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Podcast Motor1 #331: BYD ameaça gigantes e Toro ganha novas rivais

Avanço das chinesas, ascensão dos carros eletrificados e a disputa aberta pelo território da Fiat Toro

Podcast Motor1.com - Mercado e Rivais da Toro
37:30
Diogo De Oliveira Diogo De Oliveira

O mercado brasileiro de automóveis está mudando em uma velocidade inédita. As marcas chinesas avançam sobre posições antes dominadas por fabricantes tradicionais, os carros elétricos e híbridos batem recordes de vendas e até segmentos construídos praticamente em torno de um único modelo começam a receber novos concorrentes. É esse cenário que abre a nova fase do Podcast Motor1.com Brasil.

Apresentado por Fábio Trindade e Diogo de Oliveira, o programa estreia um formato com mais assuntos, novos quadros e espaço ampliado para análises e opiniões. O primeiro episódio parte dos números de agosto para discutir se o mercado brasileiro realmente virou ou se ainda estamos apenas no início de uma transformação mais profunda.

Primeiras impressões - BYD Song Pro Flex 2027

Primeiras impressões - BYD Song Pro Flex 2027

Foto de: Motor1 Brasil

BYD já ameaça as maiores marcas do Brasil

Os números mais recentes ajudam a dimensionar essa mudança. Agosto terminou com 263.054 automóveis e comerciais leves emplacados no Brasil. Dentro desse universo, a BYD alcançou aproximadamente 24,5 mil unidades e terminou o mês na quarta colocação entre as marcas, apenas 3.003 carros atrás da Chevrolet. A fabricante chinesa deixou Hyundai e Toyota para trás no período.

O resultado chama atenção não apenas pela posição no ranking, mas também pela composição das vendas. Modelos como Dolphin Mini, Dolphin e a família Song transformaram a BYD em uma fabricante com presença relevante em diferentes faixas de preço. De acordo com o balanço da Abeifa, a empresa respondeu por mais de 92% dos emplacamentos das associadas à entidade em agosto, reforçando o peso que conquistou no mercado brasileiro. Entre janeiro e agosto, o Brasil já recebeu mais de 400 mil veículos importados.

A ofensiva não se resume à BYD. A GWM chegou à oitava posição em agosto, superando a Honda, enquanto Geely, Caoa Chery, Omoda Jaecoo, GAC e Caoa Changan também aparecem entre as 20 marcas mais vendidas. Nos SUVs médios, essa mudança ficou ainda mais evidente: sete dos dez modelos mais emplacados no mês eram chineses, com o GWM Haval H6 assumindo a liderança diante do Jeep Compass.

Eletrificados deixam de ocupar apenas um nicho

A transformação também aparece na motorização. Segundo os dados mais recentes levantados pelo InsideEVs Brasil, foram emplacados 64.055 veículos eletrificados em agosto, considerando elétricos, híbridos convencionais, híbridos plug-in e diferentes níveis de eletrificação. Somente os modelos 100% elétricos responderam por 27.166 unidades, novo recorde para o segmento.

O acumulado dos elétricos a bateria chegou a 143.574 unidades entre janeiro e agosto de 2026, volume muito superior às 57.159 unidades registradas durante todo o ano de 2025. BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e Geely EX2 ocuparam as três primeiras posições entre os elétricos mais vendidos, mostrando que a tecnologia começa a ganhar escala principalmente entre os modelos compactos. Veja o ranking completo dos carros elétricos mais vendidos em agosto.

Esse crescimento, porém, não significa necessariamente que o consumidor vá à concessionária decidido a comprar uma tecnologia específica. Em muitos casos, elétricos e híbridos passaram a reunir mais potência, equipamentos e economia de combustível pelo mesmo preço de modelos convencionais. A escolha pode estar menos relacionada ao desejo de ter um carro eletrificado e mais à percepção de que esses veículos passaram a oferecer uma relação custo-benefício mais atraente.

Galeria: Fiat Toro Volcano MHEV flex 2027

Fiat Toro já não está mais sozinha

Outro debate do novo Podcast Motor1 envolve um segmento que também atravessa uma transformação. Lançada em 2016, a Fiat Toro encontrou um espaço entre as picapes compactas, como Strada e Saveiro, e os modelos médios tradicionais, como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10. A proposta combinava caçamba, posição elevada de dirigir e versatilidade com comportamento mais próximo ao de um SUV.

Durante vários anos, a Toro praticamente reinou sozinha nesse território. A chegada de concorrentes como Chevrolet Montana, Ford Maverick e Ram Rampage, porém, ampliou as opções do consumidor. Cada uma interpreta a categoria de uma maneira diferente: a Montana se aproxima das picapes compactas, enquanto Maverick e Rampage disputam compradores em faixas mais altas de preço e desempenho.

A própria Toro passou a oferecer motorização eletrificada na linha 2027. O sistema híbrido leve de 48 volts trabalha em conjunto com o motor 1.3 turbo flex e atua principalmente nas arrancadas e retomadas, reduzindo o atraso das respostas em baixa rotação. Como mostrou o primeiro teste da Fiat Toro híbrida 2027, a tecnologia melhorou a condução urbana, embora não transforme a picape em um híbrido pleno.

Galeria: Volkswagen Tukan Robust e Extreme 2027

Novas picapes aumentarão a pressão

A disputa ficará ainda mais intensa nos próximos anos. Volkswagen, Renault e BYD preparam novas picapes para ocupar diferentes espaços entre os modelos compactos e médios. A Volkswagen Tukan será produzida no Paraná e chegará em 2027, enquanto a Renault desenvolve a Niagara para fabricação na Argentina. A BYD também prepara a Mako, que fará parte da nova fase industrial da marca no Brasil.

Além de ampliar a oferta, essas novidades devem acelerar a eletrificação da categoria. A Fiat já iniciou esse movimento com a Toro MHEV híbrida leve, enquanto a Ford Maverick oferece uma configuração híbrida convencional e a BYD aposta em um conjunto híbrido plug-in. A motorização diesel continuará importante para consumidores que exigem maior capacidade de carga, autonomia e uso fora de estrada, mas deixa de ser a única solução considerada nesse mercado.

Ainda assim, tirar a liderança da Toro não será uma tarefa simples. A Fiat acumulou uma década de presença no segmento, construiu uma extensa rede de concessionárias e oferece versões que atendem desde o comprador interessado em uma picape para uso urbano até quem realmente precisa de tração integral e motor turbodiesel. A pressão dos concorrentes, no entanto, obriga a marca a atualizar produto, preços e tecnologias com mais frequência.

Galeria: BYD Dolphin Mini GS 2026 (BR)

O próximo carro do brasileiro será chinês?

A pergunta que encerra o episódio vai além dos resultados de um único mês. BYD e GWM já avançam com produção nacional, enquanto Geely, GAC, Omoda Jaecoo, Jetour e outras fabricantes ampliam produtos, concessionárias e investimentos no país. À medida que essas empresas passam a produzir localmente e contratar fornecedores, engenheiros e trabalhadores brasileiros, a divisão entre “marca chinesa” e fabricante instalada no Brasil tende a ficar menos relevante.

Foi um processo semelhante ao enfrentado por japonesas e sul-coreanas em outros momentos. Primeiro, as empresas precisaram vencer a desconfiança em relação aos produtos. Depois, construíram rede, pós-venda, produção e reputação. A diferença agora está na velocidade: as fabricantes chinesas conseguem lançar novos modelos e tecnologias em ciclos muito mais curtos, elevando a pressão sobre empresas acostumadas a trabalhar com mudanças mais graduais.

O que você pensa sobre isso?

Podcast Motor1 estreia novos quadros

O novo formato do Podcast Motor1.com Brasil organiza essa discussão em quadros como Giro Motor1, Raio-X do Mercado, Duelo Motor1, Garagem do Futuro e O Cravo do Motor1. Neste último, os participantes precisam fazer previsões sem ficar em cima do muro: a BYD estará entre as três maiores marcas do Brasil em 2027? A Fiat Toro continuará líder das picapes intermediárias? Os híbridos venderão mais que os carros puramente a combustão até 2030?

Assista ao episódio completo, deixe suas respostas nos comentários e acompanhe o canal do Motor1.com Brasil no YouTube para não perder os próximos programas.

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