Mercado brasileiro cresce, mas há motivos para comemoração?

Em 2010, quando o Brasil assumiu o posto de quarto maior mercado mundial de automóveis, muitos preferiram ficar de fora das comemorações. O motivo foi a constatação de que a maioria dos nossos veículos, na realidade, representavam produtos de baixa tecnologia e sem apelo comercial em outros mercados. Não é de agora que se discutem os rumos da indústria automobilística nacional. Há muito já se falava da falta de investimentos no setor e do desinteresse das marcas em ofertarem produtos condizentes com os valores cobrados por eles. Por conta das políticas de incentivo fiscal e de acordos comerciais, as montadoras optaram por "desenvolver" carros pequenos e de baixa motorização, com pouca tecnologia e nada competitivos. “Estamos vivendo a fase das ‘neocarroças", afirma o presidente do conselho de comércio exterior da Fiesp, Rubens Barbosa. “É preciso incentivar o desenvolvimento tecnológico e a competitividade antes que a indústria perca um bom momento para se modernizar”, completa ele. Com a elevação do poder aquisitivo nos últimos anos muitos consumidores tiveram acesso a financiamentos de longo prazo - o que lhes permitiu exigir produtos mais confortáveis, com maior nível tecnológico e design mais sofisticado. “O brasileiro não andava de carro pequeno porque gostava de ficar apertado, e sim porque não podia pagar por um carro maior”, conta José Roberto Ferro, presidente da consultoria especializada Lean Institute. Acostumadas a "empurrar" veículos 1.0 cobrando por eles o equivalente a carros de motorizações maiores a indústria automotiva brasileira deixou de se preparar para atender a esse novo tipo de consumidor: aquele que rejeita os produtos nacionais e que agora tem cacife para pagar por automóveis importados. Esses, mesmo pagando mais impostos ao governo, chegam completos, altamente equipados e ainda custam menos para o bolso do cliente. Por Michelle Sá / Fonte: Revista Exame (por Marcelo Onaga)