Goodwood Festival of Speed 2025: novidades no quintal do Lord March
Fabricantes usam o tradicional evento britânico como vitrine de lançamentos
No fim de semana passado, o Festival de Velocidade de Goodwood celebrou em grande estilo os 75 anos da Fórmula 1. Realizado na propriedade rural de Goodwood House, em Chichester, sul da Inglaterra, o evento reuniu mais de 100 monopostos históricos e sete campeões mundiais, incluindo Alain Prost, Nigel Mansell e Kimi Räikkönen, em uma das maiores homenagens à categoria no Reino Unido.
Mais que uma exibição, o Festival of Speed (FOS, para os íntimos) é um encontro anual que, a cada mês de julho, atrai cerca de 150 mil fãs para a icônica pista de 1,87 km — da largada à chegada, são 92,7 metros de ganho de altitude, o que representa um suave aclive de 4,9%. Ali, carros clássicos, protótipos raros e superesportivos modernos aceleram contra o cronômetro, numa celebração da velocidade e da paixão pelo automobilismo.
Galeria: Festival de Goodwood - as estreias
Criado em um antigo aeródromo da Real Força Aérea, o circuito virou autódromo em 1948 e, após o fim das corridas oficiais em 1966, foi revitalizado em 1993 pelo 11º Duque de Richmond, Charles Gordon-Lennox, o Lorde March. Desde então, é a meca dos britânicos que cultuam máquinas e motores.
Como de costume, o Festival não ficou preso à nostalgia. Hoje, os fabricantes têm na famosa subida da colina uma vitrine para estreias mundiais e exibições dinâmicas de novos modelos. De elétricos de competição a hipercarros híbridos, passando por conceitos urbanos e atualizações de superesportivos a combustão, o Goodwood Festival of Speed 2025 apresentou um panorama das tendências e tecnologias. Reunimos aqui alguns dos carros que estrearam no evento.
Hyundai Ioniq 6 N em Goodwood
Hyundai Ioniq 6 N
A divisão esportiva da Hyundai fez sua estreia em Goodwood com o novo Ioniq 6 N, o primeiro sedã elétrico da marca “fuçado” para andar forte. O modelo traz dois motores (um em cada eixo), totalizando 609 cv em uso normal e até 650 cv com o modo N Grin Boost ativado — função que libera potência máxima por 10 segundos.
Acelera de 0 a 100 km/h em apenas 3,2 segundos e atinge 257 km/h, sempre com tração integral. Entre os recursos de condução mais avançados está o N Drift Optimiser, que ajusta a vetorização de torque e o controle de derrapagem para facilitar manobras de drift.
Silencioso, mas brutal na pista, o Ioniq 6 N mostra que a diversão ao volante não depende mais do ronco do motor. Aliás, se o piloto quiser uma dose extra de adrenalina, a divisão de brabos da Hyundai já provou, com o hatch Ioniq 5 N, que pode muito bem simular o som de um motor a combustão. O recurso certamente será incluído no sedã, que chega às concessionárias europeias ainda no fim deste ano.
Lanzante 95-59 (frente)
Lanzante 95-59
A preparadora britânica Lanzante revelou em Goodwood o 95-59, um superesportivo de produção limitada a 59 unidades que celebra a vitória da McLaren F1 GTR nas 24 Horas de Le Mans de 1995. Naquela edição, a própria Lanzante Motorsport foi responsável pela equipe Kokusai Kaihatsu McLaren, que conquistou o primeiro lugar com o carro identificado pelo número 59 (a mesma numeração de seu chassi).
Embora compartilhe a base do atual McLaren 750S, o Lanzante 95-59 tem nova frente de fibra de carbono e aerodinâmica refinada. O layout dos assentos é inspirado no clássico McLaren F1: piloto em posição central, ladeado por dois passageiros ligeiramente recuados. Para isso, o monocoque de carbono foi totalmente reprojetado, incluindo a realocação dos pedais e até do tanque.
A pintura Ueno Grey, histórico cinza escuro da McLaren, as portas diedro e a asa ativa remetem diretamente ao F1 GTR original. A cabine, com comandos no teto e mapa do circuito de Le Mans no encosto de cabeça, alia nostalgia e sofisticação. O resultado é um supercarro leve (1.250 kg) e com espaço para bagagem na dianteira, feito notável para um esportivo moderno com motor V8 biturbo.
Falando nisso, o 95-59 mantém o V8 biturbo de 4 litros da McLaren, mas agora com 860 cv (140 cv a mais que o 750S), mesmo sem qualquer sistema híbrido — apenas pura arte mecânica. Homologado para uso nas ruas, o 95-59 parte de £1.020.000 no Reino Unido, o equivalente a R$ 7,6 milhões em conversão direta. Não por acaso, o escudo da Lanzante traz Ganesha, deus hindu associado ao sucesso e à fartura.
Zenvo Aurora Tur
Zenvo Aurora Tur
A dinamarquesa Zenvo Automotive revelou no quintal do Lord March a versão definitiva do Aurora Tur, hiperesportivo híbrido com o V12 mais potente já instalado em um carro de rua. Desenvolvido pela Mahle, esse motorzão foi apropriadamente batizado de Mjølner (a pronúncia é Miôlnar), o nome do martelo de Thor, o deus do trovão.
O V12 tem cilindrada de 6,6 litros, é capaz de girar a 9.800 rpm e, sozinho, já rende 1.267 cv. Combinado a três motores elétricos, faz com que a potência total alcance 1.876 cv. Assim, o monstro pode acelerar de 0 a 100 km/h em absurdos 2,3 segundos, com máxima de… 450 km/h! O câmbio é automático, de sete marchas, com tração integral.
O visual foi refinado desde a primeira aparição do conceito, em 2023, com destaque para a traseira redesenhada e o difusor atualizado. Serão apenas 100 unidades, com entregas previstas a partir do ano que vem. Em tempo: o nome Zenvo deriva do sobrenome de seu fundador, Vollertsen, com a última e a primeira sílabas invertidas.
Alpine A290 Rallye
Alpine A290 Rallye
Derivado do compacto Alpine A290 (que, por sua vez, é o irmão esportivo do novo Renault 5 elétrico), o A290 Rallye é uma versão adaptada para ralis. O motor é o mesmo do modelo de rua: dianteiro, com 223 cv e 30,5 kgfm. A preparação inclui gaiola de proteção homologada pela FIA, bancos concha da Sabelt, suspensão ALP Racing, freios com discos de 350 mm e diferencial de deslizamento limitado da ZF.
Um detalhe curioso é o gerador externo de som, que simula um ronco de motor conforme a velocidade e a carga do acelerador — é prudente que carros de rali sejam ouvidos de longe para que a multidão abra caminho…
O modelo estará à venda por € 60 mil (o equivalente a R$ 387 mil na conversão direta) e servirá de base para um campeonato monomarca de rali, com estreia prevista ainda para este ano na França.
Honda EV
Honda Super EV Concept
A Honda levou a Goodwood o Super EV Concept, uma proposta de carro urbano 100% elétrico, mais barato e racional que o sofisticado Honda e (2020–2024). Ainda camuflado, o protótipo mostrado no FOS 2025 tem visual que remete a um kei car tunado, com para-lamas alargados e as populares rodas esportivas Volk Racing TE37, de 16 polegadas.
Com tração dianteira e foco em custo-benefício, o modelo aposta em soluções simples, como retrovisores convencionais e freios traseiros a tambor — escolha coerente para o segmento. A ideia é rivalizar com elétricos compactos como Fiat 500e, VW e-Up e Renault Twingo.
Ainda sem data de lançamento, o Super EV reforça o compromisso da marca com carros pequenos, elétricos e divertidos de dirigir, mantendo o espírito que fez a fama da Honda.
BMW queimando borracha
BMW VDX
A BMW chamou atenção com o conceito Vision Driving Experience (VDX), uma plataforma experimental que antecipa tecnologias de futuros modelos da divisão M — incluindo o M3 elétrico, previsto para o início de 2027.
Juntos, seus quatro motores elétricos rendem algo entre 1.300 e 1.700 cv, com torque de até 1.835 kgfm (sim… o redator conferiu várias vezes. É isso mesmo: 1.835 kgfm!). Não à toa, o carro e seu entorno foram engolidos por uma nuvem de borracha queimada e pelo grito dos quatro pneus torturados, destracionando furiosamente no asfalto de Goodwood.
E olhe que há cinco ventiladores sob o assoalho, para gerar 1.000 kg de downforce mesmo com o carro parado. Elementos ativos adicionam mais 200 kg em alta velocidade, tentando mantê-lo colado ao chão. Em resumo: uma cadeira elétrica (literalmente).
Em termos de estilo, o VDX é um parente próximo do sedã-conceito Vision Neue Klasse, apresentado pela BMW em 2023. Sua proposta principal, porém, é servir como plataforma de testes para os componentes eletrônicos Heart of Joy, que irão equipar a próxima geração de BEVs da marca.
Maserati MCPura
Maserati MCPura
Na contramão da eletrificação, a Maserati atualizou seu superesportivo MC20, que agora passa a se chamar MCPura. O novo nome reflete, segundo a marca, a essência “pura” de um esportivo movido exclusivamente por motor a combustão. A mecânica, aliás, permanece inalterada: o V6 Nettuno 3.0 biturbo de 630 cv e 73,3 kgfm, combinado ao câmbio automatizado de oito marchas com dupla embreagem e tração traseira.
O design foi refinado com inspiração no MC20 GT2 Stradale, adotando novo para-choque dianteiro, saias laterais redesenhadas e difusor traseiro revisto. As entradas de ar foram reprojetadas, e o carro recebeu geradores de vórtice no assoalho, que ajudam a resfriar os componentes mecânicos. Segundo a Maserati, o desenvolvimento aerodinâmico, feito em parceria com a Dallara, exigiu mais de 3 mil horas de trabalho.
Por dentro, há uma dose extra de Alcantara nos revestimentos e um novo volante — que pode trazer, como opcional, um shift light integrado ao aro. Disponível nas versões cupê e conversível (chamada de Cielo), o MCPura não terá produção limitada, mas será feito sob encomenda, com alto grau de personalização. A estreia nas ruas europeias está marcada para outubro, com preços acima dos € 250 mil cobrados pelo antecessor MC20.
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