Guerra do IPI: Decreto do governo pode afetar novos investimentos

A desculpa dada pelo governo federal, de proteger o interesse nacional, para elevar o IPI dos veículos importados pode, caso já não tenha acontecido, atrapalhar a instalação de novas marcas no país. Antes do anúncio, eram dados como praticamente certos investimentos bilionários voltados para a construção de novas fábricas de automóveis e lançamentos de produtos. Agora, o panorama pode mudar uma vez que muitos dos projetos passarão por novas análises. O problema é na verdade a ponta de um “iceberg”. Retomando o protecionismo e elevando o IPI para conter a invasão dos importados o governo deixa de incentivar a competitividade interna. Se por um lado o ministro da fazenda Guido Mantega definiu a iniciativa como forma de frear o crescente consumo que, de acordo com ele, tem sido preenchido com importações e pode acarretar desempregos, também deixou de explicar as razões para manter o regime burocrático, a falta de estrutura e a complexa e pesada carga tributária do país. Na verdade, foi justamente o consumo que gerou perspectivas positivas ao ponto de diversas montadoras anunciarem a construção de suas unidades de montagem no país. As reações foram diversas. Enquanto a Abeiva protestou, a Fiesp deu boas vindas à decisão. O presidente da entidade, Paulo Skaf, chegou a declarar que era necessário aproveitar a decisão do governo para avançar em outras áreas, como desoneração da folha de pagamentos e o combate à guerra fiscal dos portos – que também tira empregos do Brasil. Ademar Cantero, diretor da Anfavea, acredita que a nova regra é a primeira fase para se planejar um programa efetivo de competitividade, inovação e tecnologia para a indústria nacional. O Sindipeças, por outro lado, chama a atenção sobre a necessidade de esclarecer o que é 'conteúdo nacional ou regional' e defende rígida fiscalização de procedimentos que escondem a importação de peças asiáticas, taxadas como produzidas no Mercosul. Mesmo se mostrando atraentes os custos de produção no Brasil ainda são elevados. Por isso muitas montadoras preferem trazer os automóveis de fora. Pior, quando questionado sobre o porquê de excluir das medidas os veículos produzidos no Mercosul e México o governo se defendeu afirmando que acordos biliterais o proibiam de sobretaxá-los. E é aí que está grande parte do problema. As montadoras nacionais é que “importam” modelos vindos destes dois mercados. Ao consumidor, resta a esperança de que a elevação dos valores dos carros importados seja compensada em veículos nacionais com maior conteúdo e preços atrativos. Por Michelle Sá / Fonte: Automotive Business (por Paulo Ricardo Braga)