História: Chevrolet Prisma foi sedã que não conseguiu substituir o Classic
Primeira geração derivada do Celta tinha um forte rival “em casa” e durou apenas seis anos em produção
Em meio à badalação pelos 50 anos da fábrica da Fiat em Betim, a General Motors também encontrou uma forma de chamar atenção para um marco histórico: a produção de 5 milhões de veículos em sua fábrica de Gravataí (RS), na Região Metropolitana de Porto Alegre. Às margens da famosa Freeway, a unidade gaúcha foi inaugurada em 20 de julho de 2000 para produzir o Celta. Era o projeto Blue Macaw, ou Arara Azul.
Como já contamos essa história aqui, hoje vamos relembrar um modelo produzido em Gravataí que não fez o mesmo sucesso e acabou praticamente esquecido: o Chevrolet Prisma de primeira geração. Foi há exatos 20 anos, em julho de 2006, que José Carlos Pinheiro Neto, então vice-presidente da General Motors do Brasil, revelou que o segundo modelo da fábrica de Gravataí se chamaria Prisma. A apresentação oficial, porém, só aconteceria três meses depois, durante o Salão do Automóvel de São Paulo.
Esse primeiro Prisma era, basicamente, uma versão sedã do Celta. Usava a mesma plataforma GM4200, com entre-eixos de 2,44 m. A maior diferença estava no comprimento total do três-volumes: 4,12 m, ou 38 cm a mais que o hatch.
Aí entra um terceiro personagem nessa história: o velho Corsa Sedan. Produzido em São Caetano do Sul (SP) e em Rosario (Argentina), o modelo fora lançado em 1995 e já havia sido rebatizado como Classic, mas continuava fazendo enorme sucesso. Era, simplesmente, o sedã mais vendido do Brasil, à frente do Fiat Siena e do Ford Fiesta Sedan.
O Renault Clio Sedan aparecia bem atrás no ranking, enquanto o Logan sequer havia chegado ao país. E havia também um Corsa Sedan mais moderno, lançado em 2002, mas que jamais conseguiu fazer sombra ao antecessor.
Pois é... A General Motors, que já fazia o Classic, o sedã mais vendido do Brasil, agora teria o Prisma, um modelo com a mesma plataforma GM4200, o mesmo entre-eixos de 2,44 m e o mesmo tipo de carroceria. E ambos conviveriam no mercado!
O Prisma estreou em duas versões, Joy e Maxx, ambas equipadas com o motor Família I 1.4. Chamado de EconoFlex, tinha duas válvulas por cilindro e rendia 89 cv com gasolina ou 97 cv com álcool.
A ideia inicial era oferecer o Prisma apenas com esse motor 1.4 e deixar o veterano Classic brigando com os sedãs 1.0, como o Siena Fire, ao menos por algum tempo. De quebra, a GM queria marcar bem a diferença do Prisma para o hatch Celta, que tinha o grosso de suas vendas concentrado nas versões "mil".
E, assim, o Prisma chegou ao mercado com preços entre R$ 30 mil (Joy) e R$ 35.940 (Maxx com ar-condicionado). Enquanto isso, o Classic ficava na faixa dos R$ 25.115 (1.0 Life) aos R$ 32.866 (1.6 Spirit).
Na campanha de lançamento, o Prisma era vendido como "o seu primeiro grande carro", na esperança de que o consumidor não o enxergasse apenas como um Celta com traseira saliente, ou um sedã compacto com o mesmo entre-eixos do Classic.
Em boa parte graças à alta taxa de compressão de 12,4:1 e ao baixo peso do carro (905 kg), o desempenho e o consumo eram seus maiores destaques. O carro acelerava de 0 a 100 km/h em 12,5 segundos e alcançava 180 km/h de velocidade máxima, números equivalentes aos do rival Fiesta Sedan 1.6. Na cidade, fazia 10,5 km/l de gasolina sem grande esforço.
A suspensão era extra macia, com aquele acerto conservador típico dos GM. Seu isolamento acústico, porém, não era dos melhores.
Visual era inspirado no Vectra C (derivado do Opel Astra H europeu)
O visual era baseado no primeiro facelift do Celta que, por sua vez, era inspirado nos traços do Vectra III brasileiro (na verdade, o Opel Astra H europeu). Complicado de entender? Digamos que eram linhas modernas, mas um tanto genéricas, cujo maior destaque era um vinco que se estendia das portas traseiras até a tampa do porta-malas.
Painel e volante eram os mesmos do Celta, com alguma diferença na padronagem das forrações. Era um ambiente bem simples, com muito plástico duro. Nesse ponto, o Classic era até mais caprichadinho, com acabamento de tecido nas portas, herança dos anos 90.
Se, por um lado, a versão topo de linha Maxx trazia direção hidráulica de série, por outro o ar-condicionado era opcional. Nem pagando à parte o comprador do Prisma podia ter forrações imitando couro (como as do Fiesta Sedan), banco traseiro bipartido, comandos de som no volante, retrovisores com acionamento elétrico ou computador de bordo.
ABS e airbags no Prisma, nem pensar, apesar de já serem oferecidos como opcionais em alguns rivais. O pouco que a GM oferecia eram rodas de liga leve, travas elétricas e vidros elétricos vendidos como acessórios nas concessionárias.
Em espaço na cabine, o Prisma equivalia ao Classic. Só no porta-malas o novo modelo levava alguma vantagem sobre o irmão mais velho (439 contra 390 litros), mas ainda perdia para os sedãs Fiesta (478 litros) e Siena (500 litros).
Classic não deixava espaço
Em 2007, seu primeiro ano completo de vendas e ainda embalado pela novidade, o Prisma emplacou 54.603 unidades, contra 95.683 do Classic e 88.721 do Siena. Para piorar sua vida, ainda foram lançados o Renault Logan (em junho de 2007) e o novo VW Voyage (setembro de 2008).
Em maio de 2009, o Prisma ganhou uma versão equipada com o motor 1.0 8V VHCE Flex (77/78 cv), o mesmo do Classic e do Celta. Parecia que, enfim, a substituição do velho sedã da GM aconteceria.
Mas, que nada: o Prisma fechou 2010 com 63.091 unidades emplacadas, contra 122.152 do Classic, que se recusava a morrer e continuava a ser o sedã mais vendido do Brasil.
Assim, em 7 de novembro de 2012, o último Prisma de primeira geração foi fabricado em Gravataí. A essa altura, restava apenas a versão LT 1.4. O modelo saiu de linha para abrir espaço ao sedã derivado do Onix, que seria batizado de... Prisma. Seu sucessor trazia uma nova plataforma, a Gamma II, com 8 cm a mais de entre-eixos e porta-malas de 500 litros.
Chevrolet Prisma, o substituto com a base do Onix
Com um total de 326.261 unidades vendidas no Brasil ao longo de seis anos, seria injusto dizer que o primeiro Prisma foi um fracasso de vendas. O modelo ajudou a General Motors a manter-se no “Top 3” do mercado brasileiro numa época em que a matriz, em Detroit, enfrentava a maior crise desde sua fundação.
Mas fato é que o Prisma original jamais alcançou seu principal objetivo: substituir o Classic. O veterano sedã lançado em 1995 teve sua produção em São Caetano do Sul (SP) encerrada em 2013, mas continuou a ser importado da Argentina até setembro de 2016.
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