Primeira volta: dirigimos a BYD Mako, picape híbrida que mira a Fiat Toro
Ainda um protótipo, BYD Mako tem muito do SUV Song Pro e promete incendiar disputa entre picapes
A BYD Mako ainda não foi lançada, não teve ficha técnica divulgada e a unidade apresentada em Interlagos é oficialmente um protótipo. Mesmo assim, a marca chinesa decidiu colocar sua inédita picape híbrida plug-in na pista e o Motor1.com Brasil deu uma primeira volta ao volante do modelo, que será produzido em Camaçari (BA) e chegará ao mercado nos próximos meses para disputar diretamente espaço com a Fiat Toro.
Foi apenas uma volta e, portanto, é cedo para uma avaliação. Porém, a experiência foi suficiente para antecipar algumas características da Mako. A proximidade com o BYD Song Pro vai além da arquitetura e do desenho: ela está no comportamento ao volante, especialmente na forma como o sistema híbrido entrega desempenho e na calibração predominantemente voltada ao asfalto.
A picape mostrada pela BYD ainda guarda outros "segredos". O interior estava parcialmente coberto por adesivos pretos e a fabricante não comenta diversas informações do modelo. Por enquanto, nem mesmo dimensões, capacidade de carga, volume da caçamba ou números de desempenho do conjunto híbrido foram oficialmente anunciados.
Galeria: BYD Mako 2027 acelera no Brasil
Motor elétrico ajuda na saída, mas Mako não é esportiva
A primeira impressão ao acelerar é típica de um híbrido da BYD. A atuação do motor elétrico garante respostas rápidas nas saídas, com torque entregue imediatamente. Não espere, porém, uma picape com acelerações particularmente agressivas em alta rotação.
Conforme a velocidade aumenta, o desempenho passa a ser mais progressivo. A sensação é bastante semelhante à encontrada no Song Pro e diferente daquela entrega mais incisiva de modelos equipados com motores turbo de maior torque. É importante lembrar, porém, que estamos falando de um protótipo e que a BYD ainda não confirmou as especificações mecânicas da versão de produção.
A expectativa é que a Mako compartilhe o sistema híbrido plug-in flex do Song Pro nacional, combinando motor 1.5 aspirado a um propulsor elétrico. No SUV, o conjunto entrega cerca de 219 cv e 30,6 kgfm nas configurações mais recentes. A BYD, porém, ainda não confirmou se esses números serão mantidos na picape, tampouco revelou capacidade de bateria e autonomia da versão de produção.
BYD Mako 2027
Direção é precisa, mas suspensão ainda parece urbana
A direção foi outro ponto que chamou atenção neste primeiro contato. Leve, relativamente direta e com boa precisão, ela combina com a proposta de uma picape que deverá passar boa parte da vida no uso urbano e rodoviário. Mesmo nas curvas de Interlagos, a Mako se mostrou fácil de posicionar e previsível.
A suspensão também reforçou essa impressão de um projeto bastante voltado ao asfalto. Nesta configuração de protótipo, a calibração ainda parece menos preparada para pisos ruins e estradas de terra do que se espera de uma picape destinada ao mercado brasileiro. É justamente um dos pontos que poderão mudar até a chegada do modelo às concessionárias.
Vale reforçar que a volta aconteceu em um ambiente bastante específico: o asfalto de Interlagos está muito distante das condições encontradas em ruas esburacadas ou estradas de terra. Uma análise mais profunda da suspensão, portanto, dependerá de um teste completo no futuro.
Tamanho muito próximo ao da Fiat Toro
A BYD ainda não revelou as dimensões oficiais da Mako. Por isso, aproveitamos a proximidade com o protótipo para fazer medições aproximadas usando o aplicativo de medidas do iPhone. O resultado aponta para cerca de 5 metros de comprimento, colocando a picape muito próxima da Fiat Toro em porte geral.
Visualmente, a relação com o Song Pro é nítida. A dianteira ainda utiliza o estilo do SUV antes da recente reestilização brasileira, enquanto a transformação acontece principalmente da cabine para trás. A Mako tem cabine dupla, caçamba de laterais altas e desenho traseiro próprio.
O mesmo acontece por dentro. Embora boa parte do painel estivesse escondido, foi possível identificar a arquitetura conhecida dos SUVs da BYD, incluindo quadro de instrumentos digital e o grande multimídia central. Ainda não é possível fazer qualquer julgamento sobre materiais e acabamento porque diversos componentes permaneciam cobertos.
BYD Mako 2027
Uma picape feita para o Brasil
Mais do que simplesmente acrescentar uma picape ao catálogo, a Mako ajuda a explicar a velocidade com que a BYD vem adaptando sua operação ao mercado brasileiro. O modelo não é uma picape já existente na China simplesmente importada ou adaptada para o País. Trata-se de um projeto desenvolvido especialmente para o Brasil e outros mercados da América Latina.
Isso ganha importância quando se olha para o segmento em que a fabricante pretende entrar. A Fiat Toro chegou ao mercado brasileiro em 2016 e, uma década depois, continua sendo a principal referência entre as picapes intermediárias. Nesse período, diversas fabricantes tradicionais instaladas no Brasil não desenvolveram concorrentes diretas capazes de confrontá-la em proposta, posicionamento e volume.
A própria Stellantis ampliou sua presença nesse espaço com a Ram Rampage, posicionada em uma faixa superior. Agora, o mercado começa a receber uma nova geração de concorrentes, entre elas a Volkswagen Tukan, já revelada e com lançamento previsto para 2027.
A Mako, por sua vez, está programada para chegar ainda em 2026. A BYD já confirmou que a picape será produzida em Camaçari e terá sistema híbrido plug-in flex, características cruciais para um produto desenvolvido para o mercado brasileiro e que pretende vender alto volume.
Ainda faltam respostas sobre a picape da marca chinesa, especialmente preço, capacidade de carga, volume da caçamba, autonomia, versões e especificações do sistema híbrido. Mas essa primeira volta mostra que o projeto já está bastante avançado e próximo de chegar às ruas.
A Mako também ajuda a entender por que a BYD ganhou espaço tão rapidamente no Brasil. Em vez de apenas trazer produtos concebidos para mercados globais, a fabricante já começa a desenvolver veículos específicos para as demandas locais, com produção nacional e tecnologia adaptada ao uso de etanol.
Se conseguir combinar esses fatores com um preço competitivo, a Mako terá argumentos suficientes para disputar um segmento que há dez anos tem a Fiat Toro como principal referência.
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