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História: Fiat Marea foi a classe média da Fiat e não teve vida fácil nem na Europa

Há 30 anos, o sucessor do Tempra chegava às concessionárias do Velho Continente

Fiat Marea (1996-2002)
Foto de: Fiat

Você se lembra do Fiat Marea? Hoje praticamente desaparecido das ruas, o modelo completa 30 anos em 2026. Lançado no segundo semestre de 1996 para o mercado europeu, o sedã — acompanhado da perua Marea Weekend — substituiu o Tempra e também assumiu o papel deixado pelo Croma na gama da Fiat.

Embora nunca tenha alcançado grande destaque na Europa, o Marea teve uma trajetória importante, especialmente no Brasil, onde permaneceu em produção até fevereiro de 2008 e ganhou versões exclusivas de alto desempenho.

Galeria: Fiat Marea (1996-2002)

Base do Bravo, mas com porte de sedã médio

O Marea utilizava a mesma plataforma dos hatches Fiat Bravo e Brava, lançados um ano antes. Até a coluna B, os três modelos compartilhavam diversos componentes estruturais e até mesmo o painel. Para posicioná-lo um degrau acima, porém, a Fiat adotou soluções visuais que aumentavam sua presença. Para-choques maiores elevaram o comprimento para 4,39 metros, enquanto a bitola mais larga contribuía para um visual mais robusto.

Com 1,74 metro de largura, o sedã oferecia bom espaço interno e porta-malas de 430 litros. Já a perua Marea Weekend, com 4,48 metros de comprimento, ganhou identidade própria graças ao para-choque traseiro rebatível herdado do Tempra, recurso que facilitava o acesso ao compartimento de carga de até 1.550 litros.

Fiat Marea (1996-2002)

Fiat Marea (1996-2002)

Foto de: Fiat

Motorização ia do diesel de 75 cv a cinco cilindros

No lançamento, a gama incluía motores a gasolina de quatro válvulas por cilindro e turbodiesel, com potência entre 75 cv e 154 cv.

Um dos destaques era o turbodiesel 2.4 de cinco cilindros, inicialmente com 124 cv, que chamava atenção pelo baixo nível de ruído e autonomia elevada. Segundo testes da época, era possível percorrer cerca de 900 quilômetros com um tanque de 63 litros.

Entre os motores a gasolina, o topo da linha ficava por conta do 2.0 20V de cinco cilindros, que começou com 147 cv e posteriormente evoluiu para 150 cv e 154 cv, destacando-se pelo funcionamento suave e pelo ronco característico.

Um dos primeiros Fiat com diesel common-rail

Em 1999, o Marea passou por uma importante atualização mecânica com a chegada dos motores JTD, equipados com injeção direta common-rail — tecnologia que posteriormente se tornaria padrão entre os motores a diesel.

O 1.9 JTD desenvolvia inicialmente 105 cv, passando para 110 cv em 2000. Já o 2.4 JTD entregava 130 cv, alcançando velocidade máxima de 197 km/h, acelerando de 0 a 100 km/h em cerca de 10 segundos e registrando consumo médio de 6,7 l/100 km.

Fiat Marea (1996-2002)

Fiat Marea (1996-2002)

Foto de: Fiat

Pioneiro também no gás natural

Outra novidade importante surgiu no Salão de Frankfurt de 1997 com o lançamento do Marea Bipower, uma das primeiras iniciativas da Fiat em veículos movidos a gás natural comprimido (GNV/CNG), opção que nunca veio para o Brasil.

Baseado no motor 1.6 16V de 103 cv, o modelo podia funcionar tanto com gasolina quanto com gás natural. A potência caía apenas cerca de 10% quando abastecido com GNV, enquanto as emissões de CO₂ eram reduzidas em aproximadamente 25%. Na época, porém, a infraestrutura limitada de postos de abastecimento impediu uma adoção maior da tecnologia.

Fiat Marea (1996-2002)

Fiat Marea (1996-2002)

Foto de: Fiat

Atualizações e versões especiais

Durante sua carreira, o Marea recebeu duas reestilizações. A primeira, em 1999, trouxe materiais internos de melhor qualidade, acabamento mais refinado e painel em tom grafite. No fim de 2000, o modelo passou a adotar o novo logotipo circular da Fiat, além de pequenas alterações visuais e adequações às normas de emissões.

Além das versões convencionais, o Marea também deu origem a variantes curiosas. A polícia italiana utilizou o modelo em sua frota, enquanto a perua originou o utilitário Fiat Marengo, voltado ao transporte de carga. Outra adaptação inusitada foi criada para servir como táxi na ilha de Capri. A carroceria do sedã foi alongada em 70 centímetros, abrindo espaço para dois bancos extras na parte traseira.

Galeria: Carros para sempre: Fiat Marea, um dos melhores nacionais da época, terminou quase esquecido

Produção brasileira foi até 2008

Na Europa, a produção do sedã terminou no início de 2002, enquanto a perua saiu de linha no fim daquele ano, dando lugar ao Fiat Stilo Multiwagon.

O que você pensa sobre isso?

No Brasil, entretanto, a história foi bem mais longa. Fabricado até fevereiro de 2008, o Marea recebeu modificações exclusivas para o mercado nacional, incluindo a traseira inspirada no Lancia Lybra e versões esportivas equipadas com o conhecido motor 2.0 20V Turbo, que chegava a 182 cv.

Na Turquia, o modelo também continuou sendo produzido sob licença pela Tofaş até o fim de 2007. Ao todo, mais de 900 mil unidades do Fiat Marea e de seus derivados foram produzidas entre 1996 e 2007. Para muitos brasileiros, o sedã ficou marcado tanto pelo desempenho de suas versões cinco cilindros quanto pela fama controversa relacionada aos custos de manutenção, tornando-se um dos modelos mais emblemáticos da Fiat no país.

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