China anuncia: o protecionismo vem por aí

A China anunciou neste fim de semana uma nova legislação para o setor automotivo que prevê o fim do incentivo para o investimento estrangeiro na indústria automotiva e diz que as novas medidas serão aplicadas já no final de Janeiro de 2012. Esta medida é formalmente estabelecida para assegurar o desenvolvimento normal e equilibrado da produção de automóveis na China. A China quer fortalecer os fabricantes locais, que estão ausentes do Top 10 das marcas mais vendidas na China e no Top 20 dos mais comprados. Os líderes chineses estão preocupados com o excesso de capacidade atual de produção de automóveis e no aperto de fabricantes estrangeiros sobre as formas de produção (no caso de joint ventures). Com esta nova lei muito restritiva e obrigatória, o governo chinês quer dar prioridade para os projetos chineses de carros eficientes em termos energéticos.
China anuncia: o protecionismo vem por aí
Dessa lei, espera-se também regular um mercado que cresceu rapidamente em 2008, 2009 e 2010, incluindo um aumento de 32% ao ano nos últimos dois anos, embora a situação seja diferente em 2011, com um crescimento do mercado de apenas 2,56% para os primeiros 11 meses do ano. Atualmente as joint ventures se aproveitam de tarifas reduzidas para a importação de carros novos, mas também sobre as peças não produzidas na China. Mesmo as marcas historicamente estabelecidas na China, como VW Group, GM, Honda, Hyundai, PSA entre outras, serão afetadas pela lei. O Governo afirma ter avisado todos os fabricantes no início deste ano e que isso não pode ser considerado uma surpresa. Os analistas chineses dizem que, até 2015 a capacidade de produção estará entre 34 e 35 milhões de unidades/ano, mas a demanda interna deve se estabilizar em torno de 20 milhões de automóveis/ano na melhor das hipóteses.
China anuncia: o protecionismo vem por aí
Com a nova lei a China espera favorecer os fabricantes como SAIC, FAW, Geely e espera que a quota de mercado dos fabricantes nacionais ultrapasse os atuais 30%. Ainda assim, grupos como GM e Nissan, que esperavam um prazo de 2-3 anos para dobrar sua produção na China devem ter suas previsões revistas. Depois do Brasil, é a vez da China proteger o mercado e a produção de automóveis para manter a sua indústria e seus empregos. Não podemos deixar de mencionar as grandes greves que ocorreram na China nas últimas semanas, especialmente nas unidades das montadoras sul-coreanas e japonesas onde os funcionários exigiram salários mais altos e bônus. A China, workshop de baixo custo do mundo, um fenômeno que poderia chegar ao fim com o aumento do nível de vida dos chineses. Fonte: Blog automobile

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Foto de: Julio Cesar