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Nova Toro híbrida 2027: Fiat tentou economizar combustível, mas resolveu outro problema

Agora com eletrificação leve de 48 volts, como no Jeep Renegade, picape ficou melhor para andar

Fiat Toro 1.3 T270 Ultra MHEV Flex 2027
09:15

Vamos combinar, um sistema híbrido leve não vai resolver grandes coisas quando o assunto é melhorar a economia de combustível e as emissões de poluentes. Mas há jeitos e jeitos de se implementar essa tecnologia. Com a linha 2027, a Fiat Toro recebeu o sistema de 48 volts do Jeep Renegade. Ainda é um híbrido leve, mas ajuda mais que os de 12 volts encontrados nos carros da Fiat e da Peugeot.

A questão é que a Fiat oferece esse novo sistema apenas nas versões Volcano flex de R$ 197.490 (antes R$ 192.490) e Ultra flex de R$ 206.490 (era R$ 202.490). Restringir a oferta do sistema híbrido leve a duas versões também diminui o impacto de redução das emissões, mas quem compra as versões de entrada tem pavor de novas tecnologias. Ao menos foi o que eu entendi no discurso da Fiat. Mas, depois de ter andado - pouco - numa Toro Ultra MHEV flex 2027, acabei vendo que a marca mirou na eficiência, mas acertou outra coisa.

 

O híbrido é de leve

Nesse sistema de 48 volts, o alternador sai de cena em favor de um motor/gerador acionado por correia, que faz o papel de carregar as baterias, motor de partida e auxílio na propulsão, sistema conhecido pela sigla BSG (Belt Starter Generator). Sim, baterias no plural. A tradicional de 12 volts no cofre do motor não mudou, mas há uma adicional de lítio com 0,85 kWh de capacidade sob o assoalho do carro. 

Galeria: Fiat Toro 1.3 T270 Ultra MHEV Flex 2027

Versão Consumo urbano com etanol Consumo urbano com gasolina
Sem sistema MHEV 6,5 km/l 9,4 km/l
Com sistema MHEV 7,3 km/l 10,5 km/l

Esse motor/gerador tem 11,4 kW de potência e 6,6 kgfm de torque para aliviar parte do trabalho do 1.3 turbo T270 flex em acelerações e retomadas. A Fiat mirou numa melhoria de 12% no consumo e numa redução de 11% nas emissões. Na prática, é uma diferença que dificilmente se compensaria pelo custo extra das versões MHEV, que chega a R$ 5 mil. A questão é que a grande diferença ficou para aquela pecinha que fica atrás do volante.

Fiat Toro Ultra MHEV flex 2027: o que vem de série

Como versão topo de linha da gama flex, a Toro Ultra MHEV 2027 reúne praticamente todos os equipamentos disponíveis na linha. A lista inclui ar-condicionado digital de duas zonas, painel digital de 7", central multimídia de 10,1" com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, carregador de celular por indução, bancos revestidos em couro com regulagem elétrica, chave presencial com partida por botão e serviços conectados Connect Me.

Há ainda volante revestido em couro com paddle shifts, sensores de chuva e crepuscular, espelho interno eletrocrômico, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, iluminação ambiente em LED e múltiplas entradas USB para os ocupantes.

Fiat Toro 1.3 T270 Ultra MHEV Flex 2027

Fiat Toro 1.3 T270 Ultra MHEV Flex 2027

Foto de: Fiat

No pacote de segurança, a picape oferece frenagem autônoma de emergência, alerta de saída de faixa, monitoramento de ponto cego com alerta de tráfego cruzado traseiro, seis airbags, controle eletrônico de estabilidade e tração, além do sistema TC+, que simula o bloqueio do diferencial para melhorar a tração em pisos de baixa aderência.

A Ultra se diferencia visualmente pelas rodas de 18" escurecidas, capota rígida sobre a caçamba, santantônio integrado, estribos laterais pretos e detalhes externos em preto brilhante. Na cabine, os bancos recebem acabamento exclusivo com costuras vermelhas, reforçando a identidade mais sofisticada da versão.

Na mecânica, nada muda para além da adição do sistema híbrido leve. O 1.3 T270 inclusive permanece oferecendo até 176 cv de potência e 27,5 kgfm de torque como antes. Também é mantido o câmbio automático de 6 velocidades e a tração apenas dianteira. A marca recalibrou o motor e o câmbio para lidar com o sistema MHEV, mas suspensão, direção e freios (a disco nas quatro rodas) permanecem os mesmos.

Fiat Toro 1.3 T270 Ultra MHEV Flex 2027

Fiat Toro 1.3 T270 Ultra MHEV Flex 2027

Foto de: Fiat

Pequeno contato, grande impacto

Não vou julgar o motivo, mas o fato é que tive 9 km e cerca de 20 minutos para avaliar o que o sistema MHEV mudou na vida da Fiat Toro 2027. Da mesma forma, testar melhora de consumo estava fora de cogitação. Emissões, pior ainda. Até onde eu sei, não sou um analisador de gases humano. Dava para dar uma voltinha e só.

Aqui, vou pontuar que o motor 1.3 T270 da Stellantis veio sendo recalibrado nos últimos anos para se conformar às novas regras de emissões. Por conta disso, todos, friso novamente: todos os carros do grupo com esse motor ficaram piores de andar. Para tirar o desempenho esperado, era preciso sempre pisar fundo no acelerador. Para ter suavidade, tinha que se pisar com muita parcimônia. No meio do caminho, o carro andava pouco e o câmbio ficava constantemente mudando marchas para compensar. Virou um motor incômodo para o dia-a-dia, especialmente em cidades com muita alteração de relevo.


O que você pensa sobre isso?

Só que aí entra o sistema híbrido leve. Nos buracos de entrega do motor, o elétrico entra e corrige a falta de desempenho com aceleração parcial. E isso acabou ajudando também na suavidade das trocas de marcha, com o câmbio segurando mais tempo antes de reduzir e adiantando as trocas para cima aproveitando o torque extra.

Saber se a Toro MHEV realmente ficou mais econômica vai ter que esperar. Mas independente desses ganhos serem reais ou não, o híbrido leve de 48 volts da Stellantis na picape da Fiat corrigiu uma falha que já estava começando a incomodar.

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