O que fazer com a Maybach?

O carro mais opulento que a Daimler AG tem para oferecer aos (muito ricos) consumidores é o Maybach. Contudo, a marca não tem atendido às expectativas do grupo alemão, que deverá decidir seu destino até o fim do ano. Desde seu ressurgimento, no fim dos anos 90, que a Maybach acumula decepções. No ano passado, menos de 200 unidades foram vendidas em todo o mundo. Os resultados negativos obrigaram o presidente da Daimler, Dieter Zestche, a buscar uma solução rápida para o imbróglio. Entre as opções discutidas está uma possível sociedade com a britânica Aston Martin, com quem a alemã já trabalhou. Há pouco tempo, a Aston utilizou a plataforma GL da Mercedes para desenvolver um possível modelo "crossover" chamado Lagonda. Zetsche informou que a empresa tem buscado alternativas e que se unir a uma pequena montadora é apenas uma delas. "Esse sócio forneceria conhecimento essencial para a produção de um volume baixo de automóveis. Operar uma marca com baixo volume de vendas, como a Maybach, exige uma abordagem diferente das estratégias de grandes volumes", admitiu.
O que fazer com a Maybach?
A Daimler autorizou o renascimento do Maybach por conta das investidas de outras duas marcas alemãs - BMW e Volkswagen – que tinham adquirido os direitos da Rolls-Royce e da Bentley, respectivamente. Contudo, a montadora não conseguiu cultivar a mesma fama dos luxuosos britânicos. Enquanto a Rolls-Royce ainda hoje tem sua imagem vinculada à realeza britânica, boa parte da popularidade do Maybach se deve aos cantores de hip-hop dos EUA. "Dá para ver o que é um Rolls-Royce a partir daquele pedaço da Grécia antiga na frente do carro. Um Bentley, um Aston Martin - eles também têm seu visual e pedigree. Mas um Maybach, o que ele diz? Poderia ter sido produzido por qualquer montadora sul-coreana", afirma Garel Rhys, economista especializado em automóveis da Universidade Cardiff (País de Gales). A montadora alemã tem tentado diferenciar o Maybach da Mercedes em outros aspectos. Embora Rolls-Royce e Bentley se beneficiem da utilização de diversas peças de suas montadoras matrizes, as duas preservaram algo importante: seus carros ainda são montados e personalizados nas históricas fábricas inglesas de Goodwood e Crewe, respectivamente. Em contrapartida, o modelo da Daimler é produzido ao lado da fábrica do Mercedes Classe S e não na planta original do Maybach, no Lago de Constança (fronteira sul da Alemanha). Em uma tentativa de compensar as baixas vendas, os executivos da Daimler diminuíram custos de produção do modelo para os tradicionais padrões da Mercedes. Mas, pelo visto, não foi suficiente. Por Michelle Sá / Fonte: The Wall Street Journal (por Vanessa Fuhrmans)

O que fazer com a Maybach?

Foto de: Thiago Parísio