Carros para sempre: Volkswagen Brasília - Quem disse que Volks tinha que ser só Fusca

Mais uma novidade no CARPLACE, a seção "Carros para sempre" vai contar um pouco da história de veículos que marcaram época ou tiveram lugar de destaque no cenário automotivo. No capítulo de estreia, confira a VW Brasília. No começo da década de 1970, a Volkswagen brasileira trabalhava no projeto de seu novo carro compacto. Com visual fortemente inspirado no alemão 412 LE (Type 4) e mecânica baseada na do Fusca, o lançamento deveria acontecer logo, pois a Chevrolet já estava com o Chevette quase pronto. Assim nasceu a VW Brasília, apresentado pela primeira vez ao público em 1973 e que a partir daí começou uma história de sucesso até o fim de sua produção, no inicio de 1982.
Carros para sempre: Volkswagen Brasília - Quem disse que Volks tinha que ser só Fusca
A marca alemã precisava de um carro compacto, mas com bom espaço interno. Seus lançamentos anteriores, com exceção do VW Sedan e da Variant, não tiveram vida longa (VW 1600, TL e Karmann Ghia). A Brasília media um pouco menos que o Fusca, porém apresentava melhores soluções técnicas e dirigibilidade superior, além do bom espaço interno que a marca buscava na época.
Carros para sempre: Volkswagen Brasília - Quem disse que Volks tinha que ser só Fusca
O modelo media 4,01 metros do comprimento e 2,40 metros de distância entre-eixos. Além disso, tinha grande área envidraçada, o que contribuía para a boa visibilidade. As rodas aro 14" traziam pneus radiais.
Carros para sempre: Volkswagen Brasília - Quem disse que Volks tinha que ser só Fusca
O interior tinha acabamento simples, mas de boa qualidade, e aspecto bem superior ao do VW Sedan ao utilizar materiais melhores e novos bancos, além de um painel mais atual.
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Inicialmente, a Brasília foi lançada com o motor 1.6 de 60 cv refrigerado a ar de carburação simples montado na parte traseira, que conferia desempenho modesto, mas dentro da média para a época. A marca divulgava aceleração de 0 a 100 km/h em 23 segundos e 135 km/h de velocidade máxima, com consumo rodoviário de até 14,0 km/l.
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Em 1976, a marca resolveu adotar dois carburadores, o que elevou a potência para 65 cv – foi a mecânica predominante até o fim de sua história. O nível de ruído era destaque negativo, sendo que o modelo recebeu melhorias no revestimento acústico ao longo do tempo. Nesse mesmo ano, houve ainda melhorias no acabamento interno. O modelo sofreu uma reestilização na linha 1978, com mudanças nos para-choques (que ganharam proteções laterais de plástico chamadas de pés de pato) e novas lanternas traseiras com frisos. Em 1979 chegava a versão LS, mais refinada, com bancos dianteiros com encosto de cabeça e novo acabamento, inclusive com opção de piso acarpetado.
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Em seguida, o modelo recebeu painel de instrumentos mais moderno, semelhante ao utilizado no Passat, e novos itens de série. O design da Brasília serviu ainda como referência para projeto da Variant II lançada em 1977, mas que devido a questões estratégicas foi descontinuada em 1980, com o projeto da futura Parati já em andamento.
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Nesse período, a Brasília começou a ser exportada para alguns países da América Latina. Em 1980, ganhou uma versão com motor 1.3 movida a etanol, que não emplacou e acabou sendo retirada logo em seguida. Enfrentando a concorrência dos compactos mais modernos (Chevrolet Chevette e Fiat 147) e levando em conta o fato do modelo não ter dado origem a uma família, seu fim era praticamente certo com a chegada do novo projeto da Volks nacional: a família BX, que estrearia com o novíssimo Gol e ainda daria origem a um sedã e uma perua. Lançado em 1980 com o fraco motor 1.3 refrigerado a ar, o Gol ainda permitiria a Brasília ter alguma sobrevida com seu 1.6, mas no final de 1981 a VW lançava o Gol 1.6 e decretava o fim da Brasília após mais de 1 milhão de unidades produzidas.

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Foto de: Julio Cesar