208 se coloca com uma das melhores opções do mercado, principalmente pelos encantos do seu interior. Sim, sei que o New Fiesta 1.5 leva vantagem no conjunto mecânico, mas alguns deslizes e a falta de ousadia da Ford me fariam optar pelo francês. E o mercado? E o que outras pessoas acharam do carro? Bem, isso é assunto para o próximo post. Texto e fotos Fábio Trindade

Garagem CARPLACE #3: Peugeot 208 nacional manteve os encantos do modelo francês

Foto de: Fábio Trindade