Barreira na importação de veículos chega a US$ 1 bi em carros parados

A barreira imposta pelo Brasil visando atingir principalmente a Argentina, com o aumento da burocracia de licenciamento obrigatório para importação de veículos ainda vai gerar muita discussão. Segundo estimativas, se o governo utilizar o prazo limite de 60 dias, irá travar o comércio de cerca de 58 mil veículos entre Brasil e Argentina, algo que gira em torno de US$ 1 bilhão em estoque parado nos pátios das montadoras. Rogelio Golfarb, diretor de assuntos governamentais e corporativos da Ford América do Sul e ex-presidente da Anfavea na gestão 2004-2007, alertou: "Esse valor parado tem custo elevado, dos juros que renderia caso estivesse no banco". O executivo destacou que a medida é uma restrição burocrática a mais, pois todos os veículos importados pelo Brasil já precisavam de licenciamento não-automático do Ibama, que confere a conformidade com a legislação local de emissões de poluentes. Mas essas licenças estavam sendo obtidas rapidamente. Já a nova burocracia do MDIC tem grande potencial de emperrar o comércio bilateral de veículos entre os dois países. "Não se sabe quanto tempo cada autorização vai demorar para sair, pode ser um dia ou dois meses. Isso causa grande insegurança e afeta todos os planos de importação e exportação", explicou. Na Ford, o diretor disse que a empresa ainda não experimentou na prática a nova burocracia de importação no MDIC, pois pegou no meio do caminho, ainda no mar, o embarque mais recente de carros da marca feitos na Argentina e enviados para o Brasil. “Já entramos com o pedido, mas não sabemos em quanto tempo teremos a liberação”, acrescentou. Em 2010 a Ford movimentou 60 mil veículos entre suas unidades no Mercosul, somando os Focus e Ranger trazidos da Argentina para o mercado brasileiro e os Ka, Fiesta e EcoSport enviados do Brasil para lá. "Isso demonstra como o comércio bilateral é importante para nossa competitividade na região”, ressaltou Marcos de Oliveira, presidente da Ford Mercosul. “No curto prazo não vemos problemas, mas precisamos de clareza e transparência para direcionar nossas ações". Golfarb admite que as medidas atrapalham substancialmente as operações de diversos fabricantes de veículos em ambos os lados da fronteira. Por isso a estratégia do setor, desde a semana passada, é a de fazer os dois lados negociarem o mais urgentemente possível. Isso deve começar na próxima semana. Após duas horas de conversa na manhã desta terça-feira, 17, entre o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Enio Cordeiro, e a ministra argentina da Indústria, Débora Giorgi, foi pré-agendada uma reunião de dois dias entre os secretários de Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi, e o secretário-executivo do MDIC, Alessandro Teixeira. Fonte: Automotive Business